Histórias Contadas Por Vovó Tuta - Prosa e Poesia - 18 - Tatu-bola no Furaco
Tatu-bola no Furaco
Logo depois, o Juca avistou um tatu-bola e perseguiu-o por todo o quintal, onde tem ótimos esconderijos para os tatus, que são muito especiais: têm uma carapaça igual a uma armadura e transformam-se em bola. Meu pai disse que é para protegê-lo dos perigos. Uma estratégia que usam para fugir quando entendem estarem sendo atacados.
Os tatus gostam de lugares como tocas abandonadas; têm hábitos noturnos, alimentam-se principalmente de formigas e cupins.
Conseguimos ver o danado do tatu-bola esticar todo o corpo e se transformar novamente em tatu, fugindo para o seu esconderijo.
Vovó, com toda sua sabedoria, esclareceu:
- O tatu-bola, de todas as espécies de tatu do país, é o menor e o único, que ocorre só no Brasil.
Juca, eu e o Dodô começamos a procurá-lo.
- Tatu-bola, cadê você? - chamei.
Até que Juca disse que o achou.
- Olha ele ali no furaco!
Mas, só Juca via o tatu, e continuou insistindo.
- Está ali no furaco.
Furaco será uma mistura de furo com buraco?
Perguntei pra minha vó:
- O que é furaco?
Ela respondeu bem calmamente:
- É o mesmo que buraco. Mas, nesse caso, minha querida, acho que furaco é um lugar mágico que existe dentro de nós e que podemos entrar sempre que queremos, para procurar coisas da nossa imaginação.
E, desde então, é no furaco que eu entro e vou procurar coisas que só lá eu acho. Coisas inventadas e respostas para minhas dúvidas. Às vezes, acho respostas, outras não.
O tatu vive uma aventura
Em bola se transforma
A enganar quem o procura
Na armadura finge e rola