A criança e o reino dos sonhos perdidos: A aventura de Bia
Na beira da floresta encantada, onde os ventos assobiavam segredos e os rios cantavam canções de embalar, vivia uma menina chamada Bia. Tinha cachos dourados como raios de sol e olhos curiosos como os de um pardal. Gostava de correr pelos campos, de inventar histórias para as formigas do jardim e de construir castelos de travesseiros antes de dormir. Mas, ultimamente, algo estranho acontecia: seu coração parecia mais pesado, e os sonhos que antes borbulhavam em sua cabeça começaram a desaparecer.
— Mamãe, eu esqueci alguma coisa? — perguntou certa manhã, enquanto espalhava geleia no pão.
A mãe sorriu.
— Esqueceu o quê, minha filha?
Bia franziu a testa, tentando lembrar.
— Não sei… Mas sinto como se tivesse perdido alguma coisa importante…
A mãe alisou seus cabelos com carinho.
— Às vezes, a gente esquece onde guardou um brinquedo ou um livro. Mas tudo o que é importante de verdade está aqui dentro — disse, apontando para o peito da menina.
Bia sorriu, mas, lá no fundo, sabia que não era um brinquedo que havia perdido.
A VISITA MÁGICA
Naquela noite, quando o relógio bateu doze badaladas, algo incrível aconteceu. Uma luz dourada piscou na janela do quarto, girou no ar como um vaga-lume e pousou bem na ponta do nariz de Bia.
— Atchim! — espirrou a menina, acordando assustada.
A luz tremeluziu e foi tomando forma. Era uma criaturinha minúscula, feita de puro brilho, com asas transparentes como as de uma libélula.
— Finalmente acordei você! — disse a vozinha fina.
Bia arregalou os olhos.
— O q-quê… quem é você?
— Sou um Lumin, guardião dos sonhos esquecidos. Seu sonho fugiu para o Reino dos Sonhos Perdidos, e só você pode buscá-lo de volta!
A menina piscou, confusa.
— Meu sonho fugiu? Mas por quê?
O Lumin voou em círculos, deixando um rastro dourado no ar.
— Porque você parou de acreditar nele! Se um sonho fica muito tempo sozinho, ele perde as forças e vem se esconder conosco. Mas há tempo! Se vier comigo agora, talvez consiga recuperá-lo!
Bia, que nunca recusava uma boa aventura, jogou o cobertor para o lado e saltou da cama.
— Vamos!
O Lumin rodopiou e, num passe de mágica, envolveu a menina em um brilho dourado. O quarto começou a girar, girar… e quando Bia piscou novamente, já não estava mais ali.
O REINO DOS SONHOS PERDIDOS
Bia se viu diante de um castelo feito de estrelas. Suas torres reluziam como prata, e uma ponte de arco-íris ligava o portão às nuvens fofinhas onde seus pés pousavam. O céu não era azul nem preto, mas de um dourado brilhante, como se estivesse sempre no entardecer.
— Uau! — exclamou a menina.
O Lumin puxou-a pela mão.
— Venha, temos que falar com o Rei Aurora!
No salão do castelo, sentado num trono de nuvens macias, estava o velho Rei Aurora. Tinha uma longa barba prateada e um olhar bondoso. Quando viu Bia, sorriu e bateu palmas.
— Ah! Finalmente veio, pequena sonhadora! Seu sonho estava ficando tão fraquinho que já quase desaparecia!
— Mas… qual sonho é esse?
O rei apontou para um frasco de cristal, dentro do qual uma pequena centelha de luz tremia, quase se apagando.
— É o seu sonho de nunca desistir, minha menina. Você começou a acreditar que não consegue, que os desafios são difíceis demais… e seu sonho fugiu para cá.
Bia sentiu um aperto no peito. Lembrou-se das vezes em que tentara andar de bicicleta e caíra. Das vezes em que tentara desenhar e ficou frustrada. Do dia em que disse "não sou boa nisso" e desistiu antes de tentar de novo.
— Ah… é verdade… — murmurou. — Mas eu não queria perder esse sonho!
O rei sorriu.
— Então leve-o de volta! Mas para isso, precisa prometer que nunca mais deixará de tentar.
Bia olhou para o frasco. Respirou fundo. Depois, fechou os olhos e disse com firmeza:
— Eu prometo!
No mesmo instante, a centelha brilhou forte e voou para dentro do seu peito. Ela sentiu um calor bom espalhar-se pelo corpo, como se tivesse reencontrado um pedaço dela mesma que estava perdido.
O Rei Aurora sorriu.
— Muito bem, pequena Bia! Lembre-se: os sonhos só desaparecem quando deixamos de acreditar neles. Cuide bem do seu!
O Lumin rodopiou ao redor dela, e, num piscar de olhos, Bia estava de volta ao seu quarto.
O DESPERTAR DE UM NOVO DIA
Na manhã seguinte, Bia acordou com uma energia diferente. O sol parecia mais brilhante, o vento mais leve, o mundo mais bonito.
Pegou sua bicicleta e tentou pedalar sem rodinhas outra vez. Caiu duas vezes, mas, em vez de desistir, lembrou-se do que o rei lhe ensinara. Tentou mais uma vez… e conseguiu!
— Mamãe! Eu consegui! — gritou, feliz.
A mãe sorriu.
— Viu só? Tudo o que é importante de verdade está dentro de você.
E desde aquele dia, sempre que Bia tentava algo novo e sentia vontade de desistir, ela se lembrava do Reino dos Sonhos Perdidos e do pequeno Lumin. Porque agora sabia que os sonhos nunca desaparecem de verdade… eles só esperam que a gente volte a acreditar neles.
E você? Será que algum dos seus sonhos está perdido por aí? Então corra buscá-lo, antes que ele se apague para sempre!