ALICE E O VENTO

Seus cabelos esvoaçavam ao sabor do vento, a tarde estava apenas começando quando Alice, uma menina de 14 anos, corria pelo terreiro de sua casa numa brincadeira quase infantil. Afinal era uma menina nova, estava no início da puberdade, se achava, portanto, no direito de se sentir criança e se comportar como tal.

Da janela da cabana vizinha alguém a observava, ria em alguns momentos, imaginava seu tempo de criança ali mesmo onde morava, sentia o frescor da brisa, a mesma que envolvia Alice. Era dona Creuza, mulher viúva que conhecia todos do lugarejo muito longe da cidade grande. Ela já foi menina sapeca, brincava nesse largo terreiro onde muitas outras crianças costumam se divertir aproveitando a pouca idade e as horas disponíveis.

Alice corria, parecia brincar com o vento,  nem se importava com nada. Algumas outras crianças ali brincavam, mas estavam desligadas da brincadeira solitária da menina. Uns jogavam bolinhas de gude, outros empinavam pipas, tudo na maior animação. Dona Creuza se concentrou apenas na menina Alice, pois nela estava o retrato fiel da vida que levava quando tinha a sua idade.

Moacir Rodrigues
Enviado por Moacir Rodrigues em 13/01/2025
Reeditado em 13/01/2025
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