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Era uma vez

Em uma região distante, havia preconceitos, lá morava um excluido e odiado por todos. Chamavam-o de Lobo Mau.
Seus olhos grandes davam medo, ninguém queria estar perto dele.
Dizia uma lenda que ele devorava vovozinhas para se esconder das crianças e depois consumi-las também.
O censo comum gatante a existência de fatos incertos, passando de geração em geração sem embasamento teórico.
Vamos agora observar o outro lado da moeda...
O lobo vive em grupo, esse se distraiu e perdeu-se do bando. A estratégia de caça sendo solitário, tornou-o mais criativo, afinal de contas é preciso sobreviver.
Nesta floresta não existem ovelhas, cabritinhos, galinhas ou algo que lhe agrade o paladar. Ele até tentou ser herbívaro mas não houve sucesso, tanta fome passou que esbugalhou seus olhos com tamanho além do padrão.
A lenda que se espalhou sobre as idosas devoradas, tem uma versão inacreditável a alguns... vejamos:
Em seus longos caminhos percorridos na floresta, esse coyote (não era lobo) ouviu uma senhora gritar, lembrando que não havia telefone nem fixo e nem celular, um grito significaba socorro aos mais próximos do lugar.
Ele sem jeito olhou para um lado e olhou para outro e não havendo ninguém passou a adiantar seus passos em direção aos gritos.
A senhora agradecida deixou-o entrar pela janela, pois a porta estava emperrada.
Assim o fez e indagou sem palavras a gritaria.
A senhora estava deprimida, sem visitas, abandonada por netos e filhos.
Sua saúde estava debilitada, com fome e sem aposentadoria.
Ali era proibido a Eutanásia e ela a desejava. Pediu encarecidamente esse favor ao coyote (lobo mau), mas antes o vestiu com suas roupas para aquece-lo. Deixou deitar em sua cama, era um bom animal, mas não tinha como ajudar a não ser por obedecer ao pedido desta senhora. A morte para ela seria uma dádiva.
Uma jovem neta da senhora gritante queria visitar a avó apenas para não lavar a louça e não por amor ou saudades, pegou algo que a mãe fez e disse:
-Vou levar essas guloseimas para a vovó.
Deu certo a mãe acreditou e nem mandou lavar a louça.
Ao chegar na casa havia esse coyote na cama de sua avó com seus trajes.
Como animais não falam ela observou detalhes...
Olhos grandes, representava a fome que já passou.
Nariz grande tinha conotação com o seu faro com poder exímio em farejar.
Boca grande seria o focinho espichado para frente, não alinhado como nossa boca, servia para enfiá-la em esconderijos comuns para pequenos moradores da floresta.
Notou que não estava faminto e sabia que foi voluntária a morte de sua vovozinha.
Deixou o animal morar ali... não o julgou, mas deprimiu-se fugindo da floresta indo para um setor urbano, se tornou cuidadora de idosos, com a sua dor na consciência. E por ter desaparecido surgiu a lenda do lobo mau a ter devorado.

CIDA MOURA
Enviado por CIDA MOURA em 16/11/2019
Código do texto: T6796188
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
CIDA MOURA
São Paulo - São Paulo - Brasil
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CIDA MOURA