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Devagarinho ou depressinha eu chego lá!

06:20 – Sinto um calor nas minhas bochechas, é o beijo da mamãe, ela veio me acordar pra levantar da cama e ir para a escola. Ah não! Escola de novo não!
06:25 – Até que enfim mamãe conseguiu me tirar da cama, pelo menos dei conta de enrolá-la por cinco minutinhos. Ela me venceu quando puxou as cobertas e ficou me dando beijos apertados.
06:30 – Ainda estou embaixo do chuveiro, mamãe está quase derrubando a porta de tanto bater pra eu sair logo, nossa quanto tempo será que fiquei aqui?
06:40 – Terminei de vestir a roupa e calçar os sapatos, mamãe penteia meus cabelos, puxa de um lado de outro, gel aqui e ali, quase voltei pra cama enrolado na toalha, mas mamãe me mataria se eu desse um sinal de que estava pensando nessas coisas...
06:50 – Terminei de tomar o café da manhã, não estava lá dos melhores não! Faltou aquele pedaço de bolo de chocolate bem molhadinho com bastante granulado em cima. Mamãe me deu um beijo de despedida, abençoou o meu dia e disse pra eu ter juízo e ficar esperto na escola, se alguma professora reclamasse de mim, ela iria me bater de chinelo! E se não adiantasse ia pegar uma vara da goiabeira, “Que é pra doer mais ainda, pra você aprender!” – disse ela.
06:55 – Terminei de escovar os dentes e fiz o bochecho da manhã, agora quem tá me esperando com os olhos sonolentos, mas com a mesma cara que vai me dar uns bons cascudos, se eu enrolar mais um pouquinho pra chegar na escola, é o meu pai. Ele é quem me leva na escola, e se a escola não fosse aqui pertinho de casa, é bem capaz que eu já teria ganhado o primeiro cascudo do dia.
07 h – Ufa! Cheguei na escola, todos já estão na fila de acolhida. Deu tempo de dar um beijo discreto no rosto do papai e atravessar a faixa de pedestre correndo. Cumprimentei meu coleguinha na fila enquanto a professora já iniciava a oração, prometi que hoje vou segurar a minha língua dentro da boca e não vou cair na tentação da conversa.
07:10 – Na primeira aula, a professora chega de cara dizendo que é pra fazer uma produção de texto! Ah não! Como dizia meu coleguinha Leander: “produção de texto é chato!”. Ah não! Vou escrever sobre o anão que é o bicho que não cresce... Não espere! A professora vai enlouquecer se eu escrever uma ideia dessa. Bem que o Leander podia me dar uma “colinha”, ele fala que é chato escrever, mas tem umas ideias bem legais...
08h  – A professora fala bem alto pertinho de mim: “ a primeira aula já acabou, só falta mais uma e tem gente que nem começou o texto!”. Claro que vesti a carapuça que ela jogou pra mim, mas realmente não sei o que escrever.
08:10 – Entreguei uma folha de texto pra professora, ela me deu aquele olhar que dizia assim: “Fica mais esperto rapaz! Espero não ter que corrigir tantos erros ortográficos!”. Dei um suspiro de alívio, espero que tenha ficado bom, era um texto que falava de um menino enrolado com os minutos turbulentos de sua manhã.
Liliene Rodrigues
Enviado por Liliene Rodrigues em 07/10/2019
Código do texto: T6763515
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Liliene Rodrigues
Catalão - Goiás - Brasil, 35 anos
55 textos (3191 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/19 15:11)
Liliene Rodrigues