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O sumiço do papai Noel Vol V/V

No polo norte
         Já passava da segunda quinzena do mês de novembro e a fábrica de brinquedos funcionava a todo vapor. Neste ano, os pedidos de natal, foram bem maiores que os anos anteriores e papai Noel teve de contratar o dobro de ajudantes para dar conta das encomendas.   Duendes e elfos corriam apressados de um lado para o outro, tentando construir um número cada vez maior de brinquedos para atender a todos e até as crianças da terra da magia resolveram mandar cartinhas pedindo presentes. A princípio papai Noel ficou desorientado por não saber como atender a esses pedidos de bruxos e fadinhas. Mas pensando bem, criança é tudo igual! Pensou o bom velhinho. Embora fosse bem difícil atender a alguns pedidos realmente estranhos.
          _O que será que uma vassoura gostaria de ganhar de presente de natal? Pensou Noel coçando a longa barba grisalha.
          _Quem sabe um lindo laço de fita, para amarrar no cabo!
          Daí sim uma boa ideia!
          O problema era que a tal vassoura, que se chamava *Frida, havia pedido em sua carta, um leque chinês! O que uma vassoura iria fazer com um leque? Ainda mais chinês!
          Era cada despropósito! Vassoura pedindo leque, bruxa que pedia caveira falante. Elfos que queriam libélulas encantadas. Oh turminha complicada!
          Verônica, uma velha rena aposentada dos trenós e que agora trabalhava como assistente de papai Noel, entrou na fábrica entulhada de brinquedos até o teto.
          _Papai Noel, chegou um telegrama para o senhor!
          _Venha cá Verônica, e traga-me a correspondência. Chamou papai Noel, pensando se tratar de mais uma cartinha com pedidos de presente.
          _É que carteiro disse que o senhor teria de recebê-la pessoalmente porque teria de assiná-la!
          Que estranho! Pensou o papai Noel. Geralmente as correspondências eram deixadas sem nenhuma cerimônia na recepção da fábrica.
          _Peça-o que me aguarde, que em alguns minutos já vou atendê-lo!
          Papai Noel terminou de encaixar um par de rodas num lindo tratorzinho vermelho e o jogou em um grande cesto de brinquedos masculinos.  Na fábrica de brinquedos era tudo muito organizado. Porque assim ficava mais fácil na distribuição dos presentes. Papai Noel era muito caprichoso e exigia de seus colaboradores o máximo de empenho possível.
          _Deixe-me atender ao carteiro. Vamos ver que telegrama é esse tão importante que tenho até mesmo de assinar! Disse para si mesmo.
           Antes de sair chamou por Charlotte, uma jovem rena que tinha como seu maior sonho puxar o trenó de papai Noel na noite de natal.
          _Charlotte, faça o favor de ir encaixando as rodas nos carrinhos. Você é muito jeitosa e conseguirá apertá-las com a ponta do focinho.  Mas não tenha pressa minha boa menina! Disse Noel acariciando o alto da cabeça de Charlotte, que adorava ser útil ao bom velhinho.
       Na recepção da fábrica, Verônica olhava para o carteiro com desconfiança. Jamais o havia visto no polo norte. Geralmente quem trazia as correspondências era o cavalo alado *Dionísio, e não este carteiro esquisito com cara de hipopótamo.
          Mas quando papai Noel surgiu na porta, é que Verônica tem certeza de seus maus pressentimentos. Ao passar pelo vão da porta uma réplica grotesca do carteiro, que estava muito bem escondida, estendeu os braços e agarrou o papai Noel por trás, prendendo-lhe a boca e esfregando em suas narinas um lenço contendo uma substância química.  Papai Noel caiu desmaiado nos braços do monstro.
           Verônica tentou correr em direção ao papai Noel para socorrê-lo, mas o falso carteiro lhe deu uma rasteira e a rena com a idade já bem avançada caiu estatelada no chão coberto de gelo.
         Pouco depois a dupla de falsários vestidos de carteiros desapareceu da fábrica de brinquedos levando o pesado Noel. Verônica ainda pôde vê-los entrando em um velho foguete espacial.
          _Meu Deus para onde estão levando o papai Noel?
          _Socorro alguém me ajude! Eu preciso salvar o papai Noel!  Verônica gritava a plenos pulmões:
          _Charlotte, Chuleke! Onde estão vocês?
          Charlotte, com certeza não poderia escutá-la, pois estava atarefada encaixando as rodas nos carrinhos. Mas Chuleke, um cãozinho moleque, que adorava uma bota chulezenta, escutou os gritos de Verônica e apareceu em seu auxílio, sacudindo uma bota fedorenta que havia acabado de roubar de um elfo descuidado.
          _O que foi Verônica? O que faz aí se esfregando neste chão gelado?     Perguntou Chuleke.
          _Não vê seu idiota que me derrubaram no chão? Mas não se preocupe comigo Chuleke, corra e vá pedir ajuda. Eles acabaram de sequestrar o papai Noel!
          Chuleke mal podia acreditar nas palavras de Verônica. Ele correu em direção à cozinha da fábrica de brinquedos gritando para quem quisesse ouvir:
          _Socorro! O papai Noel foi seqüestrado! O papai Noel foi sequestrado! E prosseguiu na ladainha, deixando desorientados os ajudantes de papai Noel.
          Mamãe Noel escutando aquela algazarra, saiu da cozinha com um bule cheio de chocolate com chantilly. E quase derrubou todo o líquido na cabeça de Chuleke que tropeçou nos joelhos redondos de mamãe Noel.
          _Que gritaria é essa Chuleke? Você sabe que Noel não tolera gritos e correrias que desconcentrem os trabalhadores.
          Ralhou mamãe Noel.
         _É que o papai Noel... Tentou falar Chuleke com a língua de fora!
          _O que aconteceu a Noel? Desembucha Chuleke!
          Implorou mamãe Noel.
          _Verônica me disse que “eles” seqüestraram o papai Noel!
          _Oooooh!  Disseram todos, num único coro na fábrica!
          Mamãe Noel tentava se manter tranquila para acalmar a todos, que já começavam a abrir o bué.
         _Eles quem Chuleke? Quem haveria de querer fazer mal a papai Noel?
           E um rosto rechonchudo e careca surgiu logo atrás de mamãe Noel. Era *Manu, a menina careca, que junto com o cachorro Elvis e *Thomaz o extraterrestre, resolveu dar uma mãozinha na fábrica de brinquedos. Manu chegava da cozinha com outro bule de chocolate. Elas estavam preparando o lanche para os ajudantes do papai Noel!
          _Venha mamãe Noel! Você também Chuleke! Vamos ver no que Verônica pode nos ajudar! E se virou para os elfos e duendes:
          _Quanto a vocês voltem ao trabalho! A fábrica de brinquedos não pode parar. Agora mais do que nunca papai Noel precisará de nossa ajuda!
          E foram até Verônica que estava indignada ao falar da dupla de sequestradores com cara de hipopótamo e por não ter conseguido ajudar o seu velho amigo.
          _Dupla de malfeitores com cara de hipopótamo? Que engraçado!
          Manu podia jurar que esta dupla de carteiros era velhos conhecidos.
         E então Manu resolveu agir. Imediatamente escreveu uma mensagem para a bruxa Ma e pediu a colaboração do cachorro Elvis.
          _Elvis, quero que atravesse o portal mágico na caverna do feiticeiro e leve essa mensagem até a bruxa Ma na terra da magia.  Nós não podemos fracassar nessa missão. Caso contrário, todas as crianças do planeta ficarão sem presentes. Inclusive você! Pelo que sei você também mandou uma cartinha pedindo uns óculos em 3D para o Papai Noel. Não é mesmo? Não vai querer ficar sem os óculos? Ou vai?
          Elvis partiu rapidamente para a caverna do feiticeiro, onde ficava o portal mágico. Ele tinha a importante mensagem dentro do barril que carregava em seu pescoço.
          Elvis finalmente chegou à terra da magia.
            O esperto cão foi direto para a escola de magia. Pois o ano já estava terminando e a bruxinha Ma estava às voltas com as provas finais.
          A professora Bruxoca o viu chegar e foi logo dizendo:
          _O que você quer cachorrinho? As matrículas para o próximo ano só serão feitas a partir de janeiro. Até o natal não estaremos recebendo mais ninguém. Deixe para retornar só no ano que vem amiguinho!
          Elvis latiu alto e então começou a falar numa linda voz. Em outros planetas, os animais falam como os humanos. Exceto no planeta terra, que eles só se expressam através de latidos e miados. Mas há quem diga que por aqui mesmo, existem pessoas que pode ouvi-los. Verdade ou mentira, eu ainda não ouvi nenhum cãozinho me pedindo com licença e nem, por favor!
          Mas voltando a terra da magia...
           _Trago uma importante mensagem para a bruxinha Mariana. Eu posso aguardá-la aqui?
          _Oh tudo bem! Vou chamá-la para você!
          Dona Bruxoca foi até a sala da bruxa Ma. Dona Bruxilda corrigia algumas provas dos apressadinhos, que insistiam em terminá-las rapidamente, só para voltarem mais cedo para casa. Mariana estava entre estes apressadinhos. Ela já juntava seu material escolar e jogava tudo sem o menor cuidado dentro da sua mochila negra da *bruxa Braba. Isto mesmo! Era Braba e não Barbie. Uma bruxinha topetuda que fazia o maior sucesso nas TVs da terra da magia.
          _Bruxa Mariana, tem alguém aqui que quer vê-la. Venha comigo, por favor!
          _Quem é dona Bruxoca? Só espero que não seja a mamãe, me pedindo para pegar reforço. Nestas férias, eu e Frida vamos fazer umas comprinhas em Miami Beach.
                   Disse a bruxinha Ma, receosa de quem iria encontrar lá fora com uma possível má notícia.
         Enquanto isso lá fora...
          _Eis ali quem te espera. Disse dona Bruxoca apontando o dedo para Elvis que correu em direção a menina.
          _Elvis! Que bons ventos o trazem! Como estão meus amigos da Carecolândia? E Mariana abraçou com força seu fiel amigo.
         _Manu pediu que lhe trouxesse uma mensagem. Pegue por favor, está dentro de meu barril!
          Mariana tirou o barril do pescoço de Elvis e o abriu, tirando de dentro dele a mensagem de Manu.
          Na mensagem estava escrito:
       
          Querida bruxa Ma
          Preciso urgente de sua ajuda. Uma dupla de malfeitores sequestrou o papai Noel. Eles fugiram em um velho foguete espacial para um destino desconhecido. Estou suspeitando da participação de Ding e Dong. O que você acha?
           Por favor, ajude-nos! Todo o polo norte conta com você!
          Ass: Manu careca

           _Dupla de malfeitores! Velho foguete velho! Só faltava a Manu dizer que os tais bandidos tinham a cara de hipopótamo! Só podem ser *Ding e Dong! Aqueles monstros frios e desalmados! Será que não pensam nas crianças?
                    _Vamos Elvis! Vou preparar uma porção mágica e descobrir para onde levaram papai Noel.
          E os dois amigos partiram para a casa da bruxa Má.
          Lola que sempre esperava a bruxa Ma no portão de casa, ficou muito feliz ao rever o antigo companheiro, pois certa vez o cachorro Elvis e o careca Ben, as havia salvado da ira dos meninos da Carecolândia.
            E enquanto os dois cachorros colocavam a conversa em dia, bruxa Ma foi preparar uma porção mágica que mostraria onde estava escondido o papai Noel.

          O tempo passava e nada da bruxinha localizar o paradeiro de papai Noel. A danada da porção não funcionava de jeito nenhum.
          _Meu Deus! O que será que está faltando para essa maldita porção encantada funcionar?
          _Ah já sei! Como pude me esquecer! Falta a unha de camundongo e duas pimentas dedo de moça. Papai Noel que me aguarde!
             Assim que Mariana jogou os ingredientes que faltavam, ela viu os resultados. No fundo do caldeirão apareceu um velho castelo.  E de repente ela o viu. E não é que ele estava realmente aprisionado no castelo mal assombrado do *guardião Alfredo? E o que era mais estranho é que ele não estava preso naquele porão escuro onde o terrível guardião prendia suas vítimas. Parecia que ele estava preso em um quarto.
          Na escuridão do caldeirão, a bruxa Ma ainda avistou um velho retrato onde apareciam duas crianças abraçadas ao lado de uma rena e um cachorro de orelhas levantadas. Estranha imagem que não combinava em nada com a tristeza daquele castelo.
          _Que crianças seriam aquelas? Perguntou-se Mariana muito curiosa.
          _É melhor partir logo em busca do papai Noel. Mariana desligou o fogareiro e quando já ia saindo, uma voz vinda do caldeirão a deteve:
          _Bruxinha Ma, leve consigo a estrelinha mágica *Matilde. Pois somente ela poderá levar o amor até o guardião Alfredo.
          _Não entendi caldeirão falante. Por que levar Matilde?
          Mas o caldeirão não respondeu. A voz mágica havia se calado. Melhor seria levar a Matilde, já que o caldeirão havia lhe dito que ela ia precisar da estrelinha para salvar o papai Noel.
           E assim Mariana subiu na magricela Frida, que estava desgostosa em fazer essa viagem para a terra. Logo hoje passaria na tevê o sorteio do ganhador que passaria o dia inteiro com a bruxa Braba. Ídolo teem das bruxinhas da terra da magia. Apesar de Frida não estar nem aí para a bruxa Braba. Ela queria mesmo era conhecer Justin bruxo, de quem Frida era fã. E como Justin era o namorado da Braba, Frida tinha certeza de que ele estaria incluído no pacote do sorteio.
          Assim sonhava a vassoura Frida.
          _Vamos logo Frida! E pare de sonhar com o mascarado do Justin Bruxo. Você deveria mesmo é dar uma chance para aquele cabo de vassoura que ajuda a dona Bruxíola nas aulas de voo. Já percebi como ele suspira por você!
           _O quê? Você enlouqueceu bruxa Ma? O que uma vassoura cor de rosa como eu ia querer com um reles cabo de vassoura sem dinheiro e que nem cor tem. E como se não bastasse ainda se chama Tonho!
         Respondeu Frida, que tinha mania de grandeza.
          _Então deixe de frescuras e vamos dar uma voltinha no planeta terra. O dever nos espera. Venha logo!
          _ Iupiiie Frida! Gritou Mariana.
          Elvis também queria ajudar a resgatar o papai Noel. Mas Mariana achou melhor ele voltar para o polo norte para avisar a todos que ela já sabia onde o papai Noel estava e que ela já estava indo salvá-lo.
          Elvis deixou a terra da magia em direção a Carecolândia. Ele havia concluído com louvor a missão que Manu o confiou.
             Mariana, Frida e Lola vão deixando para trás a terra da magia. Elas vão em direção ao planeta terra para salvar o papai Noel. De longe bruxa Ma avistou o castelo do Arrepio* do guardião Alfredo. Àquela hora caíam do céu gotas de chuvas manchadas de vermelho. Nem mesmo as nuvens gostavam que suas cálidas gotas caíssem sobre aquele antro de maldades. E sentidas, choravam lágrimas de sangue.
          E foi durante a tempestade vermelha que a bruxa Ma aterrissou naquele lugar maldito. Lugar que apesar de familiar lhe causava calafrios.
         Frida e Lola entraram no castelo com Mariana. Apesar das negativas da menina que insistia em entrar sozinha. Elas também queriam ajudar a encontrar o bom velhinho! Sem falar do perigo e das armadilhas daquele castelo amaldiçoado.
             As três empurraram a velha porta que se abriu com um estrondo. Percorreram quase todos os cômodos escuros e decadentes do velho castelo. Mas nada do papai Noel.
          _Onde será que o guardião Alfredo havia aprisionado o bom velhinho?
          Mariana e a turminha foram até a cela magnética que ficava no fundo do porão. Mas graças a Deus, não havia ninguém preso naquela cela maldita.
          De repente ela ouviu uma voz bem baixinha vinda de seu peito, até parecia que a voz saia de seu coração:
          _ Ei bruxa Ma! E aquele retrato com imagens de crianças que você viu no fundo do caldeirão?
          Gente do céu! Mariana havia se esquecido completamente de Matilde, de quem ela havia prendido em um cordão e amarrado em seu pescoço!
          _Oh, me desculpe Matilde. Nem me lembrava de que você estava comigo. Mas você pode ter razão. Havia mesmo um velho retrato com a imagem de duas crianças.  E crianças gostam de travessuras. Será que aquelas crianças estariam fazendo travessuras escondendo o papai Noel?
           _E quem seriam aquelas crianças?
            Mariana de repente se lembrou de que ao chegar ao castelo, havia avistado no alto da torre uma pequena janela com um lampião aceso.
          _Já sei! Vamos sair daqui de dentro do castelo, tenho a ligeira impressão que a resposta está em outro lugar!
          Ao saírem, Mariana subiu em Frida e deu ordens a vassourinha destrambelhada:
          _É o seguinte Frida, você nos deixará na janelinha da torre. Mas terá de ficar sobrevoando ao redor dela, pois se estivermos em apuros e caso seja preciso nos atirar da janela você nos apanhará no ar. E Mariana continuou falando:
          _Está me escutando né Frida? Esqueça um pouco do Justin bruxo, ouviu bem? Caso alguma coisa nos aconteça você ficará com remorsos. E você não quer que Lola e eu venhamos a nos transformar em bifinho de cachorro. Está certo Frida?
          Frida fez um biquinho com a boca:
          _Que é isto bruxa Ma. Quando você não pôde contar comigo, sua bruxa ingrata! Disse Frida ofendida.
          A vassoura as deixou na janela da alta torre do castelo, e logo as três pularam para dentro da torre. Mas antes de entrar, Mariana gritou:
          _Frida, lembre-se de que nos ainda não sabemos voar!
          E começam as buscas na torre do castelo, a torre que parecia muito pequenina ao longe, na verdade era muito espaçosa.  De repente, Matilde cutucou no pescoço de bruxa Ma falando baixinho:
           _Ouçam! Estou escutando vozes alteradas bem aqui por perto. Vamos fazer silêncio para tentar ouvir de que direção vem essas vozes!
          Elas foram andando vagarosamente, até que chegaram a uma porta que estava presa por uma corrente de forma bem grosseira, como fazem as crianças.
          Havia mais de uma pessoa no quarto e Mariana desconfiou que fosse o guardião Alfredo que estivesse junto com papai Noel.
         _O que um homem ruim como o guardião Alfredo iria querer com uma pessoa meiga como o papai Noel? Pensou Mariana.
         Mariana ficou escutando a conversa por trás da porta, até decidir o que fazer. Ela não tinha medo do guardião Alfredo, já o tinha enfrentado uma vez e não hesitaria em enfrentá-lo pela segunda vez.
            Aos berros o guardião gritava com o papai Noel
          _Eu vou te destruir, do mesmo jeito que você fez comigo um dia!
          E papai Noel respondeu:
          _Meu irmão, eu nunca pretendi te fazer mal algum. E se fiz alguma coisa que tenha lhe tenha magoado, coloque pra fora neste momento que tudo farei para que me perdoe. Quantas vezes eu quis te encontrar. Mas você sempre escapava, nunca quis falar comigo. Mas de uma coisa eu tenho certeza meu irmão, você sofre! E com seu sofrimento você também me faz sofrer. Minha vida que sempre foi rodeada de alegrias, nunca foi completa, pois seu afastamento deixou um grande vazio em minha vida. Porque eu não tinha do meu lado o carinho de meu único irmão!
          _Irmão?!
          Matilde, Lola e bruxa Ma, mal podiam acreditar no que ouviam.
          O guardião falou, agora com mais raiva:
          _ Agora você me chama de irmão. Mas ao me roubar Verônica, você se esqueceu de que era meu irmão não é?
          _Jamais lhe roubei Verônica! Se diz isso porque desapareci com ela é por que você ia matá-la e eu não suportaria que ninguém fizesse alguma maldade a ela. Apesar de meu irmão e Verônica o seu animal de estimação, Verônica merecia viver!
          _Eu nunca quis ferir Verônica. Eu lhe disse que a mataria porque fiquei com ciúmes de sua amizade com a minha rena predileta. Naquele dia que ela saiu com você e o cachorro Trovão ela voltou feliz e encantada por sua bondade. E então achei que Verônica não gostava mais de mim.  Eu amava Verônica e jamais faria algo ruim a ela. Verônica foi o animal que mais amei. E também meu único bicho de estimação. Quando você sumiu com ela e tempos depois, voltou dizendo que Verônica havia morrido, eu me fechei dentro de mim e então a partir daí eu me tornei um carrasco que jurou destruir a todos que se vissem até mim. Você havia me tirado a felicidade. Será que você me entende?
          _Se eu lhe roubei a felicidade, eu ainda posso devolvê-la não é?
          _Do que você está falando?
          _Verônica, meu caro, apesar de muito velha ainda vive e talvez seja tempo de vocês matarem a saudade e serem felizes novamente. Ela também nunca te esqueceu, e ainda guarda como lembrança um velho retrato de quando você ainda era uma criança e que nunca teve coragem de tirar do pescoço!
         Mariana saiu detrás da porta estupefata.
          _É mesmo verdade papai Noel que este monstro feioso é seu verdadeiro irmão? Não pode ser verdade! Vocês são tão diferentes. Diga-me que isto é mentira?
          Mas papai Noel docilmente lhe respondeu:
          _É verdade minha filha. Alfredo é mesmo meu irmão, e ele não é tão ruim assim como você pensa. Foram os obstáculos da vida que o deixaram assim tão amargo.
           E enquanto papai Noel falava, o cordão que envolvia o pescoço de Mariana que estava muito mal amarrado foi parar no chão. Alfredo se aproximou e foi logo se agachando para pegá-lo e devolver a Mariana. Mas quando foi pegá-lo, a menina gritou:
          _Tire suas mãos sujas de Matilde seu monstro. O que pretende fazer?
          Alfredo humildemente respondeu:
          _Nada, eu só ia pegá-lo para você!
          Matilde caída no chão disse:
          _Envergonhe-se bruxa Ma. Alfredo só queria te fazer uma gentileza apanhando-me do chão. Não é mesmo Alfredo? E já que você está agachado, tire-me agora deste chão frio!
          Ainda nas mãos do guardião, Matilde pediu a Alfredo que encostasse a estrelinha em seu rosto, para que pudesse lhe beijar como forma de agradecimento. Com reservas, Alfredo levou a estrelinha até o seu rosto feio, e quando a estrelinha mágica tocou os lábios em seu rosto, uma magia foi acontecendo, aos poucos.
          Alfredo que antes era feio e deformado foi se encolhendo. Ele havia feito um pacto com as bruxas do mal, transformando-se em um monstro imortal, mas com o beijo amoroso de Matilde ele readquiriu sua antiga forma humana e foi ficando cada vez mais jovem. De repente Alfredo se transformou naquele mesmo menininho do retrato que Mariana havia visto no caldeirão.
          Agora sim, ele era realmente Alfredo e recomeçaria tudo de novo. E ao lado de quem ele realmente amava e que lhe fazia tanta falta, seu irmão Noel e a rena Verônica, de quem ele nunca se esqueceu! A vida dera-lhe outra chance!
          Papai Noel já refeito do encanto disse:
          _Agora vamos turminha, as encomendas para o natal precisam ser terminadas. Vamos todos para a fábrica do polo norte, toda a ajuda será bem vinda.
          _Oh, oh! Tenho a impressão que a Frida vai ter que suar a camiseta para carregar todo mundo para o polo norte! Pensou a bruxinha.
             Mas Frida que estava bem atenta a tudo que se passava na torre mal assombrada já havia mandado uma mensagem para o polo norte.
          O cavalo Dionísio havia passado por ali alguns momentos antes, levando a maga Quitéria para uma convenção de bruxas no polo norte. E Frida não perdeu tempo, pediu para a maga que mandasse Verônica e a família Noel buscar o sumido Noel, que agora estava são e salvo
          Mariana gritou:
              _Frida venha logo nos buscar, há mais passageiros para o polo norte e você e é quem vai levá-los.
          _Você que acha bruxa Má! Pensou Frida maliciosa.
          Logo depois estavam todos lá embaixo fazendo planos em quem iria primeiro para a fábrica de brinquedos. O menino Alfredo era o mais afoito, estava louco em reencontrar Verônica. Frida se espantou em como Alfredo se tornara um belíssimo garoto e nem dava para acreditar que até agora a pouco ele fora um monstro frio e sanguinário.
          _É como dizem por aí, um verdadeiro milagre de natal! Ou seria melhor dizer:
          _Um verdadeiro milagre de Matilde!
          Disseram juntas Lola e bruxa Ma.
            De repente surgiu no céu do planeta terra um belo trenó puxado por uma rena bem velhinha. E ao seu lado dois ajudantes lhe davam uma mãozinha, puxando com vigor o trenó que trazia mamãe Noel.
          Os ajudantes de Verônica eram Chuleke e Charlotte, que orgulhosos conduziam o trenó natalino. Foi uma emoção sem tamanho.
         O trenó com a idosa Verônica aterrissou. Ela olhou com alegria para papai Noel, impedida de abraçá-lo, porque estava presa ao trenó, mas se assustou quando seu olhar se cruzou com um lindo garoto que lhe foi muito importante no passado.
          _Alfredo, meu amiguinho é mesmo você?
          E mesmo impedida pelo trenó, Verônica chorou, soltou-se das amarras que a prendiam ao trenó e correu ao encontro de seu grande amigo do passado.
          _Sou eu mesmo amiga! Como sonhei com este momento, me perdoe...
          Lágrimas o impediam de continuar falando.
          _Nada tenho para lhe perdoar. Você já sofreu muito neste tempo todo sem a família do seu lado. Vamos esquecer o passado e recomeçar tudo novamente! E pelo jeito você já encontrou a fórmula da eterna juventude não é?
          _Foi o amor que me deixou assim Verônica!
          _E vai deixar você também!
           Disse uma voz ao longe. Era de novo Matilde, que com o seu poder do amor, dava também a Verônica outra oportunidade de viver os dias perdidos ao lado de seu amigo, e agora com certeza, jamais se separariam novamente!
            À volta para casa foi só de alegrias. Mariana resolveu ficar no polo norte ajudando na fabricação de brinquedos. Como havia passado de ano na escola, a bruxa Amélia a deixou ficar por lá.
          As férias em Miami ficariam para o próximo ano, mesmo por que Mariana queria que Cora fosse também com elas. Mas a bruxa Cora estava andando muito ocupada, procurando por sua mãe, a bruxa Lila.
          Lila havia se transformado em uma perereca verde. Deixando o sapo de bigodes Jeremias, completamente apaixonado. A ponto de o batráquio trancá-la em uma gaiola e desaparecer com a perereca. O sapo só queria uma vidinha tranquila e não mais desejava roubar o reino de *Katitu. Que este ficasse com a perereca *Katarina! Agora ele só queria era casar-se com a perereca Lila e ter um monte de sapinhos. Resta saber se a perereca queria o mesmo que Jeremias. Mas pelo jeito Lila não tinha opção.
          Mundo pequeno este! A gaiola onde a bruxa Lila estava presa era a mesma que um dia ela havia prendido Lola no teto. Coisas do destino. Mas apesar de tudo isso, Cora ama muito sua mãe malvada. E havia ido a verdugo tentar um acordo com Jeremias. Soltar Lila e transformá-la em bruxa novamente. Será que Cora conseguirá?
          Frida foi à feliz ganhadora do concurso “o Natal Com A Bruxa Braba”.
         Surpresa?
          Não! Ela escreveu a maior parte das cartas. E era quase impossível não ganhar!
          _Ah como seria o Justin bruxo? Sonhava a vassourinha prestes a realizar seu sonho.
            Alfredo passou a viver com papai Noel, que agora o tratava mais como filho do que irmão. O que não deixava de ser verdade, já que o guardião não passava de um garotinho de sete anos. Alfredo teve uma nova chance de ser feliz ao lado de Verônica e do amor que não havia tido no passado e se tornando um ser humano melhor. O *castelo do Arrepio foi doado pela antiga proprietária Charlotte, para *Pietro. Aquele mesmo que havia roubado o arco íris para realizar um pedido de seu filho enfermo.
          Pietro agora era pai adotivo de quarenta e cinco crianças. E mais tantos animais, que era impossível contar, de tantos que eram. O castelo nunca foi tão feliz e tão bem frequentado. No dia em que Pietro chegou ao castelo, de mala e cuia e um bando crianças a tiracolo, as nuvens do céu resolveram dar uma ajudinha a Pietro na limpeza da casa. Desabaram água cristalina para fazer uma faxina e retirar toda energia negativa do antes castelo do arrepio.
          E choveu tanto, que a limpeza foi total. Depois para coroar com êxito a nova moradia de Pietro e das crianças abandonadas às nuvens decidiram fazer desabar sob o castelo uma belíssima chuva de pétalas de rosa, dando boas vindas a Pietro e seu séquito de crianças e animais abandonados. Seja bem vindo Pietro! Seja bem vindo todo o amor do mundo.
            No dia de natal, Frida se abanava com o leque chinês preso na calda! Ela ainda não possuía braços. “Ainda”. Porque no próximo ano dona Bruxilda iria ensinar como criar braços para as vassouras mágicas. Frida mal podia esperar para encher os braços de pulseira de cigana. Ela ia ficar linda! Justim bruxo se encantaria ao vê-la!
          Uma equipe de tevê acompanhava todo o evento.
          _Bruxa Ma deve estar se roendo de inveja em me ver na tevê. Pensava a esnobe Frida, aguardando a famosa bruxa Braba e seu namorado Justim.
          Eis que os flashes começaram a espocar e o famoso casal surgiu no estúdio. Lindos e maquiados.
          _ Meu Deus! O Justim bruxo estava usando batom e lápis delineador! Será que ele roubou a penteadeira da bruxa Lila?
          Frida nunca havia visto um homem tão maquiado. Pensando bem...
         _Ai que saudade do Tonho! Aquele sim!  Era “o” cabo de vassoura!

                                                        Fim

Notas do autor:
*Frida: Vassoura cor de rosa da bruxa Ma;
*Dionísio: Cavalo alado que habitava a terra da Magia;
*Ding e Dong: Monstros com cara de hipopótamo que faziam o serviço sujo para o guardião Alfredo;
*Manu careca: Moradora da Carecolândia que construiu uma cadeira de rodas voadoara;
*Tomaz o extraterrestre: O ET ajudante de Manu;
*Carecolândia: Reino dos meninos carecas;
*Elvis: Cachorro de Ben careca;
*Terra da Magia: Planeta da bruxa Ma e onde vivem os seres encantados;
*Dona Bruxoca: Professora que ensinava aula de voo em vassouras mágicas;
*Dona Bruxilda: Professora do segundo ano da bruxa Ma;
*Lola: Cachorra da bruxa Ma;
*Bruxa Braba: Artista e ídolo das crianças da terra da magia;
*Justin Bruxo: Bruxo cantor e namorado da Bruxa Braba;
*Maga Quitéria: Feiticeira que tinha o dom de tornar-se invisível;
*Bruxa Amélia: Mãe da bruxa Mariana;
*Castelo do Arrepio: Morada do guardião Alfredo;
*Guardião Alfredo: Monstro imortal que vivia aprisionado nas profundezas de seu castelo;
*Ben careca: Líder dos meninos carecas e futuro rei da Carecolândia;
*Lila: Rainha das bruxas que fora transformada em perereca;
*Sapo Jeremias: Sapo que outrora quis roubar o reino de Katitu;
*Cora: Bruxinha boa e filha da malvada bruxa Lila;
*Pietro: Humano que roubou o arco-íris para realizar o desejo do filho;
*Charlotte: Herdeira do castelo do arrepio (Mariana e a bruxa do castelo Vol 01)

Síria Malta


Siria Malta
Enviado por Siria Malta em 30/09/2019
Reeditado em 30/09/2019
Código do texto: T6757521
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Sobre a autora
Siria Malta
Itaguara - Minas Gerais - Brasil
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Siria Malta