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Raul e o pé de umbu

Era uma vez no interior do nordeste, morava um garoto chamado Raul, ele vivia com sua mãe que era viúva, pois a mesma havia perdido sue marido que foi arrastado por uma enorme enxurrada devido a uma grande chuva que acontecera naquelas redondezas. A tempestade destruiu tudo o que havia pela frente, acabando com as plantações e ceifando a vida do pobre homem, quando o mesmo colhia feijão em sua propriedade.
Passaram-se cinco anos após essa tempestade e nesse período a seca tomara conta da região, não caiu uma gota d’água sequer. A lavoura ficou comprometida e os animais aos poucos começaram a morrer. A vida naquele lugar nunca mais foi a mesma. Antes chuva demais, agora seca brava. A pobreza tomara conta daqueles moradores.
No entanto, ainda havia um fio de esperança para aquela família, pois do gado que havia morrido restara apenas uma vaquinha chamada Lili, o xodó da família. Por incrível que pareça, aquela vaquinha sobrevivera se alimentando de ervas daninhas e bebendo água que brotava de um pequeno buraco oriundo de um velho poço, já desativado naquele local.
Olhando todo esse cenário, a mãe de Raul o observa jogando bola com seus amigos num campinho de terra batida e eis que lhe surge uma irradiante ideia. Ela o chama e lhe explica que vai vender a vaquinha Lili para conseguir dinheiro e sobreviverem pelo resto do ano, pois boa parte dos moradores daquele lugar estava aos poucos, morrendo por conta da fome. Raul acha a ideia excelente, dá um forte abraço em sua mãe e sai correndo para ir busca-la no curral. Chegando lá, sai puxando-a pelo cabresto, todo contente e de sorriso aberto, pois, agora, pensava ele, iriam ter o que comer pelo restante daquele ano. Então, passa-lhe a raspadeira, dá-lhe um banho completo, despede-se da mãe e saem juntos pela estrada empoeirada, se debruçando nos pés de mandacarus com destino à cidade.
Na metade do caminho, encontra um homem, Seu Venâncio, conhecido ali por ser um espertalhão, aproveitador, “macaco-velho”, como se diz no nordeste. Seu Venâncio o interpela e começa a interroga-lo:
- Boa tarde meu bom menino, tudo bem com você?
- O que vai fazer à cidade puxando essa vaquinha?
 O garoto responde:
- Vou vendê-la, sabe como é né? A situação tá braba e precisamos de dinheiro para comprar mantimentos.
O homem ouvindo aquilo, diz:
- Olha meu garoto, essa vaquinha do jeito tá magra você não vai conseguir dinheiro algum por ela, tá só couro e o osso (apontando para o animal). O povo da cidade é muito esperto, aproveitador, vão querer lhe enrolar e comprá-la por uma mixaria. (o homem mentia, pois via que a vaquinha Lili ainda podia ser aproveitada). Eu tenho uma proposta pra te fazer: Eu lhe proponho uma troca da sua vaquinha por três caroços de umbu, porém há um segredo: Não são caroços de umbu qualquer, eles são mágicos! O menino fica maravilhado e aceita a troca.
Pega-os e sai correndo, ofegante para sua casa. Chegando lá, conta a novidade para sua mãe. De início ela leva um grande susto e lhe dá uma tremenda bronca:
- Como você pôde fazer isso, Raul? Eu peço para você vender a Lili e você me chega aqui com três caroços de umbu. Olha o montão de pés de umbu que tem plantados em nossas terras. Ah, moleque! Que sandice essa sua.
Raul tremendo de medo e gaguejando, responde:
- Ca-ca-calma mãe. Esses caroços possuem um grande segredo: eles são mágicos, o homem que me vendeu me falou com toda certeza.
- Que mágicos que nada rapaz, ele te enganou e lá se foi nossa única fonte de renda, nossa amável vaquinha Lili. (diz a mãe, corando de raiva). Então, ela pega os caroços e os lança no terreiro ao lado do quarto do menino.
A noite chega e ambos vão dormir. De repente, às três da madrugada, Raul é acordado com um barulho forte de folhas batendo na janela do seu quarto. O garoto leva um susto e para sua surpresa, os três caroços jogados fora por sua mãe dão origem a um bonito e enorme pé de umbu. Como todo garoto da sua idade, curioso, resolve escalar a árvore para ver o que há lá em cima.
Chegando lá, ele se depara com um enorme labirinto rodeado de anjos e nuvens como se fossem de algodão, com o nome HERÓIS DA FÉ. Cada extremidade do labirinto possuía um líder que o instruiria e o daria pistas para conseguir o que desejava. Ele olha para todos os lados e resmunga baixinho “Nossa! Esses são os personagens bíblicos que tem na bíblia, minha mãe já me falou sobre eles.”
De inicio, se desloca para a extremidade Norte, lá estava um homem chamado Abel. Ele pergunta:
- Senhor poderia me dizer como faço para conseguir alimento para sustentar a mim e a minha mãe? Abel, responde:
- Olha garoto, é preciso ter fé! Sabia que eu ofereci sacrifício mais excelente do que meu irmão Caim? E com isso, obti a aprovação de Deus?
- O menino se surpreende, e desce do pé de umbu pensativo. Aquilo o fez refleti por toda aquela noite. No dia seguinte, sobe novamente na árvore, apanha alguns umbus e chega lá em cima saboreando-os.
Dessa fez vai até a extremidade Sul. Lá se encontrava um outro homem chamado José. Ele novamente interroga:
- Oi, tudo bem? Eu tenho um sonho de dar uma vida melhor para minha mãe, mas não sei o que fazer.
José responde: Para sonhar é preciso ter fé nas coisas que não se veem. Foi sonhando, sendo usado por Deus e tendo fé que ELE me tornou governador do Egito. O garoto suspira e diz:
- Nossa, que exemplo de homem sonhador!
Novamente desce do pé de umbu pensativo e passa o dia todo imaginando. No dia seguinte, lá vai ele novamente escalar a árvore. Dessa vez, se dirige à extremidade Leste. Lá dá de cara com um homem chamado Moisés. Dessa vez, a pergunta foi:
- Bom dia! Olha, minha mãe já esta velha, preciso liderar a minha família para encontrar uma forma de nos mantermos, mas não consigo. Moisés, atentamente responde:
- Garoto, preste atenção: Deus me escolheu para liderar os israelitas durante o êxodo do Egito. Conduzi os israelitas, passamos por grandes desafios, até chegar ao Mar vermelho e vencemos. Tenha fé que você será um grande líder ainda.
O menino mais uma vez vai embora encabulado.
Chega mais um dia e lá vai o garoto outra vez subir na árvore para buscar respostas. Caminha em direção ao Oeste e é parado por um homem chamado Gideão. Ele inicia mais uma conversa: Olá, preciso combater os desafios que a vida está me proporcionando, mas não estou conseguindo. Gideão toca em seu ombro e diz:
- Com apenas 300 homens Deus me usou para enfrentar um exército inimigo inteiro e nós vencemos a batalha. Continue tentando vencer seus medos e desafios. Ele saiu dali emocionado e motivado.
Na manhã seguinte, o menino sobe e chega lá outra vez. Na base do labirinto avista um homem chamado Isaque. Ele diz: Será que você pode me ajudar? Estou triste, não consigo herdar o que vem do meu pai. Isaque o responde, dizendo:
- Menino, escuta bem: Sou filho de um casal abençoado, pois fui gerado por duas pessoas já idosas, humanamente isso seria impossível e fui chamado por Deus de herdeiro da promessa. Nada é impossível para o REI dos reis e SENHOR dos senhores, prossiga confiante. Dessa vez, ele desceu do pé de umbu mais pensativo ainda. Uma nova manhã chega, e Raul desolado se encontra lá mais uma vez. Já cansado de ouvir tantas motivações e de não conseguir absolvê-las por falta de forças, começa a percorrer um longo caminho até chegar ao centro do labirinto. Lá ele avista um homem vestido de vestes brancas e com uma meiga voz pergunta:
- Está desistindo Raul? O garoto leva um tremendo susto. Como sabe o meu nome?
- Este homem responde: Você já ouviu falar num homem chamado JESUS CRISTO? Raul responde:
- Sim, O Salvador da humanidade. O homem diz:
- Isso mesmo, sou eu, sei todas as coisas, pois sou filho do criador do mundo.
O garoto com os olhos arregalados pergunta:
- Senhor, já estou cansado, todos os heróis da fé já tentaram me ajudar com belas palavras, mas não consigo encontrar um caminho para ajudar minha mãe e sairmos dessa situação.
Jesus responde:
- Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao pai a não ser por mim. Se você insiste em subir nessa árvore é porque tem fé, crê e busca uma solução para sua vida sofrida. Correto?
- Sim, responde o menino. Se você chegou até aqui é porque tenho te trazido para obter respostas e você se comportou perfeitamente e creu nas promessas descritas pelos heróis da fé. Quem crê em mim receberá as bênçãos vindas do céu. O menino dá um forte abraço no mestre e desce da árvore feliz, animado e emocionado.
Nesse mesmo instante Deus faz cair uma imensa chuva sobre aquele lugar, a chuva era tão forte que o pé de umbu foi levado pela correnteza revigorando a natureza e trazendo alegria para aquele povo, que durante anos vivera no sofrimento, agora passara a ter anos e anos de fartura. (tudo ação divina).
E assim, Raul e sua mãe conseguem viver novamente da lavoura, plantando, colhendo, vendendo e criando suas vaquinhas novamente.
Ele senta próximo a sua mãe e diz:
- Mamãe, é preciso ter fé, confiar em Deus e nunca desistir das suas promessas, pois foi assim que os heróis da fé conseguiram agradar ao mestre, como diz na bíblia e foram retribuídos da melhor maneira possível. Ele olha alegremente para o alto e diz:
- Basta apenas crêr, pois Deus é fiel!


XAVIER, Lucimário. Reescrita com nova versão do conto João e o Pé de feijão, Canarana, 2019.
Lucimário Xavier
Enviado por Lucimário Xavier em 01/09/2019
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Sobre o autor
Lucimário Xavier
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