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AS AVENTURAS DO SACI

As aventuras do Saci


Uma certa manhã o Saci apareceu, repentinamente, como num passe de mágica na varanda do Sítio do Pica-pau amarelo. Tia Anastácia, como sempre, assustou-se com a aparição inesperada e Emília logo indagou:
_ Que traquinagem você está planejando? Você nunca aparece sem uma segunda intenção!?
Dona Benta reclama com a Emília:
_ Pare com isso Emília, deixe o Saci sossegado!
_ Emília, hoje, eu não quero conversa com você, hoje eu quero falar é com o Visconde de Sabugosa, aquela cabeça pensante, aquele boneco em forma de biblioteca ambulante … disse o Saci, liberando uma sonora gargalhada.
Dona Benta indaga:
_ Você, Saci? Querendo conversar com o Visconde? Que novidade é essa?
_ Dona Benta não me leve a mal, mas eu ando pensando… pensando… por que nesse sítio tão grande há poucos negros… eu preciso saber mais sobre a história dos negros, como chegaram aqui, como tudo começou, porque não possuem grandes propriedades e porque estão sempre em subempregos… e só o Visconde com seu grande saber pode me responder.
Dona Benta fica muito contente com a inquietação do Saci porque ele estava construindo conhecimentos sobre o seu povo. Mas ele estava tão inquieto que deixou Dona Benta falando sozinha e partiu para a biblioteca a procura do Visconde.
Ao entrar na biblioteca, o Saci assusta o Visconde que estava concentrado em suas pesquisas. Ele conversou horas e horas com o Visconde até ser interrompido por Tia Anastácia com seus deliciosos bolinhos de chuva e suco de graviola. Pela primeira vez o Saci recusa as guloseimas de Tia Anastácia, o que lhe causa grande estranhamento.
_ O que deu em você peste? Está doente? Precisa procurar o doutor caramujo. Disse ela.
_ Tia Anátácia agora eu sou um Saci pesquisador.
_ kkkkkkkkkkk… Tia Anastácia tem uma crise de riso. Você!? Cruz em credo, nunca vi Saci estudar!
_ Eu serei o primeiro!! Vou entrar por estas matas e só vou parar quando chegar em Salvador.
_ Deixe de besteira, desde quando você viaja para tão longe?
_ Para tudo existe a primeira vez… responde o Saci. Vou em busca de explicações e respostas sobre o povo negro.
Como vocês sabem o Saci gosta mesmo é de fazer traquinagem e nessa viagem não foi diferente: virou toda poção do caldeirão da Cuca, roubou o espelho da Iara, levou o cachimbo do tio Barnabé.
Estão pensando que parou por aí!? E quando chegou ao Pelourinho?…Quando chegou ao Pelourinho ficou fascinado com a quantidade de negros que havia naquele lugar e na semelhança entre ele e as demais pessoas.
Ficou tão feliz, tão à vontade que começou a fazer suas travessuras: colocou bastante pimenta nos acarajés dos turistas, derramou o cravinho dos bêbados nas ruas, deixando os copos vazios. Também achou superdivertido andar no Elevador Lacerda, subia e descia diversas vezes. Foi ao Mercado Modelo participar de uma roda de capoeira, tirou self com turistas, deu autógrafo, subiu as escadarias da Igreja do Bonfim de um pé só, dizendo estava pagando promessa, mas na verdade foi apagar as velas da igreja.
Está pensando que acabou? Ainda não… o Saci queria conhecer um ensaio de Carlinhos Brown e lá se foi ele, ficou maravilhado, foi batizado como timbaleiro…
Depois de tantas aventuras e aprendizagens culturais voltou para São Paulo todo pintado e com um turbante que ganhou de Carlinhos Brown.


MARIA DAS GRAÇAS DE OLIVEIRA ROCHA
Enviado por MARIA DAS GRAÇAS DE OLIVEIRA ROCHA em 22/08/2019
Código do texto: T6726563
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Sobre o autor
MARIA DAS GRAÇAS DE OLIVEIRA ROCHA
Salvador - Bahia - Brasil, 56 anos
1 textos (46 leituras)
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