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O Chamado

Fui contratado para trabalhar como vigia noturno de uma revendedora de automóveis, e como sou cuidadoso com o meu trabalho, procurei saber do meu supervisor na firma de vigilância, se havia alguma recomendação especial para o lugar.

- Há um telefone público no pátio da frente, onde os carros ficam estacionados. Alguns dos vigilantes que passaram por lá, registraram que ele costuma tocar todas as madrugadas, pontualmente às 4:20.

- Algum tipo de teste da companhia telefônica, talvez? - Sugeri.

- Realmente, não sei. O telefone toca apenas uma vez, e ninguém se animou a atender para descobrir do que poderia se tratar. Talvez seja apenas um mau funcionamento, o aparelho é bem antigo; quem é que ainda usa telefones públicos hoje em dia?

Na minha primeira noite de serviço, fiquei atento para ver se o telefone iria tocar, e de fato, quando voltava da última ronda do meu turno, ainda na parte de trás do prédio da revendedora, ouvi o som inconfundível à distância. Como havia sido dito, houve apenas um toque. Olhei para meu relógio de pulso: precisamente 4:20 h.

Como às vezes eu me encontrava dentro do prédio no horário da chamada, nem sempre a ouvia. E ainda não havia estado suficientemente próximo no momento certo para ver se notava algo de estranho com o aparelho. Em outros horários, quando fora examiná-lo, nada descobrira de especial: era apenas um velho telefone público de cartão, com um diminuto visor de cristal líquido.

Finalmente, após ter passado próximo do telefone no horário marcado, mas não perto o suficiente, decidi que chegara o momento de esclarecer a situação de uma vez por todas. Numa noite escura e sem lua, parei diante do aparelho, fixado numa parede em frente à via de entrada principal para as oficinas da revendedora, e o mantive iluminado com a minha lanterna.

Às 4:20 h, como seria de esperar, ele tocou, o pequeno visor iluminado. O som parou, normalmente.

E, em seguida, tocou de novo.

Eu não esperei que tocasse uma terceira vez. Com o coração aos pulos, disparei para o prédio da revendedora e me tranquei lá dentro. Só saí quando os primeiros funcionários chegaram, pela manhã.

Nunca mais ousei me aproximar do telefone durante minhas rondas.

- [03-04-2020]
Alex Raymundo
Enviado por Alex Raymundo em 03/05/2020
Código do texto: T6936689
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Sobre o autor
Alex Raymundo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 57 anos
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Alex Raymundo