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A tumba lacrada

- O que acha, professor Carver?

O arqueólogo olhou com atenção pelo periscópio, introduzido com uma lâmpada na câmara principal da tumba, situada um metro abaixo do ponto onde estavam, numa encosta rochosa do Vale dos Reis. Só pôde ver paredes decoradas com hieróglifos, uma base de calcário sobre a qual deveria ter sido colocado o sarcófago do titular da sepultura, o poderoso sacerdote Ranubkheper... e uma porta de pedra lacrada com três selos, no lado da tumba que entrava rocha adentro.

- O túmulo não apresenta sinais de violação por saqueadores, portanto minha conclusão preliminar é que nunca chegou a ser ocupado - avaliou Carver.

- E a porta lacrada? - Questionou o assistente, o qual juntamente com o guia egípcio, eram os únicos presentes ao sítio das escavações naquele momento.

- Tem alguma coisa escrita na porta de pedra, mas vamos precisar entrar na câmara para ver melhor.

Com o auxílio do guia, desobstruíram o entulho que enchia o corredor descendente com degraus entalhados, que descia até o interior da tumba. Finalmente, quando o sol se punha, adentraram a câmara à luz de lanternas.

- Magnífico! - Exclamou Carver ao iluminar os hieróglifos que cobriam as paredes. - As pinturas estão tão bem preservadas que parecem ter sido pintadas... ontem.

O assistente estava mais preocupado com as marcas gravadas na porta de pedra, ao fundo da câmara.

- E como acha que devemos ler o que está escrito, professor? - Indagou.

- Como você traduziria? - Inquiriu o arqueólogo, braços cruzados.

- "Mortos dentro, não abra".

Carver soltou uma gargalhada.

- Esse foi o melhor despiste que já vi numa tumba egípcia! Mas é claro que há mortos lá dentro... ou ao menos, deveria haver. É para isso que servem as sepulturas, correto?

- Devo entender que isso é uma advertência para saqueadores de túmulos? - Questionou o assistente.

O guia pigarreou.

- Com licença, sahib... se me permite uma observação...

- Fale, Ishaq - concedeu Carver.

- Corrija-me se eu estiver errado, mas a maioria dos saqueadores de túmulos não eram analfabetos? De que valeria escrever um alerta que ninguém iria conseguir ler?

Os dois ocidentais entreolharam-se.

- Você tem uma certa razão - ponderou Carver.

E para o assistente:

- Pensando bem, melhor deixar a abertura dessa câmara para quando tivermos uma tecnologia capaz de fornecer visualização de ambientes... algo que não seja invasivo, como o periscópio.

- Eu ia sugerir exatamente isso - acedeu o assistente.

O trio subiu as escadas de pedra, de volta para a superfície. E depois, meticulosamente, encheram novamente de entulho o corredor que levava à câmara da tumba.

- [16-01-2020]
Alex Raymundo
Enviado por Alex Raymundo em 16/01/2020
Código do texto: T6843631
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Sobre o autor
Alex Raymundo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 57 anos
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Alex Raymundo