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Horror no Mar da China

O cúter USCGC "Point Manjaro" estava em missão noturna de patrulha no mar da China Meridional, em busca de barcos usados pelos vietcongues para transportar armas e munição para o Vietnã do Sul, quando o capitão Jesse Coleman recebeu uma detecção positiva na tela do radar. À medida em que o cúter aproximava-se do objetivo, ficou claro que este não tentara qualquer manobra evasiva, o que pareceu ainda mais suspeito ao comandante.

- Tripulação, a postos! - Avisou pelo sistema de som da ponte de comando.

Em seguida, enquanto os oito marinheiros assumiam postos de combate, ordenou ao imediato, tenente Bowen, que informasse pelo rádio o Centro de Vigilância Costeira mais próximo, de que estariam realizando uma interceptação em poucos minutos.

- Vamos no impulso, o mínimo de barulho possível - comunicou ainda à casa de máquinas - tentar pegá-los de surpresa.

Finalmente, o "Point Manjaro" aproximou-se o suficiente do alvo para que Coleman decidisse iluminá-lo com seus potentes holofotes. O que viram, emergindo do negrume do mar, parecia ser apenas um inocente pesqueiro, sem bandeira ou identificação - e com todas as luzes apagadas.

- Aqui é a Guarda Costeira, - alertou o capitão pelo alto-falante externo - identifiquem-se!

Nenhum movimento a bordo do pesqueiro. O barco parecia ir à deriva.

- Último aviso: parem ou vamos atirar! - Exclamou.

Como nenhuma resposta foi dada, mandou disparar duas salvas de metralhadora à frente do barco. Ainda, não houve reação do lado de lá.

- Preparar para abordar - ordenou o capitão.

O pesqueiro foi preso por ganchos e cordas e acostado junto ao cúter, bem maior do que ele. Em seguida, quatro marinheiros foram a bordo, pistolas em punho, enquanto do cúter uma metralhadora Browning .50 lhes dava cobertura. Os homens desapareceram no interior do pesqueiro e voltaram, minutos depois, com variadas expressões de ansiedade - e medo.

- Parece ser apenas um pesqueiro sul-vietnamita - declarou o cabo Walsh ao capitão. - E não há ninguém a bordo... vivo.

- Mortos? - Inquiriu o capitão.

- Seis vietnamitas, não sabemos se do Sul ou do Norte. Os corpos foram estraçalhados por... alguma coisa.

- Como assim... estraçalhados? - Questionou Coleman. - Você quer dizer, golpes de faca ou coisa assim?

O cabo limpou o suor da testa.

- Já vi muitos golpes de faca, capitão... não era nada disso - insistiu Walsh. - Parece que foram atacados por algum animal selvagem... um tigre ou um urso.

Coleman olhou para o pesqueiro, que balouçava suavemente ao lado do cúter.

- Mas vocês viram algo estranho? Crê que o que quer que tenha morto os vietnamitas, ainda esteja a bordo?

- Não vimos nem ouvimos nada que desse essa impressão, capitão. Mas não nos julgue se lhe disser que não ficamos muito animados em dar uma busca por todos os cantos do barco - admitiu Walsh. - Não nessa escuridão.

- Vamos voltar para o porto. O NCIS deve querer dar uma boa olhada em tudo - decidiu-se Coleman.

E ordenou toda a força à frente, de volta à base naval de Da Nang.

* * *

Na manhã seguinte, um hidroavião HU-16 Albatross, voando sobre o mar da China Meridional, avistou o "Point Manjaro" a deriva, cerca de 50 milhas náuticas distante da costa do Vietnã do Sul. O piloto do aparelho informou à base que o cúter não respondia ao rádio, e que pôde avistar corpos no convés. Não havia qualquer sinal do pesqueiro que estivera junto ao mesmo, na noite anterior.

O "Point Manjaro" foi rebocado para Da Nang por um navio de transporte de tropas, e durante o percurso, foi cuidadosamente revistado por uma patrulha de fuzileiros, fortemente armada.

Nenhum indício sobre a identidade ou natureza do atacante - ou atacantes - foi encontrada. Quanto ao pesqueiro, suspeita-se que tenha sido propositalmente afundado, após o ataque.

- [05-12-2019]
Alex Raymundo
Enviado por Alex Raymundo em 05/12/2019
Código do texto: T6811811
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Alex Raymundo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 57 anos
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Alex Raymundo