Laboratório do medo

[Continuação de "Hóspedes involuntários"]

A reação imediata do tenente Cox fora sacar sua pistola .45 e dar uma gravata no apavorado soldado Rüdiger, pego de surpresa. Pressionando a arma contra a cabeça do austríaco, Cox gritava:

- Que diabos é isso, seu nazista? Quis nos trazer para uma armadilha?!

- Calma, tenente, calma! - Solicitou o capitão Fletcher, erguendo as mãos num gesto apaziguador. - Tenho certeza de que Rüdiger não sabia o que a SS estava fazendo neste laboratório!

- Eu... não... sabia... - arquejou o rapaz, tão logo o americano soltou-o da gravata. - Nos disseram que havia cães aqui... não tínhamos permissão para entrar nessa área.

Contrafeito, Cox recolocou a pistola no coldre.

- Está bem, capitão - disse lentamente. - Mas é melhor que os Krauts entrem na ala das celas... se houver algo perigoso ali, eles morrem primeiro.

- Nunca imaginaram que a SS poderia estar fazendo experimentos com prisioneiros? - Indagou Fletcher ao austríaco.

- Como eu disse... nós, da Wehrmacht, só fazíamos a guarda externa. O que quer que estivesse sendo trazido para cá, chegava em caminhões fechados. Nunca vimos qualquer pessoa além dos soldados da SS... mas ouvíamos uivos horríveis, nalgumas noites.

- Uivos? - Questionou Fetcher, intrigado. - Quer dizer, gritos de dor?

- Não, uivos - insistiu o soldado. - Nada remotamente humano. Os SS nos diziam que eram os cães que estavam sendo usados nas experiências... não sabíamos o que pensar, e ninguém se atrevia a questionar.

Fletecher aproximou-se da porta gradeada que levava ao bloco de celas, e gritou:

- Wer ist da? Wir sind Amerikaner!

- Amerikaner? - Gritou uma voz masculina de dentro de uma das celas. - Hilf uns!

- Wir sind Zigeuner! - Gritou outro homem.

- Ciganos - traduziu Rüdiger. - São ciganos!

- Tenente, - comentou Fletcher em voz baixa para Cox - traga dois dos nossos rapazes e dois austríacos, para entrarem na ala restrita. Pode ser que os alemães estivessem fazendo estudos com moléstias contagiosas, e não vamos correr riscos ao abrir as celas...

- Muito bem, senhor, apoiado - aprovou o tenente, saindo em seguida do laboratório para cumprir a ordem recebida.

Fletcher voltou-se então para Rüdiger, e disse:

- Procure saber dos ciganos que tipo de experiência os alemães estavam fazendo com eles... se envolvia doenças infectocontagiosas ou coisa do tipo.

O austríaco tentou desincumbir-se da tarefa da melhor maneira possível, mas as respostas obtidas pareciam desencontradas. Finalmente, ele dirigiu-se ao americano com uma expressão de medo no rosto.

- Capitão... os prisioneiros querem muito ser soltos. Mas um deles indagou se esta seria uma noite de lua cheia, e sim, de fato será.

- O que tem isso de mais? - Questionou Fletcher.

- É que me lembrei de que os tais uivos que ouvíamos, lá de fora, ocorriam quase sempre em noites de lua cheia - explicou o rapaz.

- E qual é a relação? - Replicou Fletcher, agastado.

- Talvez não seja seguro libertá-los - ponderou Rüdiger. - Ao menos, não hoje.

[Continua]

- [05-10-2019]