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Caroline

[Continuação de "De Volta à Mansão McCray"]

Na manhã seguinte, enquanto tomávamos o desjejum, perguntei a Adeline pelo seu animal de estimação.

- Imagine que aquele seu gato entre em algum quarto sub-repticiamente e termine trancado, sem que ninguém perceba?

Adeline me encarou de forma estranha, e retrucou:

- Eu não tenho nenhum animal de estimação, primo.

Pousei a xícara de chá no pires, e falei sobre o que vira na noite anterior.

- Um gato angorá branco? Não há nenhum animal assim nesta casa, há muito tempo... - comentou ela, parecendo aborrecida.

- Então um aprendeu como entrar nela - retruquei. - É bom pedir para os seus empregados darem uma busca... o gato pode estar à solta por aí.

- Farei isso - prometeu Adeline, de modo pouco convincente.

Terminamos a refeição e ela me disse que teria que ir ao centro da cidade, resolver algumas questões, mas que eu ficasse à vontade para fazer o levantamento do mobiliário da casa.

- Já que vai sair, gostaria de começar pelo seu quarto... - sugeri. - Só vai levar alguns minutos e prefiro fazer na sua presença.

Adeline hesitou por um instante, mas depois fez um aceno afirmativo.

- Está bem. Siga-me.

Subimos para a ala norte, onde ela tinha seu quarto no fundo do corredor, com vista para os jardins da propriedade. Lembrei-me que os aposentos de minha falecida tia ficavam no início do corredor, próximos à escadaria. Adeline abriu a porta, e solicitou que eu entrasse. Assim o fiz, bloco de rascunho e lápis em punho.

- Todos os móveis em estilo Chippendale são originais? - Indaguei.

- Originais do século XIX - declarou ela, braços cruzados.

Circulei rapidamente pelo ambiente, fazendo anotações. Tapete persa, cama de casal com dossel, guarda-roupa de mogno, cabideiro de chão...

Foi então que senti algo roçar minhas pernas, exatamente como faria um gato amistoso. Mas, ao olhar para baixo e em torno, nada vi.

- Algum problema? - Indagou Adeline.

- Não... - repliquei, intrigado. - Tive a impressão de que... bom, não foi nada. Terminei por aqui.

Saímos, e ela voltou-se para fechar a porta atrás de si. Enquanto fazia isso, olhei para a outra extremidade do corredor, e em frente à porta do quarto de minha falecida tia, vi o gato branco, calmamente sentado. Encarou-me por um breve instante e depois desceu as escadas, rápido como uma flecha. Quando Adeline guardou a chave na bolsa, o animal já havia desaparecido.

- Você vai querer verificar os demais quartos da ala norte agora? - Indagou ela.

- Não... - decidi-me. - Prefiro esperar que você volte.

- Está bem; como queira - condescendeu ela.

Voltamos ao piso inferior e acompanhei-a até o carro estacionado em frente à casa. Ao retornar para dentro, deparei-me com a cozinheira negra, Regina, enxugando as mãos rechonchudas no avental.

- O senhor a viu? - Indagou ela.

- Vi... o quê? - Retruquei, confuso.

- Caroline - disse ela. E diante da minha perplexidade, complementou:

- A gata.

[Continua]

- [17-07-2019]
Alex Raymundo
Enviado por Alex Raymundo em 17/07/2019
Código do texto: T6698464
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Sobre o autor
Alex Raymundo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 57 anos
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Alex Raymundo