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O último adeus

         "Hoje eu a vi de novo. Ela está tão linda! Seus cabelos tão vermelhos como o líquido que corre em suas veias e tanto me fascina. Ah! Como tenho vontade de tocá-lá, de sentir seus lábios contra os meus, de sentir o calor de seu toque. Hoje sei que tomei a pior decisão da minha vida quando forjei minha própria morte. Na época parecia a coisa mais sensata a se fazer, agora vejo que foi tolice. Eu tinha medo que ela me rejeitasse, tinha medo de machucá-la.
       Depois que me transformei tudo mudou, tudo ficou diferente. No começo eu era movido apenas pelo desejo incontrolável de sangue, quanto mais tinha mais eu queria. Eu era um monstro e fico feliz por ela não ter me visto naquela situação tão deplorável.
         A verdade é que não aguento mais ficar sem ela,  sem tê-la em meus braços. Nunca pensei que sentiria tanta falta de alguém como sinto dela. A minha vida, durante todos esses anos, foi horrível e vazia. Mas agora estou decidido a me aproximar dela novamente e é isso que vou fazer."
         Saiu apressado pela escuridão das ruas. Sabia exatamente onde encontrá-la. Hoje era o dia do aniversário de sua falsa morte e ela com certeza estaria no cemitério, chorando sobre seu túmulo vazio. Se escondeu atrás de uma árvore e a observou a distância. Ela usava um casaco preto longo, as mãos enfiadas nos bolsos e olhar fixo na lápide. Seu coração ficou apertado. Como ele pôde ser capaz de causar tanto sofrimento a quem tanto amou?
         Deu um ligeiro passo para o lado, mas o som de alguém se aproximando o fez recuar novamente. Viu um rapaz se esgueirando pelos túmulos. Ele se agachou próximo onde ela estava e apontou uma flecha em sua direção.
         - Não! - Gritou ele, correndo em disparada.
         A jovem se assustou com o grito e se virou para ver o que estava acontecendo. A flecha foi disparada e ele entrou em sua frente. Grunhiu ao sentir seu peito sendo transpassado. O atirador desapareceu entre os túmulos. A jovem o envolveu nos braços. Seus corpos desabaram sobre o chão.
         - Eu imaginei essa cena de outra maneira. - Sorrindo. - Com você em meus braços.
         - Como você pode estar vivo? - Incrédula. - Vi você ser enterrado.
         - Você viu meu caixão vazio ser enterrado. Forjei minha própria morte.
         - Por que fez isso?
         - Tive medo que me rejeitasse depois que soubesse no que me tornei.
         - Do que está falando?
         - Você está sentindo o frio emanando da minha pele? De certa forma estou morto, sou um vampiro agora.
         - Você não pode estar falando sério. - Abrindo um sorriso nervoso.
         Ele mostrou suas pressas, fazendo-a soltar um grunhido de espanto.
         - Mas como?
         - Não importa agora. Só quero que saiba que foi um erro o que fiz. Me separar de você foi uma decisão estúpida. Me perdoe, por favor. - Seus olhos se encheram de lágrimas.
         - Claro que te perdôo.
         O abraçou e ele a apertou com força, afundando o nariz em seus cabelos e sentindo o cheiro que jamais esqueceu. Esperou longos anos por esse momento e desejou que o tempo parasse e aquele abraço durasse para sempre.
         - Eu te amo. - Sussurrou ele, em seu ouvido.
         Seus braços tombaram ao lado de seu corpo e seus olhos se fecharam. Ela o olhou, perplexa e o abraçou novamente, chorando sobre o cadáver de quem tanto amou.
Alice Moraes
Enviado por Alice Moraes em 28/03/2017
Reeditado em 25/11/2017
Código do texto: T5954813
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Alice Moraes
Cornélio Procópio - Paraná - Brasil, 24 anos
158 textos (6733 leituras)
6 áudios (192 audições)
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Alice Moraes