A ilha

Eram eles dois irmãos inseparáveis, o tempo, momentos ou quaisquer adversidade aos olhos de Clara poderiam romper tal formidável companheirismo e amizade. Clara e Mateus escurcionavam juntamente a um grupo de jovens acompanhados de instrutores pela Serra Catarinense. Após um dia explorando a região acamparam já ao anoitecer, era necessário dormir e descansar para que no dia seguinte ao nascer do sol continuassem a expedição. Cerca de três horas da manhã brevemente acordou Clara e notou ranhuras no antebraço esquerdo de Mateus, entretanto dormia ele um sono profundo e nada havia dito relativo a aquela ranhura em seu braço para Clara, pensativa ficou ela mas voltou a dormir.

Nasce o dia, apronta-se todo o grupo para dar sequência em sua expedição, porém Clara ao chamar por Mateus notou que com dificuldade ele acordara, continuava sonolento e afirmava sentir-se indisposto, ainda assim aprontou-se com Clara e o restante do grupo para percorrerem um caminho de densa mata afim de chegarem a uma gruta denominada sonho paradisíaco. Todos os integrantes do grupo teriam uma experiência única e eram eles conscientes disto. O objetivo da expedição não era somente entretenimento ou diversão, o objetivo dos instrutores era conduzir todo o grupo para uma única e nova experiência da qual cada integrante reagiria de maneira diferente dos demais, esta era uma certeza.

Era fim de tarde, Mateus, Clara e toda a equipe aproximavam-se do destino tão aguardado, cientes que ao chegar a gruta viveriam uma experiência até então desconhecida a todos eles, somente os instrutores que conheciam plantas medicinais (imaginavam) como e qual seria o efeito benéfico e também o efeito rebote de tal pretensão; Já estando todo o grupo em solo plano sugeriu Róger, que era um dos instrutores: Vamos nos sentar, observar o por do sol...em poucas horas de caminhada chegaremos a gruta paradisíaca, pois vocês fazem parte de um seleto e privilegiado grupo, haverá algo maior ao chegarmos a gruta, acredito que vocês encontrarão as respostas que afirmaram a nós não encontra-las.

Mateus e Clara olharam-se entre si, embora Mateus nada dizer através do olhar conseguiu ele tranquilizar e transmitir segurança a irmã.

Após um intervalo de uma hora e meia todo o grupo preparou-se e seguiram caminhada, entretanto algo não imaginado ocorreu, os membros do grupo enquanto caminhavam começaram a a encontrar partes da fuselagem de um avião, destroços, bagagens porém nenhum corpo, aparentemente um avião monomotor de pequeno porte, este fato gerou apreensão na maior parte do grupo, mas estavam eles próximos de seu objetivo.

Foram todos eles conversando pelo caminho sobre tal evidencição, subiram uma ingrine parte da mata e ouviram dos instrutores chegamos!

Adentraram um por um para a gruta, era um local supremo, de beleza magnífica com belas pedras em meio a um lago cristalino. Todos ficaram maravilhados.

Mas havia ainda um porém, não somente a gruta desejava encontrar o grupo, eles buscavam respostas para situações e circunstâncias de suas vidas. Já ciente disto Róger pediu para que todo o grupo se sentasse formando um círculo e explicou que serviria a eles algo que até então nenhum deles havia provado, alguns questionamentos surgiram de alguns dos integrantes mas nenhum deles negou-se a participar. Abriram os instrutores algumas malas que continham garrafas de chá de Ayahuasca, serviu um copo a cada um, após dez minutos todos os instrutores saíram da gruta deixando apenas uma frase escrita em diferentes partes da gruta.

Após vinte minutos Clara, Mateus e todo o grupo passaram a ter alucinações assustadoras vivenciando um universo paralelo, terríveis visões do que não sabiam estar havendo, contrastes entre a beleza e o desespero e sensação de purgatório em meio a confusão mental, alí passaram todos eles uma noite de tormenta.

Ao amanhecer Clara desperta naturalmente muito assustada e acorda ela seu irmão Mateus que perplexo não sabe o que Clara e ele estão fazendo alí, estavam eles dentro da fuselagem do avião que quase não lembravam ter visto na noite passada, com um bilhete escrito no manche "Longo e árduo é o caminho que do inferno conduz a luz".

Em desespero correu Mateus até a gruta onde estavam alguns dos demais participantes da excursão, todos gritando a plenos pulmões perguntando-se: O que aconteceu...como viemos parar aqui?

Nas rochas que formavam toda a gruta havia a mesma frase escrita: "Longo e árduo é o caminho que do inferno conduz a luz".

A substância Ayahuasca afetou a memória atemporal de todo o grupo, Clara não lembrava ao certo quem era Mateus, Mateus nada lembrava sobre como chegaram até a gruta e o porquê voltou a ter consciência dentro da fuselagem de um avião, outros membros do grupo ao raciocínio de Clara, pouco sobre eles ela lembrava-se, porém acreditava ela estarem perdidos em meio a mata.

Reuniram-se Clara, Mateus e mais quatro pessoas que próximo estavam, uma delas aos prantos gritou em desespero: Quem somos nós, que lugar é este? Ecoou na mente de cada um deles: Buscávamos respostas para perguntas que não tinham, agora estamos presos a uma realidade alternativa, aonde estamos nós, existe saída desse lugar? Estamos vivos?

Andrade Rodrigo
Enviado por Andrade Rodrigo em 20/03/2025
Reeditado em 26/03/2025
Código do texto: T8289783
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