O SEGREDO DO AÇUDE PIRIPAU
Lara Kelly tinha apenas oito anos quando o incidente aconteceu. Era um dia quente de verão, e ela acompanhou a mãe até o pequeno açude Piripau,(palavra da língua Tupi Guarani , que é uma espécie de junco que nasce muito em lugares alagadiços) localizado logo na entrada do município de Pacatuba, aos pés da Serra da Aratanha. Enquanto a mãe lavava roupas na beira do açude, Kelly se divertia na água rasa, brincando com as ondas suaves que o vento criava.
De repente, algo mudou. A água, antes calma, parecia ganhar vida própria. Kelly sentiu uma força invisível puxando seus pés, arrastando-a para o fundo. Ela tentou gritar, mas a água invadiu sua boca, silenciando-a. Outra força, mais fria e densa, pressionava seus ombros, impedindo que ela subisse. Era como se duas mãos invisíveis a mantivessem presa no fundo do açude, uma puxando para baixo, outra empurrando.
Seus pulmões queimavam, e a escuridão começou a tomar conta de sua visão. Kelly pensou que aquilo era o fim. Mas, no último instante, um primo que estava por perto percebeu sua ausência e mergulhou para resgatá-la. Com um esforço sobre-humano, ele a puxou para a superfície, salvando-a de um destino terrível.
Anos se passaram, mas Kelly nunca conseguiu esquecer o que aconteceu naquele dia. A sensação de ser puxada para o fundo, as forças invisíveis que pareciam querer mantê-la lá, tudo isso permaneceu vivo em sua memória. Determinada a entender o que havia acontecido, ela começou a pesquisar sobre o açude Piripau.
Foi então que descobriu algo que a deixou gelada. O local onde hoje é o açude havia sido em tempos antigos, um cemitério indígena. Os antigos moradores da região acreditavam que o espírito dos mortos ainda habitava aquelas águas, e que alguns deles podiam se tornar possessivos, especialmente com aqueles que perturbavam seu descanso.
Kelly nunca mais olhou para o açude da mesma forma. Ela sabia que, naquele dia, algo além da lógica humana havia tentado mantê-la no fundo. E, embora tivesse escapado, a sensação de que aquelas forças ainda estavam lá, esperando, nunca a abandonou.