FRAGMENTOS DE PAPEL
Escreverei como nunca antes, rasgarei as palavras como se fossem fragmentos de papel e me deixarei levar pelo maravilhoso impulso da imaginação. Pois se não o fizer, caso não me entregue à utopia das coisas fantásticas, é provável que seja dominado pela desesperança e jogue tudo para o alto da mesma forma que somente os tresloucados sonhadores fazem.
Mergulharei sobremaneira no que mais for pueril, assim descobrirei novos parâmetros existenciais, deixando para trás ou jogados no mar do esquecimento as maremotos, as dores, as amarguras, o medo, as lágrimas. Deixar-me-ei guiar pela ternura das auroras reluzentes e fervilhando de pássaros em deliciosos gorjeios, e talvez até voe com eles usando os olhos e os pensamentos. Eis que vislumbrarei ao lado dessas lindas criaturas novos horizontes e inúmeras perspectivas. Esse é o lado bom do utópico.
Quisera encontrar Passargada de algum jeito, porém estou ciente de que não me é dado esse privilégio, decerto não a descobrirei, provavelmente não sou merecedor de tamanha dádiva. Mas no oceano das letras serei capaz de idealizar minhas próprias planícies, diferentes colinas, sóis inusitados e luares majestosos. Escreverei seja o que for, enveredando ou não pela incoerência, dobrando ou ignorando esquinas, subindo ou descendo escadas, vivendo deslumbrado ou adormecendo em pesadelos. Os empecilhos? Removerei. Sou forte, decidido, pragmático e guerreiro.