O CARA DO QUINTO ANDAR
Todos os vizinhos ao redor daquele apartamento já tinham visto a silhueta ou o meio rosto do morador do quinto andar do condomínio nas proximidades. Achavam-no esquisito, arredio, estranho, um sujeito que gostava de ficar olhando as já elas abertas, os pátios e as áreas de lazer de quem morava ali perto. Quando era flagrado no déjà vu, rapidamente cobria o rosto com a cortina e desaparecia.
No apartamento desse homem, chamado por todos de o doido do quinto andar, tinha janela em três direções, Norte, Sul e Oeste, de modo que lhe permitia bisbilhotar nas três direções diferentes. Isso, naturalmente, incomodava as pessoas, mais ainda aos donos de casa com piscina, alvo de seus olhares ávidos quando mulheres tomavam banho e se divertiam usando biquínis sumários. O cara se escondia atrás da cortina e ficava horas de olho na mulherada seminuas.
De certa feita, aborrecido com a situação absurda, dois residentes da vizinhança foram falar com o síndico do condomínio, precisavam acabar com o problema de uma vez por todas. Se fosse necessário, dariam umas porradas no sujeito inconveniente. O síndico os recebeu e mostrou-se perplexo com a reclamação, empalideceu, sua voz embargou quando ele disse: " o apartamento do quinto andar esta vazio, o dono morreu há cinco anos."