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Gaijin - Parte VII - A Emboscada

Com o suicídio de Shinpi Yami, a reunião de paz entrou em um impasse e tínhamos que encontrar uma solução para resolvê-lo no menor tempo possível.

Caleb propôs um ataque de surpresa no Castelo Yoake Shiro para tomá-lo do Dragão Vermelho e fazê-lo ir a essa reunião quem ele quisesse, quer não.

A ideia do paladino era absurda e perigosa, bem como uma inútil perda de tempo o que logicamente foi rechaçada pelo resto de nós.

Na verdade, ele detestava o Dragão Vermelho mais do que nunca e estava louco pra fazê-lo em pedacinhos.

Ficamos no castelo Shiro Koori e participamos do rito fúnebre de Yami onde nenhum dos irmãos apareceu.

Vareen falou ao novo daimyo sobre a reunião que teria dentro de dois dias com os outros Shinpis e ele, para nossa perplexidade, deu seu ponto de vista de cada um deles.

Com relação ao Dragão Vermelho, ele o encara como um ser insignificante que deseja sua cabeça como troféu e Caleb concordou com um aceno de cabeça.

Yaku, por sua vez, seria um líder nobre e honrado e certamente sentaria conosco para a mesa de negociações também desejando a paz no domínio provavelmente para ter mais tempo com suas mulheres.

Nikolai sorriu com a análise de Minoru a respeito de Yaku, afinal, o magnetismo dele com as mulheres é algo digno de estudos acadêmicos.

Já com Yoko, a relação é de respeito mútuo e que ele fará o papel de protetor dele e das terras ao sul do domínio. Porém, Minoru se preocupava com essa súbita conversão de Yoko a nova fé dos gaijins que pode provocar o êxodo de habitantes de sua província para Yoosai Kurai, enfraquecendo não apenas as suas próprias ilhas como desequilibrando todo o sistema do domínio já bastante frágil.

Fiquei impressionado com a maturidade de Minoru em analisar seus colegas e senti que Shiro Koori estaria em ótimas mãos.

Ele disse ainda ser contra a guerra analisando o fardo que carregará por ser o daimyo mais jovem de todo o domínio e tendo milhões de habitantes sob sua responsabilidade.

Só acenamos nossas cabeças concordando com tudo aquilo e Vareen comentou conosco das escolhas difíceis que Minoru terá que fazer daqui pra frente.

Assim que Minoru saiu, fizemos uma rápida conferência chegando a conclusão de que a luta contra o Dragão Vermelho era inevitável e que com a morte de Shinpi Yami, a situação no domínio  mudou radicalmente.

E por incrível que isso possa parecer, o mais adequado nesse momento era mesmo seguir o plano ousado de Caleb.

Uma coisa era certa, no entanto.
Os três irmãos estarão na reunião.

                                                * * *

Nós fomos bem atendidos pelos servos de Minoru e os aposentos do castelo foram preparados especialmente para nós.

Notei que William estava muito tenso e falava que queria ir embora dali de qualquer jeito.

Conversei com Vareen, Caleb e Nikolai a respeito dos temores de William e o clérigo falou da nossa promessa de ajudar Minoru a se sentir bem na reunião com os três irmãos.

A refeição foi muito boa e confesso que aprendi finalmente a beber o saquê de forma mais moderada.

Sem bebedeiras nem confusões dessa vez.

Fomos aos nossos quartos para tirar uma boa noite de sono depois de um dia tão atribulado.

Eu decidi ficar de guarda no primeiro turno e depois de anotar as peripécias em meu diário, ouvi uma gargalhada histérica e fui averiguar de onde o barulho vinha.

De repente, vi Vareen acordar sobressaltado e correr em minha direção junto a Strahd que estava latindo e uivando nervosamente.

Logo descobrimos quem estava por trás de tudo.

Era uma mulher que estava acima do pavimento rindo e tocando o shamisen.

Os temores de William tinham fundamento.
Era uma emboscada.
E nos pegaram desprevenidos.

                                             * * *

Vareen não perdeu tempo e usou sua magia de detecção descobrindo oito sombras sendo que uma delas era falsa.

Para nossa sorte, Nikolai já estava com seu arco e mandou uma flechada aparentemente inútil, mas o suficiente para afastar a sombra da parede.

O plano de Vareen era bem simples, mas eficiente. Era apenas despejar bolas de fogo em cima da mulher pra fazê-la sair do pavimento e entrar em combate aberto contra nós. Enquanto o clérigo tentava isso, Caleb atacou a sombra sem sucesso.

Resolvi dar cobertura ao clérigo até o topo do pavimento e William nos transportou para cima com todo seu poder.

Enquanto isso, o samurai que protegia Minoru levou um golpe tão forte no peito que as entranhas acabaram expostas.

Caleb usou seu escudo para rechaçar o ataque da sombra enquanto que os outros samurais que lutavam junto dele morriam feito moscas.

Vareen, por sua vez, mandou um raio na sombra a sua frente que explodiu e com isso, abriu o caminho para chegarmos ao topo do castelo.

E o clérigo já entrou rasgando em cima da mulher mandando outro raio na direção dela, que nada sentiu.

Já tinha preparado meu rifle para disparar quando Nikolai e o cão Strahd chegaram para nos ajudar já eliminando algumas sombras vindas da parede com suas flechadas.

Ela lamentou ter que fazer isso com “macacos brancos” tão valentes e disse apenas estar seguindo ordens de seu mestre.

Identificou-se como uma Dama do Inferno que tinha a capacidade de controlar as sombras.

E para nossa consternação, descobrimos quem era o tal mestre.
Era o Dragão Vermelho, ou melhor dizendo, o Grande Dragão Vermelho.

                                                  * * *

Nikolai entrou na briga com sua chaskar e atacou a Dama do Inferno com um forte golpe que não fez nem cócegas nela.

Ele então mandou Strahd atacar enquanto concentrava-se em usar com força total os poderes do olho vermelho.

Caleb já estava no corredor protegendo Minoru dos ataques das sombras abrindo caminho a golpes de espada e vendo os guardas sendo estraçalhados um a um.

William também interveio e a Dama do Inferno distraiu-se por um instante mais do que o suficiente para usar meu rifle e ver o demônio das sombras que a protegia explodindo em pedaços com o tiro que dei.

Enfurecida com o ataque, ela invocou um segundo demônio das sombras para me atacar e se não fosse a Flame Jet de Vareen, talvez não estivesse mais vivo pra contar a história.

William, por sua vez, começou a rezar para Ezra na tentativa de impedir que o demônio das sombras que foi destruído por mim se regenerasse, tendo sucesso dessa vez.

Ela conseguiu escapar e Minoru estava são e salvo graças á coragem de um sacerdote que sobreviveu a emboscada e ao brio de Caleb, que liquidou os demônios da sombra restantes com sua espada.

O clérigo explicou a Minoru toda a situação e contou a Caleb a respeito do Grande Dragão Vermelho e do provável envolvimento de Shinpi Yake nesta emboscada.

Óbvio que o paladino ficou furioso com isso lembrando-se das palavras do próprio Minoru e jurou que cobraria explicações de Yake a respeito dessa emboscada tão indigna de um guerreiro e caso suas explicações não fossem convincentes, ele mesmo o mataria se fosse preciso, agora que era um guerreiro de verdade.

O lorde Dominic sempre dizia tomar cuidado com o que fala ou promete pelo fato da resposta ser contundente e até mesmo inesperada as vezes.
Caleb logo sentiria isso na pele.

E nem desconfiava que essa bravata mudasse nosso destino de forma tão radical.

                                            * * *

Vareen ficou sabendo também pelos sacerdotes de um certo livro dos Yokais que provavelmente está localizado nas ruinas do norte onde se encontra o Grande Dragão Vermelho e também começou a se preocupar com o olhar de Nikolai que continuava vermelho.

E isso significava problemas para nós e temíamos que se repetisse o incidente ocorrido durante a luta contra os espiões da KGT, onde Vareen teve que praticamente fritar Caleb e Nikolai para trazer este último a razão.

Depois de uma noite bem agitada, a manhã seguinte prometia ser ainda mais intensa.

Três barcos estavam chegando a costa e por terra, chegou uma caravana de samurais a cavalo e armados até os dentes.

Era o Dragão Vermelho fazendo sua demonstração de força para seus parentes.

Os Shinpis Yoko e Yaku também chegaram com seus séquitos, o que me deixou bastante impressionado sobre a importância no domínio de cada um deles.

A reunião estava prestes a começar e nossos anseios eram de que se entendessem e, através desse entendimento, acabassem com essa guerra fratricida que apenas serviu para devastar Rokushima Taiyoo.

A sorte estava lançada.

E a minha vingança contra Leclerc e os sonhos e anseios dos meus companheiros estavam nas mãos de três irmãos inimigos e de um garoto inexperiente.

E que Ezra e o Senhor da Manhã nos ajudem nesta difícil empreitada.
MarioGayer
Enviado por MarioGayer em 02/10/2019
Código do texto: T6759580
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Sobre o autor
MarioGayer
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil, 43 anos
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