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Gaijin - Parte VI - O Triste Fim de Shinpi Yami

As coisas começavam a se complicar neste domínio já bastante complicado no momento em que William nos levou a Shiro Koori com a ajuda providencial da barqueira para passar pela neblina.

Essa mesma neblina foi feita usando uma técnica milenar com o objetivo de criar uma passagem para monstros que certamente causariam o caos em toda Rokushima Taiyoo.

O nobre clérigo utilizou toda energia possível para levar-nos a porta principal do castelo, no entanto uma estátua dourada bloqueou a passagem fazendo William tombar exausto.

Vareen então usou seus poderes para empurrar a porta que explodiu com o movimento e conseguimos entrar nos jardins do castelo sem ser notados.

Ouvimos gritos vindos do lado de dentro e assim que entramos, uma cena de horror foi descortinada diante de nossos olhos.

Dois samurais mortos com os pescoços dilacerados e outros dois decapitados e com suas entranhas abertas de fora a fora.

Vimos outro samurai se arrastando com a perna quebrada e mais outro com o braço esquerdo arrancado.

E no desespero de fugir, teve seu pescoço dilacerado e morreu na nossa frente.

Era hora de acabar com essa loucura e só havia um lugar onde a filha de Shinpi Yami estaria.

No templo principal.

                                             * * *

Assim que entramos no templo, Nikolai não perdeu tempo e mandou uma flechada em ciam dela, mas rebateu na placa peitoral não causando dano algum.

Que ria desbragadamente de nossos esforços e, em tom debochado, contou a nós seu verdadeiro objetivo confirmando nossas suspeitas.

Ela queria depor e assassinar não só o próprio pai como também todos seus sucessores masculinos para assumir o poder em Shiro Koori e nos viu como uma grande ameaça aos seus planos, nos botando pra dormir com um poderoso feitiço.

Depois disso, sabotaria o plano de paz em definitivo liquidando seus três tios e governando Rokushima Taiyoo com punhos de ferro.

No fim, tudo o que ela quer é o poder total.

Sem dúvida, faria uma boa dupla com aquele crápula do Leclerc.

Mas diferente dele, a filha de Shinpi Yami não iria entregar seu domínio as mãos de outros como Leclerc pretende fazer em Dementlieu.

Afinal, ela era orgulhosa demais pra ser um mero fantoche de alguém.
                                             
                                           * * *

Ela começou a rezar e logo invocou um demônio que os locais chamam de kijo.

Vareen não pensou duas vezes e usou sua magia de vento desequilibrando o monstro, dando-me tempo suficiente para mirá-la com meu rifle e acertar um tiro bem dado no peito.

Ainda assim, a kijo usou seu poder em nós. Embora não tenha causado dano, a magia fez o tempo fechar como se estivéssemos caindo em outra dimensão.

O clérigo repetiu a dose e fez o demônio desequilibrar-se outra vez, dando-me tempo o bastante para usar minhas pistolas e acertar dois tiros bem dados na placa de comando fazendo-a quebrar-se em pedacinhos.

Nikolai e Caleb, por sua vez, atacaram o monstro combinando a força das suas armas. O paladino cravou sua espada nas costas do monstro e Nikolai acertou-a de frente com sua chaskar.

No entanto, a kijo os atacou usando eletricidade e fazendo-os se chocar na parede sem perceber que o baroviano havia mandado o cão atacar e este garantiu, digamos, seu almoço arrancando parte da carne com sua mordida.

Vareen aproveitou a distração provocada pelo cão Strahd e mandou outro raio no monstro, desequilibrando-a pela terceira vez.

A neblina estava nos puxando cada vez mais perto do monstro e Caleb tentou um ataque desesperado chegando a atingi-lo com um forte golpe de sua espada.

O demônio contra-atacou com um golpe tão devastador que o fez cair de cara no chão.

Sentimos um forte odor de enxofre e percebemos que não estávamos mais em Shiro Koori.

Estávamos agora em uma espécie de catacumba rodeada de espíritos e nos cantos, estava iluminada por fogos-fátuos.

William sentiu-se mal e achei que iria sofrer um colapso devido ao esforço excessivo. Estava a ponto de desmaiar quando a barqueira nos encontrou.

Disse que estávamos a caminho da Cidade dos Mortos e que se quiséssemos voltar a Shiro Koori era necessário encontrar Enma Daioh o mais rápido possível.

Ao longe, encontramos um enorme castelo negro, provavelmente a morada de Enma Daioh. A porta se abriu e encontramos uma entidade demoníaca sentada em uma espécie de trono.

Vareen e Caleb pediram a Enma Daioh que nos ajudasse a voltar ao nosso destino e logo o portão de ferro que levava ao nosso mundo se abriu.

Assim que voltamos, encontramos o corpo da filha de Yami todo retalhado e o tengu nos disse que ela foi vítima de sua própria ambição.

Eu entendi a morte dela como consequência do tiro que dei na placa de comando dos monstros. Quando a placa foi destruída, provavelmente o monstro se virou contra ela e a matou sem piedade.

Não tínhamos mais tempo a perder e era hora de ir ao castelo do daimyo em Shiro Koori levar o corpo da filha de Yami para um enterro digno.

E de contar a verdade ao daimyo.

Cumprindo, com isso, a nossa missão de reunir os quatro irmãos em busca de uma solução pacífica.

No entanto, o preço para isso seria pago de forma trágica.

                                               * * *

O dragão nos levou ao castelo principal em Shiro Koori e finalmente tivemos nosso encontro com Shinpi Yami, embora não da forma que imaginamos.

Vareen relatou tudo o que aconteceu ao daimyo e vimos nele um semblante de tristeza pelo ressentimento de sua filha e da vergonha ao descobrir que estava tramando um golpe palaciano contra ele.

Yami agradeceu pelo nosso esforço de trazer a paz em Rokushima Taiyoo e retirou-se a seus aposentos.

Passamos uma noite agradável em Shiro Koori e enquanto terminava este diário, percebi uma estranha movimentação vinda do aposento do daimyo.

Fui dar uma olhada e vi Yami saindo do aposento usando uma espécie de quimono branco acompanhado de um de seus guardas até a um aposento próximo. Acordei meus companheiros e relatei a eles o que estava acontecendo.

Um guarda nos chamou para ver os últimos momentos de vida de Shinpi Yami. Ele estava bebendo alguns goles de saquê e escrevendo algo em um papel antes de pegar a wakizashi e dar um golpe fortíssimo em seu próprio ventre, abrindo-o de lado a lado.

Para aliviar sua dor e impedir uma morte agonizante, o guarda cumpriu o ritual cortando a cabeça de Yami e jogando-a no chão.

Os locais chamam esse rito de seppuku e eles acreditam que fazendo isso, teriam a honra da família resgatada.

Sem dúvida, um jeito estranho e horrível de morrer.

O seu sobrinho Minoru assumiu o poder em Shiro Koori e logo pediu nossa ajuda dizendo que toda a esperança de obter a paz neste domínio estava em nossas mãos e que faria tudo que estiver ao alcance para nos ajudar nessa empreitada.

De nossa parte, fizemos o possível e (por que não?) o impossível para que essa reunião ocorresse, embora os outros irmãos não tivessem ainda se manifestado.

E de qualquer modo, eles viriam até nós para prestar homenagem ao irmão assim que soubessem do suicídio.

Prefiro acreditar que Shinpi Yami tenha se sacrificado para abrir caminho rumo a paz nesse domínio tão turbulento.

Esperamos que não tenha sido em vão.

Porque nosso destino estava atrelado ao sucesso dessa reunião.
MarioGayer
Enviado por MarioGayer em 29/09/2019
Código do texto: T6757004
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Sobre o autor
MarioGayer
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil, 43 anos
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