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"DESEJO 11"


                                                   DESEJO 11

            Neste instante uma lanterna de luz forte ascendeu ofuscando seus olhos e do lado do caminho ele ouviu a voz inconfundível de Judite, então compadre, gostou de se atracar com a mulher do seu patrão? A outra lanterna se ascendeu também focando sua cara, e Alzira falou: - (gostô sim cumadi, nossa mãi cê percisava de iscuitá o que essi disgramadu falô), enquanto falava sem querer ela direcionou a lanterna para o lado de Judite e Marcelo pode ver a arma apontada para ele e segura firmemente por sua comadre, percebeu o golpe que elas armaram para ele e ficou possesso. Falou quase que num ronco – (Cumé cocê tevi coragi di fazê issu cumigu muié)? Dirigindo-se a Alzira e abrindo a boca para xingar a esposa, neste instante o estrondo da papo amarelo fez até os ouvidos doerem, ele sentiu a bala passar zoando perto da sua cabeça e pensou em correr, mas a voz de Judite o paralisou. Se tentar sair daqui agora eu disparo para matar seu merda. Eu, sua comadre mulher do seu patrão, que sempre lhe respeitei não merecia esta afronta de ninguém menos ainda de alguém que sempre teve a confiança do Antonio e sua esposa que vive trabalhando para lhe ajudar seu Marcelo, acha que ela merecia isto do senhor? Eu devia meter uma bala no meio da sua barriga procê estrebuchar e morrer devagarzinho, ela o ouviu dizer: (Num faiz essa disgracera nãu cumadi, ieu pido perdãu pa sinhora e pa minha Alzira, ieu tava cum diabu nu coipu). Ouviu Judite manejar com destreza a alavanca que engatilhava a arma e se borrou todo e desta vez para valer mesmo, deu para sentir a catinga e ouviu da mulher: - (seu cagãu, ieu é qui divia di pegá essa ispingarda e da um tiru ni ocê safadu, sô cê num fossi o pai dus meus fios ieu ia fazê é issu mermu). Judite voltou a falar  - preste atenção sujeito, de agora em diante você vai me chamar de patroa, só poderá me chamar de comadre perto do Antonio, e se mijar fora da palha uma vez só, eu conto para ele tudo o que aconteceu e se você pensar em encostar a mão em Alzira ou maltratar minha comadre de qualquer maneira, eu mesma mando matar o senhor. O senhor esta proibido de pisar no terreiro da fazenda se Antonio não estiver presente e vai pra sua casa, pense bem no que perdeu e na besteira que fez. Comadre Alzira vai ficar uns dias lá em casa com as crianças até quando o senhor decidir a pedir o perdão dela isto se ela quiser perdoar, pois se não quiser ela fica morando la em casa e eu vou contar para o meu marido, garanto que ele mesmo lhe mata.

                    Marcelo que já tinha passado por este aperto nas Minas Gerais, chorou e jurou que nunca mais ia fazer qualquer besteira de novo, Judite o mandou sumir dali e ele humilhado ia se afastando quando outro vulto se aproximou perguntando pru qui atiraru, era Maria e estava com uma foice na mão, pelo tom de voz, acertaria em quem tivesse machucado sua patroa. Marcelo achou bom sair correndo, sabia que a Maria adorava a patroa e se soubesse o que ele fizera, era capaz de passar a foice nele. Fugindo ainda a ouviu dizer: - (pera aí, ta correnu pruque Marcelãu, si prontô arguam ca minina Juditi ieu pegu ocê despois). Voltaram para fazenda caladas e Judite caminhava com o braço sobre o ombro de Alzira que soluçava inconformada com o acontecido. Judite ia atenta, mas nem precisava... Marcelo voou até a sua casa e chorou que nem um bezerro desmamado, Se lavou com água tirada da cacimba e jogada sobre a cabeça, tirando as calças cagadas e lavando tudo com sabão de soda. Depois entrou e pegando uma garrafa de cachaça guardada na dispensa, ele a bebeu toda e só assim dormiu, mesmo assim sonhando que aonde ele ia às pessoas riam e debochavam dele. Judite quando entraram, foi logo no armário de bebidas e serviu três doses generosas de conhaque francês em copos de cristal e deu um para cada uma, depois de tomar tudo de uma talagada só esperou Alzira tomar o seu e tossir, mesmo assim engolindo e sentindo o efeito imediato da bebida forte queimando seu estomago. Maria bebeu tranquila o seu, antes dela terminar Judite explodiu numa gargalhada alta e longa acabando por contagiar as outras duas mulheres que riram também e depois de mais uma dose de conhaque, começaram, a relembrar às peripécias da noite e dormiram pouco depois de tomarem banho no chuveiro quente, que funcionava com serpentina ligada diretamente ao fogão à lenha que nunca ficava apagado. Nos dias que se seguiram, Alzira ficou na casa grande e a desculpa é que sua patroa estava precisando de companhia por estar com saudades do marido. Como já tinha feito isto outras vezes, ninguém estranhou, só que desta vez estava demorando bastante para Alzira voltar com as crianças para sua casa.

E foi nesta tarde que Marcelo resolveu apesar da proibição, ir até a casa grande e pedir para falar com Alzira e sua comadre Judite. E a principio não queria falar com ele, mas já que estaria junto com a sua comadre resolveu atender. Assim que se aproximaram do banco de pedra no terreiro, Marcelo as cumprimentou e a seguir falou do seu arrependimento, e que reconheceu ter sido merecido o castigo infligido a ele e queria que sua esposa lhe desse uma nova chance, onde ele faria tudo para provar que agora tinha aprendido que ela era a verdadeira mulher da vida dele. Claro que ele falou com todo o seu sotaque mineiro caipira, mas não vou reproduzir. Judite foi a primeira a falar, dizendo: – Pois bem, da minha parte, eu continuo com meu propósito de não querer nenhuma liberdade e nem ouvir muita conversa sua, acho que se a comadre quer lhe dar outra oportunidade, tudo bem, são casados e vale tudo para tentar salvar o casamento. Mas que fique claro, sua esposa tem o direito de visitar a mãe e o pai, em todo este tempo aqui, ela não os viu e eles nem conhece os netos, por isto assim que Antonio chegar, eu vou pedir permissão a ele e nós vamos viajar para Minas Gerais e levar meus afilhados para os parentes dela e os seus também conhecê-los e espero que não coloque empecilhos. Ele pensou um pouco e disse: - (a sinhora podi ficá sussegada qui ieu num vô trapaiá). Ele esperou sua esposa pegar os garotos e sua malinha de couro cru, feita de pele de bode que no nordeste era útil e se fosse aos tempos modernos, se venderia por preço altíssimo, e para Alzira era de estimação, pois, fora presente de Judite.

              Quando Antonio chegou depois de mais de três meses ausente, Judite fez questão de promover uma festa, e depois disto curtiu a estrovenga do maridão até ficar satisfeita, uma tarde que ela o acompanhou ao açude para pescar, falou do seu intento de levar a comadre e os garotos numa viagem às Minas Gerais. Ele ficou por algum tempo calado e falou: – Puxa agora que eu ia ficar algum tempo sem viajar, mas depois de ouvir dela que a viagem seria de no máximo um mês e meio, ele avaliou as possibilidades, ficar no bem bom com as belas pernambucanas que nesta época, sofriam com a recessão americana, que estava afetando o mundo inteiro incluindo o Brasil, A mulherada ajudava como podia nas despesas da família, mesmo esta ajuda, “embora acobertadas”, vindo das escapadas com os ricaços que adoravam uma menininha que acabara de sair da puberdade. Perguntou quando elas queriam ir e Judite disse que assim que adquirissem as passagens. Ele disse: - cuidarei disto amanhã. Aproveitou no outro dia para ir cedo à cidade e de quebra sondou as chances de papar alguma mulher que estivessem dando mole, além de comprar cinco passagens no primeiro transatlântico de luxo que sairia de recife quinze dias depois e em vinte dias com paradas turísticas em outros portos e aportaria no Rio de Janeiro, dali elas seguiriam de carro que faziam as rotas Rio Belo Horizonte ainda pela antiga estrada real. Judite estava ansiosa pela partida, passava boa parte do dia junto com a comadre, escolhendo vestidos e tudo o que lavariam na viagem da qual Maria também iria participar.

             No dia da partida, Antonio e Marcelo as acompanharam ao porto e as viram subir no navio acenando até que o navio se afastou além do que a vista pudesse alcançar e distinguir os passageiros que já curtiam o por do sol visto do convés. Os dois voltaram para casa e Antonio falou: - compadre, nesta folga, nós vamos aproveitar a noite para cair na farra. O compadre meio ressabiado, não sabia como responder, acabou mandando as favas a tal de prudência e concordou. Claro que ele não podia acompanhar seu compadre rico, mas discretamente poderia pegar uns biscates na cidade, teria que ser muito escondido, mas... “Homem é homem”.

O luxuoso navio Almanzora estava fazendo sua viagem inaugural na rota America do Sul e capaz de transportar acima de mil e duzentos, passageiros era tudo o que sonharia qualquer mulher afim de alguma aventura, o requinte dos camarotes e o serviço de bordo encantava as mulheres. Antonio não economizara, comprou o direito a três cabines. Maria era a única que recebia salário e estava na viagem para cuidar dos gêmeos, mas também iria rever os parentes num gesto de graça de Judite para com ela. Alzira era uma loura de traços finos, tinha um e setenta e quatro centímetros de altura. Era magra e bem feita de corpo, pena que sabia ler mal e escrever pior ainda, mesmo tendo sua comadre, feito de um tudo para lhe ensinar mais. Seu sorriso era cativante e graças à Judite estava bem vestida e muito atraente. Judite era maravilhosa, sua cor era estonteante herança do sangue europeu de Yasaní misturado com o do mestiço João. Um centímetro mais baixa do que Alzira dava-lhe a dimensão exata para ostentar sua bundinha empinada em cima das suas coxas perfeitas e sem celulite, coisa que Alzira também não tinha talvez pelo tanto que caminhavam durante o dia nos afazeres da fazenda. “Engraçado como os machos nunca estão satisfeitos, Antonio e Marcelo tinham as receitas perfeitas para serem felizes e viverem sem problemas por todas as suas vidas, mulheres lindas e que os amavam, no entanto a mulher do vizinho é sempre melhor, como ficara provado com o Marcelo comendo sua mulher, pensando que era a vizinha e tecendo mil elogios para a mesma comida que tinha comido no dia anterior”. Já acomodadas e depois de cada uma colocar suas malas e teréns nos camarotes, se reuniram com Maria e deste camarote ouviram as boas vindas do comandante falando um português enviesado, mas que dava para se entender perfeitamente: Senoras e senores passageiros. Sejam muitos bem-vindos ao “transatlântico Almanzora,” estamos agora na posição costeira na qual navegaremos sempre e com segurança salvo quando atracarmos em portos que estejam em nosso roteiro de viagem. Para seu conforto à companhia de navegação (R M S P) Royal MAIL Steam PACKET Tem sua tripulação formada em escolas de etiqueta e atendimento social e estão preparados para seu atendimento durante o tempo que permanecer a bordo. Boa viagem a todos.

                  As mulheres tinham tomado pílulas contra enjôo e depois de explicarem a Maria de como agir em qualquer situação, se despediram, pois, era noite e o balanço suave do navio fizera as crianças dormirem e Maria também estava bocejando. Despediram-se e foram para seus camarotes onde tomaram um banho Frances, “no Brasil chamado de banho de chaco – chaco” colocaram vestidos de noite, tudo supervisionado por Judite que fora mais rápida e já pronta entrou no camarote de Alzira que estava um pouco atrapalhada, ela ainda quis protestar dizendo: (Oia cumadi, cê acha qui issu ta certu? Pruque us homi faiz esses trem, mais ês é homi). Calma comadre, por enquanto nós só vamos dar uma volta e conhecer este luxo todo, depois a gente resolve se vale à pena cair na farra, soltou uma risada de deboche meio alta que sou como se ela fosse uma messalina consumada. Alzira acabou rindo também e disse: (uai sô cê vai ieu tumem vô, ieu num isquici du ca queli pesti mim feiz). Saíram tão bem alinhadas que nem parecia gente do campo, Judite já tinha algum traquejo em viagens de navio. No inicio, quando se casou Antonio insistia para que ela o acompanhasse nas viagens de negócios e ela foi duas vezes para a Europa, mas depois não quis mais, gostava da fazenda e sempre que viajava ficava com saudades da calma e rotina da sua casa Numa destas viagens até se arriscou a voar num avião fretado por Antonio para levá-los do Rio para São Paulo. Brincando disse à Alzira, - comadre se você arranjar um namorado e aí soltou a risada messalinica de novo, repetiu o que disse e emendou, fale só o que precisar  mesmo, se não o cara não vai entender este seu mineirês. Alzira para o deleite de Judite respondeu: - (namoradu... Uai eu queru é homi). Olhe só que vadia esta minha comadre gente e riu às bandeiras despregadas.

                Alguns cavalheiros certamente viajando sem as esposas e que estavam fumando no parapeito do tombadilho, riram e comentou-se a alegria das mulheres, Judite encarnando perfeitamente seu papel de mulher coquete, cumprimentou os homens, numa reverência graciosa que a fez inclinar a parte da cintura para baixo e assim fazendo a bunda arrebitar mais, recebeu um coro de palmas e assobios deixando Alzira mais vermelha do que um pimentão, mas sem perder a pose continuou a seguir a comadre que tinha destrambelhado de vez. No alto de uma grande abertura com portas serradas ao estilo dos saloons do velho oeste tinha uma tabuleta escrita “Cassino” Judite empurrando as aletas entrou seguida da amiga que só faltava agarrá-la de tanto pavor que estava sentindo. Alzira começou a tossir e Judite aconselhou, respire devagar, isto está cheio de fumaça de charutos, riu e caminhou como se fizesse parte daquele ambiente. Um garçom alto e louro falando em espanhol veio solícito e perguntou se elas queriam uma mesa, Judite respondeu que sim e ele as fez acompanhá-lo até uma mesa bem localizada longe da orquestra, mas perto da pista central de dança. Afastou as cadeiras estofadas gentilmente e depois de sentadas perguntou se elas queriam alguma bebida. Judite pegou o cardápio e folheou a carta de vinhos pedindo um champanha francês num balde com gelo e uma garrafa de soda limonada. Enquanto o pedido não era atendido, elas ficaram olhando alguns pares que dançavam e Judite perguntou se Alzira sabia dançar, ela disse que sabia um pouco, mas só musica de sanfona, sua comadre riu e disse-lhe se alguém a convidar, aceite sem medo se tiver tocando música lenta se for agitada evite.

            Quando chegaram as bebidas, o garçom trouxe um bilhete escrito em português, ela pegou e leu o escrito: Perdoe a ousadia, mas me permiti pagar suas bebidas e gostaríamos muito que compartilhassem conosco nossa mesa. Judite levantou a cabeça e um homem de aproximadamente quarenta anos acenou pra ela, mesmo entre a fumaça e a luz fraca deu para ela reconhecê-lo e ao amigo sentado junto, os dois que fumavam no convés. Ela comentou com Alzira, as coisas estão indo bem, estes dois devem ter se apressado muito para estarem ali, pois, faz pouco estavam lá fora, riu e neste momento os dois amigos se levantaram e vieram até a mesa delas e se apresentaram, o mais velho e que tinha acenado se apresentou como Leandro Verlly e apresentou o amigo, “este moreno e bronzeado e se chamava Marcos Pádua”. O primeiro muito polido e de boa altura tinha aspecto de homem bem sucedido e demonstrava muita segurança ao falar, o segundo era difícil analisar. Judite disse que aceitavam sim, irem para a mesa deles, pois, viajavam sozinhas e seria bom ter companhia e fazer amigos no navio, mas antes ela e a amiga iriam ao toalete, ia pedir ao garçom para se encarregar das bebidas, mas o homem tomou-lhe a frente dizendo pode ir tranquila que eu e meu amigo cuidamos de tudo. Judite tinha visto Alzira pálida e resolveu conversar com ela antes que desmaiasse de medo.

            No toalete ela conversou e acalmou a comadre e disse-lhe para agir com naturalidade e deixar as coisas rolarem e que os homens não tentariam nada que elas não quisessem. Mesmo porque a tripulação dos navios ficava sempre atenta aos acontecimentos. Recomendou a ela dizer, “se perguntassem”... Que moravam no Rio e estavam de férias no nordeste e voltando para casa. Quando Alzira finalmente recobrou a cor, elas voltaram e já encontraram Leandro esperando-as, sorriu e as acompanhou até a mesa, Marcos se levantou educadamente afastou a cadeira para Alzira sentar-se e só então falou em português, mas meio enrolado, Alzira olhou espantado e Leandro explicou que Marcos era italiano e estava há pouco tempo no Brasil, Alzira até gostou pensando... (“Assim ele não repara ni cumu ieu cunversu”). Leandro também afastou a cadeira e só depois de Judite acomodada, sentou-se e começou logo a conversar e em poucos minutos todos estavam mais à vontade, principalmente porque já tinham cada tomado um pouco de álcool e o Marcos foi quem serviu a champanha para elas brindando com o brandi que ele e Leandro tomavam.


                    Marcos, quando a orquestra atacou uma tarantela convidou Alzira para dançar, mas ela agradeceu e disse que esperaria uma musica mais lenta. Falou mordendo a língua e pronunciando as palavras devagar. Judite achou até que ela se saiu bem no jeito que se desculpou com Marcos. “Os italianos gostam e acham que todos adoram a tarantela”, até que é divertido, mas para quem nunca experimentou, da um pouco de medo realmente. Tocaram mais uma musica agitada e a orquestra atacou uma sessão de boleros, se bem dançado era maravilhoso, para os iniciantes era mais complicado, porém, não haveria problema desde que levassem tudo na brincadeira. Quando ouviu a musica mais lenta, Alzira falou para Marcos: - (agora ieu vô), Marcos que gostava de dançar se levantou presto e a ajudou a afastar a pesada cadeira estofada, recolocando-a novamente no lugar, assim teria nova chance de bancar o cavalheiro quando voltassem. Leandro também convidou Judite que disse em tom de brincadeira, pensei que ia ficar esquentando a cadeira, ele levantou-se e depois das regras de educação de praxe foram para a pista. Judite deu um show, entre outros cursos que tinha, o de dança de salão fazia parte do seu currículo, não oficialmente... “Quando solteira elas e as amigas se reuniam para aprenderem a dançar e estarem sempre prontas a freqüentar os bailes de sábado na capital onde morava antes que o garboso Antonio Jesuino aparecesse e a deixasse de quatro pelo bonitão mais cobiçado daquelas bandas”. Leandro estava encantado com seu par, Marcos nem sabia o que pensar, gostava da forma de falar de Alzira e sentia por baixo do vestido de fina estampa, um corpo quente e vibrante que estava mexendo com seus brios. De repente parece que adivinhando o clima, o operador de som diminuiu as luzes principais deixando o salão envolto em escuridão na parte da pista que dos pares viam apenas vultos em movimentos graciosos e a orquestra tocou uma musica lenta. Marcos puxou Alzira suavemente para junto de si e colou seu rosto no rosto ela. Ela não o rechaçou, pelo contrário deixou-se levar mansamente e sentiu em baixo o falo enorme do sujeito encaixando-se entre suas pernas.
Lembrou-se das poucas vezes que dançara com Marcelo e sentiu tanta raiva do marido que deu um aperto maior no italiano que ficou doidão e afastando a cabeça beijou a boca de Alzira que cheia de tesão correspondeu ao beijo sentindo a perereca batendo palminha tentando abocanhar o que estava esfregando nela. Teve um orgasmo e só não desmaiou nos braços do homem, porque a musica acabou e enquanto a orquestra fazia o prefixo da outra musica que viria... As luzes voltaram ao normal e até Marco ficou sem graça, afastou-se o suficiente para que a roupa dele e dela parecesse normal e assim que as luzes apagaram novamente ela pediu pra voltarem à mesa, pois, queria uma bebida. Ele ficou um pouco decepcionado, até então não tinha encontrado alguém tão linda e doce como Alzira desde que chegara, pensava seriamente já estar apaixonado. Judite olhou casualmente para o lado da mesa e viu o casal se aproximando de lá. Seu parceiro tinha tido o máximo de educação com ela, mesmo sentindo que fora ousada provocando-o e dando umas reboladinhas discretas quando a musica exigia, ele não perdeu a linha. Sentia a estrovenga do homem roçando seu colo, mas ele não forçava a barra. Achou que estava lidando realmente com um cavalheiro que era respeitador e ser respeitador naquele caso, era mais ingenuidade, ela não ia falar com ele, pois, pegaria mal, mas bem que ele poderia ter sido um pouquinho mais atirado, o que ela iria contar para as netas no futuro? Riu das besteiras que pensara e ele perguntou por que ela o fazia? Ela disse que viu sua amiga voltar à mesa e se ele não se importava de irem também se sentar? Ele parou de dançar e a acompanhou no mesmo instante de volta a mesa. A musica terminou e as luzes voltaram a se ascender e ela pode ver o rosto claro de Alzira mais vermelho do que um pimentão. Assim que ele chegou Alzira se levantou e Marcos nem teve tempo de praticar as gentilezas de praxe. Alzira disse à amiga, vamos ao toalete, falou a palavra correta, antes, viu sua comadre num gesto natural colocar a mão no peito do Leandro e denotando certa intimidade alisar sua gravata dizendo-lhe: vou acompanhar minha amiga, não fuja daí viu? Ele riu com gosto, Leandro estava pensando que poderia se casar com a quela mulher... Era perfeita em tudo.
Trovador das Alterosas
Enviado por Trovador das Alterosas em 12/02/2019
Código do texto: T6572857
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