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"DESEJO 08"

                                                    DESEJO O8


             Judite no íntimo sabia que ele ia partir para o ataque e resolveu enfrentar a situação, já perguntando: - Por que parou? Ele respondeu – (Mor de que, ieu queru cunversá com vois mecê cumadi, ieu vô falá tudu di uma veiz o qui ta cuntecenu cumigu, adespois qui ieu treminá a sinhora mim arrespondi. Oia pra sinhora vê, ieu duns tempu pra cá dei di garra só im pensá na sinhora, é di noiti é di dia, in quarqué tempu ieu tô pensanu na sinhora e ieu já vivu só cu meu pirigosu assim ó, e agarrou a mão de pilão mostrando descaradamente para ela. Oia cumadi Judite, carqué coisa ca sinhora quisé ieu faço, ieu mato quem a sinhora mandá, ieu carregu inté água na pinera, ieu laigu minha muié só pa sinhora dexá ieu dá uma infincada im voismecê, mordi qui ieu num guentu mais di tanta vontadi di si atracá ca cumadi, ieu num si isqueçu dessas anca grossa ca cumadi tem e dessa boca vremeia qui pareci murangu condi ta maduru, mordi qui sá cumadi num líviá ieu, sô capaiz inté di fazê uma bestera disgramada, ieu isperu ca sinhora mim ajudi ieu nem qui seji uma vezinha só, ieu prometu pa sinhora qui sá sinhora dexá ieu fazê nem qui seji só uma veizica, ieu nunca mais incomodu a cumadi. Pensou, si ela ixprimentá uma veiz vai querê é todo dia, aí ele desaforadamente passou o braço sobre o ombro de Judite, num gesto rápido tentando beijá-la, ela com um safanão e um brado de alerta, deixe disto sujeito, o fez se afastar!

             Ele voltou à posição normal e pediu desculpas emendando: (a sinhora tá venu qui ieu to disisperadu, pelu amô di Deusu cumadi, mim dá pa ieu agora, nóis vai ali nu matim e adespois ieu prometu num pidí mais), enquanto falava ele tentava ajeitar a mijona dentro das calças. A comadre falou ríspida: - olhe, o senhor trate de se acalmar, pois, senão quem vai fazer uma besteira sou eu, enfiou a mão na bolsa, se afastou para a ponta do banco e com a mão firme no cabo do derringer que sempre carregava ali e fora presente de Antonio Jesuíno falou: muito bem, o senhor me pediu depois que você terminasse uma resposta. Pois olhe, eu vou pensar em tudo o que o senhor falou, tem muita coisa em jogo aqui e eu nunca lhe dei este tipo de liberdade, o senhor se esquece da sua mulher, dos seus filhos do meu marido, mas como colocou isto de forma peremptória eu vou pensar no assunto e depois lhe dou uma resposta, ela sabia que isto não era suficiente, se ela ficasse calada e não resolvesse aquilo, ele logo voltaria a mexer com ela, mesmo que ficasse algum tempo com medo da arma, se não agisse ele ia pensar que ela estava era fazendo c... doce, mas acabaria cedendo às suas insistências.

               Não que ela na hora que viu a tal de perigosa, tivesse vontade de se atirar e agarrar a coisa, estava carente e aquela era mesmo uma tentação, mas tinhas seus princípios, e não seria amante de uma pessoa que considerava como parente. Marcelo sabia que ela seria capaz de atirar nele e ficou se borrando, ele não tinha medo de morrer, o problema maior era ter que reagir com violência para se defender e aí sim, seria uma besteira sem conserto. “A arma era diminuta e esta moderna, os primeiros exemplares eram para apenas um disparo, esta calçava quatro balas e em qualquer lugar que penetrasse no peito ou na cabeça, a pessoa morreria de hemorragia interna se não recebesse socorro imediato”. O aperto fez a perigosa se encolher e ficar quieta e ele sem graça, conseguiu balbuciar: - (Esta certa, a sinhora pode pensá sim uai, mais ieu vô ficá isperanu a resposta da cumadi). Tocou o cavalo e foram sem conversar até a fazenda onde ela não o esperou ajudá-la a descer, correndo risco  de cair ela saltou se segurando na alça de proteção e apeou do transporte se dirigindo para a casa onde Maria na porta a aguardava, após dar alguns passos, sem o olhar disse: Compadre depois do almoço reúna o pessoal aqui para receberem, ele respondeU que sim e se foi em direção à sua casa, nos lábios tinha um sorriso de cafajeste e na cabeça um pensamento, (ela arricusô agora, mais num guenta mais ficá sem ieu, é só ieu tê paciênça). Após o almoço como se nada tivesse acontecido, durante o pagamento dos empregados fez pilhérias com todos e Judite apesar de mais séria, também não deixou transparecer que tivesse algo errado.

            À tarde Judite saiu passeando como se apenas caminhasse pela fazenda e foi depois de dar algumas voltas, sair no terreiro da casa do compadre, era duas horas da tarde e nesta hora ela estaria percorrendo os pastos e ficaria depois na casa do queijo. Assessorando a feitura da massa e depois de distribuída nas formas ele verificava os queijos que estavam em processo de cura. Antes de vir para casa vigiava a colocação do gado nos currais e separação dos bezerros só chegando a casa já anoitecendo. Alzira sua comadre ficou feliz com a visita e isto fez Judite ficar um pouco constrangida, pois, o que iria conversar com ela, certamente acabaria com aquele risinho inocente, mas dos males o menor, tinha algo para fazer e quando tomava uma decisão era difícil demovê-la do intento. Depois das perguntas triviais e comuns entre as duas, sempre com o interesse dela em saber das crianças, disse: - comadre Alzira, eu vim aqui para termos uma conversa que acredito, vai lhe causar desgosto, mas não posso deixar de falar o que anda acontecendo, quero que a senhora respire fundo e considere que o que eu vou contar é para o bem de todos nós e que eu estou do seu lado e vou sempre estar! Tudo bem? Alzira ficou desassossegada, mas respondeu - tudo bem comadre pode falar. Judite fez que nem Marcelo, falou de um fôlego só tudo o que estava ocorrendo, quando terminou viu que sua comadre chorava lágrimas de raiva enquanto entre dentes murmurava: - (canáia, num arespeita nem a cumadi, incontu nóis morô im Minas eli andô prontanu cum muitas muiés inté qui um dia u maridu di uma delas atucaiô eli e deu dois tiru di ispingarda qui certô in chei e eli quais morreu. Despois qui ele sarô cunvenceu ieu a mudá pru Pirnambucu mordi tava cum medu di morrê, cumu ieu tava di barriga dus gemios acompanhei eli e naquelis tempus ali parecia tê tomadu juísu e agora justu cum ocê cumadi qui é tão boa pra nois, eli foi fartá cum arrespeitu)? Judite lhe explicou muitas coisas, e falou também das safadezas do seu próprio marido e depois de algum tempo conseguiu convencer a comadre a ficar calma e ajudá-la num plano para desmoralizar de vez o marido metido a garanhão.

                 Depois de se inteirar do plano acabou as duas rindo e fazendo mais planos e desta vez para o futuro, planos de vingança de duas mulheres bonitas e de coragem. Passou-se uma semana sem que Judite desse a entender que estava com raiva de Marcelo e ele foi readquirindo a confiança de conversar com ela de novo e já ficando saliente. Em casa sua mulher o tratava a pão de-ló e sua comadre parecia à mesma de antes de ele ter pedido para ela. Um dia de manhã ela aguava o jardim plantado na frente da casa e ele chegou e se dirigiu a ela perguntando se estava tudo bem? Após a resposta dela, ele se animou e perguntou – (E aí cumadi Judite, cê pensô nu qui ieu pidí pra voismecê)? Ela demorou um pouco, mas respondeu: - pensei sim.

         Compadre, resolvi atender o seu pedido, pois, se não o fizer, você não me deixará em paz. Agora preste atenção, vou fazer o que quer, mas ninguém nunca poderá saber do que vai acontecer entre nós, e você terá que fazer exatamente como eu disser. Ele chegou a esfregar as mãos de contente respondendo: - (faço o cocê quisé cumadi ocê podi impô as cundiçãu). - Muito bem, domingo é dias de folga do pessoal e quase todos vão para a cidade no sábado à tarde, onde ficam na farra, no sábado você também tem que ir a cidade para as compras rotineiras, só que desta vez, deixe para sair de lá bem de tardinha e quando chegar já vai estar escuro, você esconde a charrete no meio do colonião e vai se encontrar comigo no moinho de fubá, eu vou esperar lá, mas não leve nenhuma luz, não quero correr o risco de alguém descobrir esta sujeira. (E Marcelo jurava com os dedos cruzados; - podi ficá sussegada cumadi, ocê num vai si rependê, ieu prometu qui despois vô sê seu maió amigu e tá sempri juntu di ocê pru qui pricisá). - Esta bem, escutou direito o que eu falei? Não vá errar senão eu desisto e você não vai ter é nada, e agora vá, pois, já ficou muito tempo de trololó aqui. Ele se despediu e foi fazendo as contas, era quinta feira ainda, ele ia ficar doido de ansiedade até a hora.
Trovador das Alterosas
Enviado por Trovador das Alterosas em 03/02/2019
Reeditado em 10/02/2019
Código do texto: T6566333
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