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“DESEJO 01”

                                   

                                                    "MIRO"

                                                " DESEJO 02"

      A vizinha é sempre melhor! Mesmo alguns afirmando que as mulheres são todas iguais, o que faz a diferença é: neste caso a claridade ou à escuridão! Comadre Judite; “Italiana”, mas descendente de Judeus, com este nome só podia ser! Mulher sábia e com um pouco mais de instrução que os demais colonos da fazenda onde trabalhavam de meeiros. Ela não era igual às outras conterrâneas que vieram ao Brasil fazer America e que a pulso e a ferro seus parentes as faziam se casar só entre os homens da comunidade italiana. Sua tataravó Yasaní Que ganhara nome japonês por causa da grande amizade com emigrantes daquele país para a Itália, resolveu homenagear os amigos colocando o nome na filha recém-nascida.


     Quando chegaram ao País em mil oitocentos e doze quatro anos depois da vinda da família real que fugia das hordas de Napoleão Bonaparte. Quando a corte se instalou aqui trouxe a promessa de progresso e muitos idealistas já falavam em liberdade aos negros, esta noticia, mais a promessa de que a coroa iria distribuir terras aos europeus que viessem morar e ajudar a desbravar a colônia começaram a trazer todo tipo de estrangeiros de muitas partes do mundo, alguns em busca de fortuna, outros fugindo por serem fora da lei em seus países de origem e aventureiros em geral. Yasaní e seu marido Santoro Pertite e os dois dos três filhos que tiveram com diferença de quatro anos um do outro sendo que o mais velho tinha seis anos, pois o segundo ela perdera na labuta para ajudar o marido a ganhar a vida na Itália.


      Trouxeram muita esperança e uma minguada quantia em dinheiro que acabou logo os obrigando a ficar nas mãos do fazendeiro que plantava café. O descuido fez as esperanças irem de vez para o brejo. Santoro e todos os outros trabalhadores brancos e negros lidavam nos eitos de café, descalços. Seis meses depois da chegada Santoro estava já à noite terminando de carpir um beco de café quando sentiu a picada violenta no calcanhar. Tinha sido picado por uma das cobras mais venenosas e chamada de “urutu cruzeiro por ter o sinal de uma cruz acima das fossas nasais”.


      A lavoura de café ficava distante dos casebres onde eles moravam. Perdeu tempo matando a cobra e como estava sem alimentar desde o almoço constituído apenas de polenta, único alimento que podia comprar do fazendeiro sem ficar devendo mais do que a colheita, vendida para o próprio dono ao preço que ele fixava. Seria sua primeira colheita se tivesse sobrevivido, mas o ataque da cobra de mais de três metros mataria até um cavalo em menos de meia hora.

      As famílias cansadas já estavam se recolhendo para a cama depois de uma ceia frugal e feita também com fubá de milho e era um mingau grosso misturado com chuchus folha de taioba e inhame rosa cosido. Yasaní deixou os filhos dormindo e foi pedir ajuda nos casebres que ainda estavam com lamparinas acesas, Nisto eles eram bastante unidos e rapidamente todas as famílias estavam acordadas e improvisando facho de bambu com estopa embebida em azeite de mamona feito nas próprias casas. Menos de quinhentos metros, encontraram o corpo já sem vida, a cobra estava ao lado do corpo, morta! Santoro estava agarrado a um arbusto mostrando toda a dor que passara antes de morrer.


        Foram dias de tristeza para Yasaní, tentou trabalhar na lavoura com os homens deixando os filhos com as mulheres, mas o Barão Jacinto, perverso e sem escrúpulos, tentou obter seus favores sexuais, foi rechaçado por ela. O home ferido nos seus brios começou implicando com a desventurada mulher e reclamava que não produzia o mesmo que os homens. Tolerou alguns dias, mas menos de dois meses, chamou um capanga e mandou que ele a pegasse num eito, quando ela estivesse sozinha e a carregasse para a mata dando fim à mulher.


        Como ela andava muito sofrida, e sorumbática, eles inventariam um boato de que ela provavelmente enlouquecera e sumira deixando os filhos. Os filhos não eram problemas, seriam divididos entre parentes e quando crescessem seriam boas mãos de obra. O capanga designado para o serviço era um cafuzo de quarenta anos chamado de Jeromi, ficou espreitando e quando viu uma boa oportunidade, ele agarrou à mulher e tapando-lhe a boca carregou-a para o mato. Yasaní se debatia, mas fraca não teve forças para lutar com o musculoso e atarracado individuo
Trovador das Alterosas
Enviado por Trovador das Alterosas em 17/12/2018
Reeditado em 26/12/2018
Código do texto: T6529519
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Sobre o autor
Trovador das Alterosas
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