SOCIAL FRIENDS
SOCIAL FRIENDS
Cardoso I
O bar vibrava sob a luz vermelha dos letreiros de neon. O som da música eletrônica pulsava no peito de qualquer um que atravessasse a porta, e o cheiro de álcool e perfume caro pairava no ar. Ali estavam eles, como sempre: um grupo de amigos que não precisava de desculpas para estar juntos, para rir, beber e, eventualmente, se pegar.
Sofia encostou-se ao balcão, o vestido justo destacando suas curvas. Segurava um copo de gim-tônica, os olhos varrendo a pista de dança enquanto sorria para Lucas, que se aproximava com a postura relaxada de quem já sabia como a noite terminaria.
— Essa rodada é por minha conta — ele disse, encostando-se ao balcão ao lado dela.
— Que generoso — Sofia respondeu, inclinando-se para perto dele. O hálito quente roçou seu pescoço. — Qual é a ocasião?
— Nenhuma. Ou todas. A gente não precisa de motivo, precisa?
Ela sorriu. Era exatamente assim que funcionava. Não havia promessas, nem cobranças. Apenas noites que começavam com olhares, beijos roubados e, quando conveniente, terminavam entre lençóis amassados.
Do outro lado do salão, Marina e Rafael trocavam sorrisos. O jogo era sempre o mesmo. O toque no braço, a risada perto do ouvido, o convite mudo para algo mais. Tudo fácil, sem consequências.
— Você vai ficar aí só me olhando? — Marina provocou, os dedos brincando com a borda do copo de whisky.
— Acho que estou esperando o momento certo — Rafael respondeu, deslizando a mão pela cintura dela.
— Já passou faz tempo.
Eles se afastaram do grupo, desaparecendo na multidão.
Sofia observou a cena e riu.
— Algum dia a gente vai parar com isso? — perguntou a Lucas.
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Parar o quê?
— Esse jogo. A gente se pega, mas nunca se pertence.
Lucas tomou um gole de sua bebida, como se pensasse na resposta.
— E precisa pertencer? A gente se diverte, Sofia. Isso aqui é liberdade.
Ela assentiu. Sim, era liberdade. Mas então por que, em noites como aquela, ao vê-lo rindo com outra garota ou ao acordar sozinha no dia seguinte, sentia que algo faltava?
Naquela madrugada, depois de mais algumas doses e beijos roubados no táxi, Lucas e Sofia terminaram na casa dela. As roupas se espalharam pelo chão, os corpos se encontraram, e tudo aconteceu como sempre. Mas, quando o dia amanheceu e Lucas se levantou para ir embora, Sofia não o impediu.
Ele parou na porta, vestindo a camisa.
— A gente se vê mais tarde?
Sofia olhou para ele, sentindo pela primeira vez que talvez não quisesse apenas um "mais tarde". Mas o jogo tinha regras.
Ela sorriu.
— Claro.
Ele se foi, e o apartamento ficou em silêncio. Sofia pegou o celular e abriu o grupo de mensagens. Rafael já marcava o próximo encontro, Marina confirmava com entusiasmo. A rotina continuava.
Ela digitou uma resposta, hesitou por um segundo e, por fim, enviou:
"Tô dentro."
Porque era isso que faziam. Até que um dia, talvez, não fizessem mais.