Helena

Você precisará interpretar os sinais para compreender o que tenho a ti dito durante anos e anos diziam as cartas em uma empoeirada escrivaninha guardada no sótão da casa onde Paulo viveu a maior parte de sua adolescência e juventude. Um dia crianças, hoje adultos, um beijo inocente e sem maldade. Paulo sempre muito sonhador, dedicou toda a sua vida ao desejo de migrar para um outro país que a ele oferecesse maior oportunidade e conhecimento; Paulo e Helena percorreram o mesmo caminho embora em traçados diferentes, ambos ingressaram na Universidade e cursavam Medicina. Paulo ainda jovem migrou para a América com o apoio de Helena mesmo que ainda Paulo a querer ficar e Helena permaneceu em seu país de origem, amava ela o Brasil e com orgulho brincava em suas cartas a Paulo dizendo ser ela ainda Brasileira. Dez anos após a ida permanente de Paulo para os Estados Unidos, por circunstâncias da vida houve um afastamento espontâneo entre eles e após formar-se tornou-se Paulo um renomado Médico Cardiologista, entretanto algo sempre lhe vinha em mente...a bela e jovial lembrança de Helena pois as cartas não mais eram escritas e perdido foi o contato pela não interpretação de um detalhe que poderia tê-los unido em amor pela eternidade. Certa noite veio a memória de Paulo partes de sua vida, momentos felizes, empolgantes e períodos de também dificuldade.

Na manhã seguinte o pai de Paulo estava a mexer em objetos, móveis, livros no mesmo sótão e viu a mesa um antigo encarte, sentou-se ele a varanda e leu em já envelhecido papel a carta de Helena. Sábio e ponderado sentiu-se reflexivo e ao entardecer ligou para o filho que o atendeu muito feliz e com muita saudade. Paulo perguntou por Helena entusiasmado e disse-lhe seu pai: Helena nos deixou há dois anos, ela sofria de um problema congênito no coração que não foi tratado da maneira correta, a cura era possível; ao choro caiu Paulo ao tentar desacreditar de tal notícia. Paulo mencionou a seu pai sobre as cartas durante muitos anos escritas e ressaltou o pai de Paulo: Filho, você nunca notou algo diferente nas cartas de Helena? Veio a memória de Paulo de que todas as cartas eram fechadas apenas com um adesivo de um coração, mas nunca escrita como forma de despedida. Ao desligar do telefone Paulo então refletiu associando os fatos, as cartas e o porquê de que sempre continham nelas o mesmo coração em um adesivo carinhoso chegando ele a seguinte conclusão: Helena amava-me, eu a amo mas a perdi, perdi muitos detalhes, ela insistiu para que eu prosseguisse os estudos em um outro país, omitiu-me seu problema de saúde prezando pela minha felicidade, ela amou-me mais do que a ela mesma pois por amar-me e por não saber ela quanto tempo teríamos deixou-me um sinal claro desde a adolescência, os selos em forma de coração em todas as cartas, Helena quis dizer-me: Você é o meu coração, poderia eu viver sem ele? Fique comigo, meu coração não resistirá, ela deu-me sinais e eu não os vi.

Helena precisava de Paulo, pelo fato de que era ele Cardiologista porém o deixara partir para outro país com a ênfase de que o amor em um detalhe seria notado..restaram lembranças permanentes a Paulo e o sentimento de perca por uma história de amor não vivida por um pequeno e carinhoso demonstrar do que poderia ter acontecido entre ele e Helena, o realizar do verdadeiro amar.

"A vida é breve, não percam os detalhes"

Andrade Rodrigo
Enviado por Andrade Rodrigo em 11/12/2024
Reeditado em 11/12/2024
Código do texto: T8216565
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