Girassol

Meu coração bate mais forte a cada dia que esse sentimento se arrasta rumo ao vazio, se for verdade que poderei depositar meus sentimentos nesse novo amor, eu ficarei feliz, mas dado o caminho que trilhei ser recoberto por tragédia, só consigo imaginar que a solidão irá transbordar pelos meus olhos.

O ônibus pára e como combinado sento em uma cadeira de plástico nada confortável e aguardo para que venham me recepcionar no terminal, esse era o combinado, que pra mim estava funcionando como uma espécie de acordo de validade amorosa, caso a pessoa apareça tudo dentro de mim irá se retorcer, expelindo as dúvidas, lamentos e aflições, mas caso isso não ocorra, o que me restará será uma partida de horas solitárias em um banco de ônibus com cheiro de vômito, rumo a minha cidade.

Mas esse não era o destino que foi me dado…

Ao longe surge uma figura sutil, leve e alegre como o vento, em minha mente eu a chamo de água, que transborda em mim um rio de felicidade, mas ao abraçá-la percebo o fogo entre nós, onde essa chama provavelmente irá cada vez mais crescer e se alimentar, consumindo tudo que obstruir nosso caminho para sermos felizes, logo concluo que após aquele abraço tudo ficou de fato sólido entre nós, sólido como uma rocha.

Passamos os dias em locais estranhos para casais se conhecerem em seus primeiros encontros, não eram adequados, mas no mínimo curiosos.

O primeiro era uma casa de chá, onde ficamos horas lá, eu chutaria que ficamos no mínimo umas doze horas, me lembro também de saborear diversos tipos de substâncias estranhas, que eram vários tipos de ervas medicinais, porém por mais que tentassem me dizer que estes tinham de fato sua eficiência comprovada, comigo só me fizera ficar ainda mais hidratado devido a quantidade de água que era utilizada no preparo de cada um. Eu realmente não sei por que ficamos tanto tempo ali provando diversos tipos de chá, mas apenas uma coisa boa eu observei lá com mais calma, eram as feições dela ao degustar aquelas bebidas vis, aquelas feições me deixaram ainda mais encantado por ela, por mais que ela expressasse claramente desprezo pelo meu penteado e isso talvez resultasse em uma vingança emocional, eu simplesmente não conseguia encontrar um único defeito que eu colocaria nela, ao menos em suas feições, pois ela tinha um fetiche extremo por queijo e gostar de queijo pra mim é uma falta de bom senso.

O segundo local foi na casa dessa pessoa que eu tanto estava gostando, tentamos ver um filme, porém preferimos nos beijar, tentamos jogar algum jogo, mas preferimos comer, tentamos planejar nosso futuro, mas voltamos para a cozinha e continuamos comendo, ou seja, tudo que supostamente era planejado era desfeito no momento seguinte, pela gula ou apenas por abstinência de afeto. De qualquer forma não tenho que reclamar de nenhuma dessas coisas, ela beijava muito bem, sabia cozinhar muito bem e era péssima em todos os jogos que cogitava jogar comigo.

Já o terceiro e último local foi um hospital onde acabamos parando ali devido a uma chuva torrencial que nos ilhou por várias horas, porém como não somos doentes, - dito de forma que não considero os problemas psicológicos -, nós não pudemos adentrar o prédio, pois então ficamos apenas sentados em um banco do lado de fora, observando a chuva cair no asfalto pessimamente pavimentado e mais ao longe um rio de esgoto que corria morro abaixo emanando um cheiro nada agradável. Mas para não dizer que tínhamos uma vista predominantemente bizarra, também havia um girassol em meio a um terreno baldio que ficava mais ao fundo após o rio, aquele girassol era onde nós fixamos nossos olhos, pois era basicamente uma rota de fuga visual.

Enfim, eu adorei cada momento com ela, adorei as conversas, adorei a maneira dela de pensar e se preocupar com o futuro, não apenas se agarrando ao presente que parecia um chocolate meio amargo derretendo ao sol, enquanto um senhor estoura pipoca dentro de um chinelo de plástico…

Acho que esse último trecho não lhe fez o menor sentido, então quando salvar esse texto, poderia por favor remover o parágrafo acima? Obrigado.

Continuemos…

Acredito que o tempo não goste do amor, pois em momentos de pura felicidade ele encurta as horas.

Da nossa despedida brotou um sentimento que eu nunca havia sentido antes, era como se tivéssemos passado tanto tempo juntos que nossas almas estavam até mesmo se fundindo e ao nos despedir, surgiu uma dor que não era sentida nos nervos da pele, muito menos no coração, era uma dor sentida na alma.

Saah__
Enviado por Saah__ em 15/04/2019
Código do texto: T6624077
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