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ASSIM CAMINHAM HUMANOS E A HUMANIDADE . . . ''CONTO''

Busco nas lembranças de anos idos quando jovem, época em que existiam nas famílias a educação que hoje não existem mais como paradigma.
A noite quando íamos dormir ou sair, a benção mãe, a benção pai ou aos avós e tios. Deus te bençõe, ecoava pela casa. Nas férias quando estávamos no interior de Minas com meus avós. 23 vozes neste ritual sonoro de respeito e fraternidade familiar, pois na época filhos dos meus dois tios (as) e meus pais somava 23 netos (as).
Rádios sintonizava precariamente, novelas, hora do BRASIL, musicais de auditório.
Tinha nossa casa na mesma rua vizinha a casa de meus avós.
Existia junto a cozinha uma varanda com três mesas de três tamanhos:  A dos adultos, dos jovens e das crianças, víamos o fogão a lenha funcionando o tempo todo e uma cozinha moderna que quase não funcionava anexa, Ser autorizado pelos avós a mudar de mesa era status dentro da família, porque em cada um destes grupos tinha movimentos próprios.
Meu avô, administrava com minha tia o que ia a mesa, cardápios: macarronadas, sopa de macarrão com legumes tirado da horta, porque tínhamos uma fábrica da família, MACARRÃO STO. ANTÔNIO   Tinha dias de carne bovina, suína (estocadas) em latas, na banha dos porcos, que eram abatidos em determinadas ocasiões do ano para manutenção alimentar da família,(suínos dos chiqueiros da propriedade) ou bife de pernil fresco comprado no açougue, frangos e as vezes peixes pescado nos rios próximos ou comprado de eventuais pescadores, passando pela porta das casas, tínhamos direito a pedir ovos fritos em farta gordura suína de inesquecível sabor. Tinha uma horta, couve alface almeirão e quiabo, jiló, tomates entre outros. Polenta mineira extraído em monjolo, e folhagens refogada no alho. Torresmos, o cardápio da família tinha saladas, a propriedade tinha coqueiros e mangas, laranjas e pés de jabuticabas, só saboreadas nas épocas de colheitas, As sobremesas eram variadas e deliciosas feitas na própria casa, curau de milho verde, doces de leite, figo, arroz doce, canjica, doce de abobora ou goiabada com queijo minas.
 O bule esmaltado grande e as canecas de ágata a disposição para os adultos, quanto a criançada o café só era dado de manhã ou à tarde, para não tirar o apetite das refeições regulares.
Lembro-me que as mães olhavam para os filhos (as) sem palavras, e os mesmos sabiam qual o comportamento a serem apresentados aqueles em seus meios sociais, familiares, ou nas visitas em casa de amigos. Quando recebíamos visitas em casa, criança não ficava na sala e não participava das conversas de adultos e só se fosse chamado poderia comparecer.
Exemplo, quando chegávamos em visitas as casas de alguém, eram oferecidos lanches e golo-semas em que prontamente, todos agradeciam e não aceitavam com desculpas, já lanchamos tia! Respeito aos professores, educação com todos, urbanidade nas escolas, existia o Buling tão comentado de hoje, que era administrado nos ambientes que surgiam.
As escolas não davam lanches ou refeições, o governo não dava passagens aos estudantes, ninguém oferecia ou recebia nada que demonstrassem penúrias ou falta de assistências.
Era como se esta vida fabricassem seres humanos auto sustentáveis, uns com muito e outros com menos, e a dignidade germinava e florescia nos corações humanos, transformando-os em famílias coesas e responsáveis. Todos eram respeitados, em função do respeito conquistado. Havia harmonia que bailava no ar, os dias seguiam.
Aos domingos todos iam as igrejas e templos, seguindo os mais velhos, pais avós e tios.
Todos desta família foram batizados, primeira comunhão, crisma e casamento na igreja católica.
Minha vó, parteira de uma grande quantidade da população que a chamavam de madrinha, pois logo após o parto vinha a mãe em agradecimento oferecer o filho (a) para ser batizado.
Meu avô Néne, um ser humano de expressiva grandiosidade, chefe de família exemplar, descendente de italianos, carismático, carinhoso, amava e demonstrava amor aos netos que não eram poucos, dava atenção as noras e genros, admirado pelos amigos e vizinhos, amado pelos seus familiares, adorado pelos netos. Eu, sou o mais velho.
Tia Mina, cozinhava, lavava e passava para todos, ainda tinha tempo conversar e acariciar, alem de rezar o terço. nunca se casou, Os dois eram os pilares da família em honra.
 '' In memorium '' aos dois, meus eternos agradecimentos e reconhecimento, estejam onde estiverem tenho certeza cercado pelos anjos em caricias e carinhos pelo merecimento em sua passagem neste plano, estou certo que estes dois são espíritos evoluídos.
No final da missa os padres nas portas das igrejas despediam-se dos fies alinhavando uma próxima vinda ou comentando eventos santos, folclóricos, casamentos e batizados na comunidade. As carolas em bocas pequenas teciam leves fofocas.
Nos fins de semana geralmente aos sábados 20 horas ou domingo aos matines, os mais velhos e adolescentes iam ao cinema ver filmes de farowest ou épicos romanos, comedias.
Depois iam para as praças, já iniciando a noite, as moças andavam em grupos em voltas circulares e os rapazes parados em grupo ou andando em sentido contrário, flertavam. Muitos casamentos iniciaram na praça da cidade, tinha um hotel o único com entrada rente a calçada estreita.
A cidade tinha um cinema, e duas vezes por ano aparecia um circo simples, e acampamentos de ciganos aconteciam em locação especifica, na saída mais ainda na cidade (parte da periferia), vinham com aquelas caminhonetes e carros zerados, roupas espalhafatosas e coloridas, as ciganas lendo as mãos dos mais liberais, tirando a cidade de sua normalidade. Lembro-me os comentários eram acalorados dizendo que eles levavam as crianças, raptando-as preferencialmente as louras de olhos claros.
 E as moças que seguiam com as trupes buscando aventuras e sonhos. Falavam as mesmas coisas dos circos, quanto aos ciganos nunca fora constatado fatos.  Já com o circo aconteceu, pois as moças iam com os trapezistas, malabaristas, apaixonadas.  Com um palhaço ocorreu o fato e no ano seguinte ele pediu aos pais a mão da jovem, que casaram no circo. Não teve como ser evitado porque ela já vivia com ele a um ano que a tinha levado na temporada anterior. Ah! Humanidade e humanos. Hoje não saberia versar sobre como as coisas seguem seu rumo. Onde foi e quando a desconexão deste mundo com o mundo de hoje tão diferente.
PERFIL DA CIDADE:
Fatos narrados com início dos anos 50 (cinquenta)
Minas gerais, quase zona da mata
Estação Férrea -  antiga Leopoldina – Inglesa
Cinema, delegacia, comercio geral, bancos: Caixa e Brasil, Banco Agrícola
Hospital, três farmácias fórum, cartório
Puteiro, cemitério, três igrejas, dois pontilhões de acessos e saída sob o mesmo rio.
Fábrica de tecido, Fabrica de Ferramentas, Fábrica de macarrão, Colégios públicos, matadouro.
Dois clubes sociais sendo um  para elite.
EM TEMPO: Bandidos, vigaristas, assaltantes, assassinos, suicidas e outros dava pra contar nos dedos afinal esta não era a cidade dos sonhos utópicos deste escritor sonhador.
MIGUEL ANGELO DOMINATO
Enviado por MIGUEL ANGELO DOMINATO em 25/02/2019
Reeditado em 28/03/2019
Código do texto: T6583498
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
MIGUEL ANGELO DOMINATO
Volta Redonda - Rio de Janeiro - Brasil
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