Os Herdeiros - Part. 25
Os envelopes.
- Meu amor...
- Niki!?
- Mark, eu te amo, sempre te amei...
- Niki, você fez aquilo? Porque fez Niki?
- Eu te amo, Marcos. Nunca se esqueça. – A imagem de Nicole começava a sumir e o empresário se desesperava.
- Niki... Niki... Niki... Niki!!! – Marcos despertava gritando o nome da falecida esposa, acanhando-se ao se deparar com um desconhecido par de olhos verdes o fitando espantado.
- Bom dia... O senhor está bem? – Izabel perguntava voltando a ajeitar o buquê de lírios em um jarro sobre a cômoda.
- Estou bem, graças meu doador misterioso. O que a senhorita está fazendo aqui?
- Estou visitando meu namorado. Ele doou parte do fígado ao pai dele.
- Doou ao pai... – Marcos engolia seco ao ouvir a resposta da moça. – Seu namorado parece ser um homem nobre, parabéns.
- Tenho muita sorte em tê-lo em minha vida. – Iza sentava na outra cama, onde o rapaz loiro estava dormindo, tampando a visão do senhor. – O senhor já sentiu isso?
- O que?
- Que o melhor momento de sua vida foi quando conheceu outra pessoa?
- Eu... Senti.
- A Niki? – Iza olhava ao senhor fixamente, intrigada com a resposta, apesar de lhe parecer obvia.
- Isso não é de seu interesse.
- Mas isto é de seu interesse. – Izabel retirava do bolso do casaco dois envelopes lacrados e entregava ao empresário.
- O que é isso?
- Eu não sei. Foi-me entregue em um momento de confiança, mas não quis abrir. Para mim, o que está escrito ai dentro não mudará nada.
- E porque está me entregando isso?
- Porque para o senhor, seja lá o que estes envelopes contêm, irá mudar muita coisa...
O senhor engolia seco novamente. Intercalava o olhar entre os envelopes e Iza, que agora estava fitando o namorado ainda adormecido. Em um baixo sussurro, dizia: - Jason estava certo em ir ao Brasil, tem anos que ninguém cuida assim dele... Que ninguém cuida dele.
- Pretendo cuidar dele por muitos anos, até quando formos velhinhos.
Marcos dava um pequeno sorriso ao ouvir a garota. Mas ainda temia o que os envelopes continham. Tinha em seu coração a certeza de que ali dentro continha às respostas que tanto procurava, mas nunca teve coragem de obtê-las. Jason despertava e logo via sua amada sentada a seu lado. Abraçavam-se e se beijavam, esquecendo-se do senhor que os observava na outra cama.
Izabel e Jason recebiam noticias do Brasil, não muito agradáveis por sinal. Aisllin e Lucas avisavam a ambos sobre os ocorridos da noite anterior. A visita de Miguel, a investida de Letícia, era tudo muito obvio, eles queriam prejudicar o casal, mas porque? Aproveitando o momento para contar sobre as idas do ex a faculdade, ainda que o namorado já soubesse através do melhor amigo, o casal se juntava para montar o quebra cabeça. Ainda que mantivesse as cortinas do apartamento fechadas, Lin via pelas frestas que Miguel observava o apartamento todos os dias.
Receando por seu relacionamento, Matheus e Aisllin chegavam ao consenso de que deveriam cessar com a estadia, já que poderiam ser pegos. Assim que Miguel saia da frente da república, o professor deixava o local, escondendo o rosto em uma mascara de filme de terror para não ser reconhecido caso algum detetive esteja o seguindo.
O jantar da família Mendes acontecia sob olhares reprovadores. Letícia seguiu investindo em Lucas por todo o dia, mesmo que o rapaz não correspondesse. Alias, ele passou o dia inteiro conversando com alguém por um mensageiro no celular. O pai do estudante o puxava de canto e o avisava sobre o tipo de mulher que a ruiva era, e o mesmo afirmava que já conhecia as jogadas de mulheres como ela. Lucas passava a trancar o quarto todas as noites e ficava até tarde conversando com alguém pelas redes sociais.
Os dias passavam e o empresário não teve coragem de abrir os envelopes. Os escondia sob o travesseiro sempre que recebia visitas e os obervava todas as noites antes de dormir. Nenhuma palavra era trocada entre Marcos e Jason. Era como se eles não dividissem o mesmo quarto e estivessem sozinhos. Júlio quando os visitava tentava fazer com que ambos conversassem, mas nada era dito além de palavras sobre a nova empresa.
Marcos teve alta naquela manhã. Jason teria de passar mais algumas horas por causa da pressão que demorou a estabilizar. O empresário ia até a capela anexada no hospital, ajoelhava-se diante do altar e orava antes de abrir os envelopes.
Continua...
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Ps: Peço desculpas aos que estão acompanhando pela demora, mas algumas coisas tem me tomado mais tempo do que o previsto, por isso do atraso. Prometo dar uma acelerada nas escritas, nos próximos dias. Obrigada pela compreensão.