Os Herdeiros - Part. 20
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Saudade imensa
- Então filha, como foi na agencia ontem?
- Tudo certo pai, assinei o contrato e paguei meus débitos.
- Ótimo, um Oliveira não deve deixar rastros para trás.
- Sim... Pai, eu preciso de dinheiro...
- De quanto precisa filha?
- Não é assim pai, eu preciso de dinheiro para me sustentar. Não quero que você pague minhas contas.
- Sabe que até mesmo Jason aceita dinheiro do pai dele para viver, não é?
- Mas ele não trabalha para o pai?
- Não efetivamente, Jason está como um representando de Marcos, mas não chega a ser um trabalho, já que a empresa não está ativa ainda.
- Hum... Mas eu queria conseguir de outra forma.
- Você irá ajudar na montagem da empresa, tem feito um belo trabalho junto de Jason, e dependendo de como for seu olhar nos lotes que selecionamos ontem, pode ser uma ajuda e tanto a dois homens que nada entendem de sofisticação.
- Entendo... Farei meu melhor.
- Está sem dinheiro agora?
- Não, ainda tenho algo.
Chegavam ao primeiro lote, iam para o próximo e em cada um que visitavam, Izabel dava ideias das disposições de armazenagem da transportadora. Júlio aproveitava para ensinar a filha algumas coisas que sabia sobre administração, os negócios da família, já que ela daria continuidade a eles.
Jason ia ao hospital visitar Marcos, conversava com o médico e ficava a par da saúde do empresário. Descobria que ele precisava de sangue, o loiro prontamente avisava o médico que doaria, mesmo sabendo que isso despertaria a ira da madrasta. O senhor Valente se recusava a receber a visita de Jay, e o mesmo orientava o médico e os enfermeiros a não dizer que ele havia feito a doação.
Ao chegar à mansão, Jason fazia aquilo que já era de costume, ia até seu quarto em passos sorrateiros, quase um fantasma, como os empregados daquela mansão. Entrava no quarto depois de ser avisado pela governanta que ninguém havia mexido no quarto desde que Marcos foi encontrado, a não ser pelo celular que estava com o visor quebrado, adicionando que ele estava no chão próximo a janela, com a bateria e a capa solta, como se tivesse sido jogado ali. Jay olhava ao redor do quarto, seu olhar atento pegava três objetos fora do lugar: a foto dele com o senhor Valente virada para baixo, a foto de sua mãe o carregando no ventre fora de posição, como se alguém tivesse mexido nela, e uma pena branca sobre a colcha.
- O que veio fazer aqui? Porque mexeu nas fotos? E de onde veio essa pena?
Jason retirava os sapatos e recostava no encosto da cama, ligava o celular do pai e via a última ligação recebida, minutos antes dele ser encontrado, era de Júlio. O garoto suspirava, colocava o aparelho de lado e pegava o seu, discando a um número e aguardando ansioso para ser atendido:
- Vamos gatinha, atende.
- Gatinho?
- Ah, minha princesa. – A voz de Jason tinha um som aliviado ao ser atendido.
- Meu amor! Poxa, você demorou a ligar.
- Eu sei... É que fui ao hospital antes, visitar o senhor Valente. E seu dia, como foi?
- Foi tranquilo, assisti as aulas e anotei tudinho como você pediu. Ajudei a organizar a arrumação da festa e fui com meu pai visitar os lotes, escolhemos um, pois segundo ele nós três dissemos que era o ideal.
- Ah, acho que já sei qual é. Que bom que está tudo bem por ai.
- Sim... Eu te amo.
- Eu também te amo minha princesa. E eu tenho umas noticias ruins...
- O que houve amor?
- É que o estado do meu pai parece mais grave do que foi dito. O médico disse que ele talvez precise de transplante. Ele tem negligenciado a saúde e agora tá complicado, eu talvez tenha que doar parte do meu fígado, já doei sangue hoje. Acho que não volto antes do fim de semana.
- Nossa gatinho, que complicado. O estado dele parece bem grave...
- Infelizmente sim... Mas ficará tudo bem.
- Ficará sim... Eu te amo.
- Eu também te amo. Nossa, eu senti muita falta de ouvir tua voz.
- Sinto muitas saudades de ti, gatinho. Canta aquela música pra mim?
Jason cantava para a namorada a canção de quando ela estava desmaiada. A música que alguém cantava para ele quando pequeno, nem sabia se cantava a melodia corretamente, mas lembrava-se da letra como se a ouvisse todos os dias. Demoravam a se despedir, faziam a ligação durar o máximo que podiam. Longa era a noite do casal, a primeira separados desde que se conheceram, separados por vários mares, oceanos e países, mas próximos em pensamento e coração.
Iza passava a noite conversando com Lin, que contava um pouco mais sobre seu caso secreto com o professor da faculdade. Sobre a dificuldade que estavam tendo para se encontrar sem levantar suspeitas. Por mais que estivesse distraída com a preocupação de como o namorado estava sendo tratado pela família em Londres, Izabel ainda conseguia aconselhar a nissei, a animando um pouco.
- Cansativo. – Camila sibilava ao desligar o celular depois de horas conversando com Letícia.
Durante a ligação, a ruiva havia pedido informações sobre Izabel, o que conversavam antes dela chegar, mas a moça não havia dito uma palavra sequer, mesmo que o assunto fosse algo irrelevante. Sabia que Letícia provocava Izabel durante os intervalos, e como uma fã da modelo não queria a prejudicar.
Em outra tentativa de obter informações, ela mandava uma mensagem para Lucas perguntando se estava tudo bem com ele, trocavam sms e quando achava uma brecha perguntava se Jason já havia retornado. Lucas não a respondia.
Já era madrugada em Londres, todos na mansão já estavam dormindo, mas Jason continuava desperto. Ainda acostumado com o fuso horário brasileiro, custava a dormir mesmo depois do dia cansativo.
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