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Por Siempre ( Parte 8 - A Execução do Plano)

Pablo tinha acabado de entrar em seu quarto. Ficou um bom tempo em frente à lareira com Alice, mas percebeu que, embora ficar juntos fizesse bem pros dois, era véspera de campeonato e ele queria que a namorada descansasse bem para poder ganhar. A deixou no quarto dela e seguiu para o seu.
Tirava a roupa para tomar banho quando ouviu baterem na porta. Revirou os olhos e abriu um sorriso meigo. “Alice”, pensou. Subiu a calça novamente e foi atender a porta.
- Oi. – Gustavo disse com um largo sorriso, para espanto de Pablo.
- Hola – disse confuso.
- Olha só, eu não sou muito bom em espanhol, espero que me entenda. Você me entende?
- Si, un tiquito. Qué haces aquí?
- Eu meio que gosto da Alice, sabe? E no começo eu realmente não gostei da idéia de ver vocês juntos. Mas agora eu vejo como ela está feliz com você e eu só queria te dar parabéns por estar com ela. – Gustavo fazia alguns gestos engraçados para intensificar e facilitar a compreensão de Pablo. O argentino estava achando aquilo um pouco estranho, mas engraçado.
- Sí, gracias. – disse Pablo enquanto coçava a cabeça, coisa que costuma fazer quando está confuso ou foi pego de surpresa.
- Então... Buenas noches! – riu.
- Buena.
Quando Pablo ia finalmente fechando a porta, Gustavo voltou, dizendo “ah, ei”, o que deixou Pablo ainda mais confuso e surpreso.
- Onde eu encontro um desses? – apontou para a orelha de Pablo.
Pablo levou a sua mão à orelha e percebeu que era do alargador que Gustavo se referia.
- Ah, sí. En la verdad, tengo un otro. Sólo un ratito.
Ele não queria contrariar o rapaz. Achou realmente que Gustavo estivesse em missão de paz, querendo uma trégua. Pegou um alargador idêntico ao que estava usando que estava dentro da primeira gaveta de sua escrivaninha.
Lembrou-se do dia em que os tinha comprado. Estava prestes a ir para a faculdade e queria colocar um alargador em cada orelha. Quando chegou no stúdio de boddypiercing, perdeu a coragem e só colocou um. Guardou o outro de recordação e de repente, tantos anos depois, aquele alargador solitário seria como um tratado de paz entre ele e o seu rival. Entregou o alargador com um ar generoso e Gustavo sorriu.
- Pode tomar banho com isso? – Gustavo sabia a resposta, mas queria fazer com que Pablo tirasse o alargador e foi a primeira pergunta que lhe veio a cabeça.
Pablo pareceu pensar um pouco procurando entender o que ele queria saber. Finalmente entendeu que ele queria saber se “podría bañarse com eso”.
- Sí, puede.
- Não incomoda quando você dorme? – usando novamente a técnica de gesticular cada palavra para que o argentino entendesse.
- No.
- Você pode tirar pra eu ver como é?
- Tirar? Ah, sí, sí. – nem esperou terminar de falar para correr as mãos à sua orelha direita e tirar o alargador transparente de 5mm que tinha nela e mostrou para Gustavo. O brasileiro sorriu quando viu qu tinha conseguido que Pablo tirasse o alargador.
- Bom.. Gra-gracias – disse Gustavo que saiu em direção ao seu quarto antes mesmo de Pablo responder ao seu agradecimento.
O argentino já havia desistido de estranhar tanto em tão pouco tempo, então entrou no quarto e fechou a porta. Colocou o alargador que tinha acabado de tirar da orelha em cima da cabeceira da cama e foi tomar banho.
Gustavo sorriu quando ouviu o barulho do chuveiro. Deu meia volta e abriu a porta do quarto de Pablo cuidadosamente. Iria depender única e exclusivamente do grau de estupidez do argentino para que o plano esse certo. Ao entrar no quarto, deu uma olhada geral para ver se avistava o alargador, se é que Pablo não o tinha colocado na orelha novamente. Antes de o contraplano fosse idealizado em sua cabeça, Gustavo viu o piercingzinho transparente onde Pablo tinha deixado.
Abriu um sorriso de fenda e rapidamente foi pegar o alargador. Saiu do quarto fechando a porta com o mesmo cuidado com o qual a abriu e seguiu para o seu. Ao tocar na maçaneta, viu que Alice estava saindo do seu quarto. Ele se virou e ela o cumprimentou. Gustavo retribuiu e entrou em seu quarto deixando Alice passar pelo corredor a caminho de onde quer que ela quisesse ir.
A B Queiroz
Enviado por A B Queiroz em 05/07/2012
Reeditado em 06/07/2012
Código do texto: T3761167

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Sobre a autora
A B Queiroz
Manaus - Amazonas - Brasil, 26 anos
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A B Queiroz