A Galinha da Discórdia
A Galinha da Discórdia
A discórdia sucedeu numa tarde do dia 6 de setembro de 2010 num pequeno sítio distante 12 km de Manaus. O tal sítio conhecido como Pedacinho do Céu transformou-se em Pedacinho do Inferno. Vamos aos fatos...
O dia amanheceu alegre, não porque era véspera de feriado, mas porque era primavera num dia de verão. As nuvens transformaram-se em flores das mais variadas em homenagem à aniversariante do dia. No sítio, as três melhores amigas aguardavam ansiosas pelo almoço. Ah, que belo almoço seria se tudo tivesse ocorrido como programaram. Oh! destino cruel, por que colocaste à prova tão bela amizade entre Rita e Marina?! Você, destino, já sabia o que aconteceria e não evitaste tal infortúnio. Quisera eu não ter contribuído com tamanha desavença. Mas, insistir para que minha mãe mandasse do interior uma legítima galinha caipira. Ainda exigi que fosse a da perna fina, como se diz no interior de Manicoré. Ah, se eu tivesse o tal sexto sentido... Mas nunca o tive. Que maldiçãooooooo!!!!!!!!
Calma, caríssimo leitor. Sinto sua angústia, o seu insano desejo de saber o que afinal aconteceu com Rita e Marina. Porém, de que adianta saber de sua angústia se sei que és um impotente diante do que acontecera? Ah, leitor, não fiques irritado. Tenha paciência. Ela é um dom. E, se não a tem procuras te controlar para que não percas também, tu, um amigo. Controla-te. Pense nas palavras que vais proferir. As palavras machucam, ferem, doem. Criam feridas muitas vezes incuráveis, meu caro. Cuidado! Veja o caso de Rita e Marina. Duas amigas de infância que por não terem paciência, como vós, quase destruíram seus afetos. O estopim, como já disse, foi a tal galinha caipira de perna fina. Queres saber o que realmente aconteceu?!
Pausa para um café. Aceitas, tu, uma xícara?
Voltemos aos fatos...
Não tenho dúvidas da tua ira e impaciência. Acalma-se! Pois bem, vou contar-te, mas se zombares ou achares inútil é porque além de impaciente és um... Não vou dizer-te o que és porque sabes o que estou pensando. Ah, os fatos! Que bom que me lembraste pois já ia esquecendo. E, como não quero que fiques bravo comigo contarei, finalmente, o que aconteceu no meu aniversário.
Rita e Marina são loucas por galinha caipira. Aconteceu que durante a preparação do almoço ambas queriam fazer um prato diferente com a mesma galinha e isso rendeu uma leve discussão que foi se agravando enquanto a galinha era dilacerada. Não chegaram num acordo. Rita queria a caipira assada enquanto Marina queria cozida. A discussão foi tanta que ambas começaram a revelar as mágoas, os defeitos e até certos segredos uma da outra. Foi lamentável, caro leitor!
Por que me questionas a respeito disso? Não pude fazer nada. Também tenho, como tu, meus segredos revelados. Até pensei em acalmá-las, mas logo percebi que não podia entrar nesse combate. Tenho segredos revelados às duas. Juro a ti que fiquei de mãos atadas. Não me julgues. Entenda que os segredos estavam sendo revelados. Eu as ouvia e ficava atordoada. Imaginas tu que Rita revelou o segredo maior de Marina - a paternidade do filho dela.
Custei a acreditar tanto nessa revelação que mal ouvi quando Marina disse que eu usava perfume falso. Soube que Rita me ludibriava. Ela comprava os perfumes no Paraguai e não na Top. Tive ímpetos de estrangulá-la, de humilhá-la, ao menos. Ia talvez, fazê-lo, mas ela sabia os meus segredos. Não sejas indiscreto. Não insistas. Não fales assim, leitor infame. Oh, quanto isso me desagrada! Chega! Voltemos aos fatos.
Na verdade, leitor infame, não hei de contar mais nada. Você me irritou. Quanta malcriação! Ah, então queres que eu diga o que aconteceu com a galinha causadora da discórdia? Ora, deixes de ser preguiçoso e use a imaginação. Se é que a possui.