Olha o cafezinho
Caminhando no calçadão despreocupado, o sol que já tinha percorrido mais da metade do seu trajeto diário diminuía sua intensidade, apesar de seus raios serem mais brandos o calor permanecia. Fui alertado por um senhorzinho gritando: “Vai um café ai ...!!!.” Olho vejo aquele senhor empurrando um carrinho com 4 (Quatro) garrafas térmicas e vários copinhos com dois rolos de papéis de enxugar as mãos. Procurei um banco e sorvia o café que por sinal estava saboroso, convidei o vendedor acompanhar-me que eu pagava. Sem perguntar começou descrever a sua vida, dizendo que hoje vive mascateando mas já foi dono de um sítio de 20 (alqueires) por aquelas bandas de Goiás. Deu um período de seca prolongada, vendeu a propriedade veio pra cidade. Continuava sua história nisso já tínhamos perdido quantas xícaras já tínhamos tomado. Segundo ele o dia que vendeu a propriedade não sabia que estava vendendo a sua felicidade, hoje vivi num barraquinho de duas águas, paga aluguel, tem dia que come sem mistura. Sua filha namorou um cabeludo que dizia ser estudante de medicina, mas depois que soube que ela estava gravida deu no pé e desapareceu, sua velha nem pra ele liga mais, usa pintura, com as unhas pintadas cruz em credo que coisa feia. Não dá mais para voltar o dinheiro acabou, o negócio é vender as bugigangas de manhã e o cafezinho de tarde pra não morrer de fome. Nesse estado vi que a situação do amigo não era nada boa, comprei a garra de café fui embora pensando: “Quando se toma uma atitude sem medir as consequências, o resultado pode se tornar irreversível”.