O Jiló
O amigo, meu e de todos, Messias Clementino Filho, colega de ginásio nos anos sessenta, tem qualidades e virtudes capazes de encher um saco de Papai Noel. E elas só perdem mesmo para a sua capacidade de se apaixonar... Também pudera, foi joalheiro por longos anos em Brasília, onde lapidou bem sua vida profissional, e como um diamante é para sempre, de amante, então, suponho ser eterno. E terno.
No nosso tempo de ginásio, iniciado em 1962, Messias, impecável até no uniforme de brim cáqui, brilhava mesmo era nos sapatos pretos, sempre engraxadíssimos. Só mesmo o também colega Mário Lúcio, o Bananeira é que rivalizava com o então Missiinha. De seus boletins escolares, inobstante, nada posso ou ouso dizer. Sei só que as moças ginasianas, que frequentavam o horário da tarde, viam neles mais que o brilho dos pisantes... e lhes destinavam apaixonados bilhetes anônimos sob as carteiras...
Não sei agora se daquela época, ou mais pra frente, o Missiinha ganhou o apelido de Jiló, que abraçou com devoção e propriedade, e desde então é assim saudado e referido.
E sempre que nos reencontramos, o que acontece no restaurante e point, Varandão, em Pitangui, ao saudá-lo eu lhe faço a pergunta invariável e imbroxável...
- Diz aí, amigo: seu Jiló é com G ou com J...
Ao que ele responde, imperturbável:
- Uai, Pavão (meu ex-apelido), geralmente é com G...
Engasgado, busco uma saída honrosa diante do desafio:
- Mas jamais com J , né?