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                  QUARENTÕES NA QUARENTENA
 
               Janjão era o filho número 44, do seu Amirto. Mas esse senhor teve 4 mulheres e dizem as más línguas que 4 deles não eram filhos dele porque saíam todos diferentes. Alguns acontecimentos pasmava o povo da região.  Duas vezes ter nascido criança de olhos puxados. Até desconfiavam de um japonês que morava meio perto de lá, mas ninguém tinha certeza se o pobre homem levava chifres. Só suspeitavam desde o princípio.
           Como esse tal Janjão tinha 44 anos, não se enquadrava no grupo de risco da covid. O pequeno comércio o qual defendia o seu pão, foi obrigado a fechar. Na Rua Quatro, apenas duas farmácias permaneceram abertas. Os demais foram obrigados a seguir conforme o decreto número quatro da prefeitura.
            O homem foi comprar um remédio na farmácia da mesma Rua Quatro, a qual se localizava no número 444. O nome do estabelecimento era: Drogaria 444.  Até a propaganda na TV canal 4 era: ‘’Farmácia e Drogaria 444, na Rua Quatro do mesmo número. Com a máscara era possível ver o que conforme confessou a mulher de 40 que o atendeu, o homem parecia um galã de cinema.  Começaram a conversar.  Depois do atendimento continuaram e se tornaram a princípio amigos. Ela estava viúva há 4 anos. Ele divorciado há 4 anos, 4 meses e 4 dias. Não se sabe se existia algum mistério ou apenas uma coincidência dos números 4.
               A quarentena terminou. Quarentena ou ‘’trezentena’’, ninguém sabe ao certo. Continuaram a conversar. Da chamada pandemia, ali nasceu um grande amor. Casaram-se 4 anos após a quarentena que foi responsável pela felicidade dos dois quarentões.
 
(Christiano Nunes)
 
Inverno / 2020
 
Escrito na quarentena.  (40 – A + ENA)