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29 - Vinte e Nove.

 D. Angelina era severa. Tudo o que se falhasse se pagava com palmatoadas. Erros ou tabuada,nomes de rios, afluentes, ou serras, contas erradas . Com o medo nunca fui capaz de estar livre para aprender, livre para pedir explicação complementar, livre para gostar dela. Para que nas férias ninguém esquecesse a Escola, a professora e a palmatória de cinco “olhos” ,ela passara dezenas de contas, cópias, ditados e redações para fazer.  Nos três meses seguintes sem nunca me lembrar dos deveres, da Escola ou da fera pronta a cobrar lassidões, D. Angelina adoeceu, não recuperou e numa bela manhã de sol, soube-se que tinha morrido. Houve gente que se empenhou em chorá-la e houve quem organizasse um peditório para uma dispendiosa coroa de flores de pano, maioritariamente roxas. Que eu saiba só eu fiz, por dentro,uma festa cheia de gritos e risos. Só eu não tive pena .
Edgardo Xavier.
Edgardo Xavier
Enviado por Edgardo Xavier em 13/10/2019
Código do texto: T6768549
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Edgardo Xavier
Portugal, 73 anos
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Edgardo Xavier