Época de Eleição

Lá na roça onde eu móro esse pessoá que vai atrais de nois pra cumpra voto é muito esquisito.

Fica oiando nois, espiano de longe, arrudiando e depois incosta.

Chega ni nois tudo animado, cum as cara tudose arreganhano.

Oiá pra nois, vê as boca tudo mucha cuns beiço meio pra dentro, meio pra fora e vão ofereceno logo umas chapa, que fica meio bambo na boca, pareceno que é dotra boca mucha, mas nois, que tem a precisão, vai logo tacano dentro das boca pra modi ficá mais bonito. Fica tudo cumpanhero, rabisca os nome nas caderneta, entrega um santim e pede pra nois votá nes.

Vem otro, vê que nois tamo cum as boca arrumada olha pros pé, vê que tá rachado, raspano cum as sola nos barro, cum as unha pretinha e dá pra nois uma percata, ocês sabe, sandalha dos dedo, uns tamanco, uns chinelo de peneu de carro veio. Fica tudo cumpanhero, rabisca os nome nas caderneta, entrega um santim e pede pra nois votá nes.

Vem otro, vê que nois tamo cum as boca arrumada, cuns pé carçado, e dá pa nois um saco cheio de ração pra nois forra o estromego e, agasaiá as lumbriga, pramodi nois num morrê de fomi. Fica tudo cumpanhero, rabisca os nome nas caderneta, entrega um santim e pede pra nois votá nes.

Vem orto, vê que nois tamo cum as boca arrumada, cuns pé carçado, cum as pança calombada, cums mulambu pendurado nos esqueleto tudo estranbeiado e dá pra nois umas ropa da cidade, camisa com fotografia de lambe-lambe, cas carça tudo grande, que nois tem que marrá cum corda pramodi num escurregá dos caniço e deixa nois descoberto. Fica tudo cumpanhero, rabisca os nome nas caderneta, entrega um santim e pede pra nois votá nês.

Nois somo caipira mas num semo animá

Nois aceita tudo e promete nês votá.

Escoiemo quarquer um

Que sabemo tudo iguá

Quano vão pra capitá

Pra modi por nois trabaiá

Parace que vão só

Pra modi enche os borná

E nois aqui vão ficá

Cum as boca murcha, os pé rachado,

Os mulambu puido e rasgado

Sem ração pras lumbriga agasaiá

E na cidade de oces é ancin tamém?