A Carta de um Tolo

Olá, meu amigo.

Ando distraído, eu sei. Já fazem algumas semanas que não te escrevo, na verdade, não ando escrevendo nada.

Minha cabeça anda ocupada, meus pensamentos ganharam vida própria e eu já não consigo mais controlá-los.

O motivo é simples, mas confesso que é um tanto vergonhoso. Pelo menos, para mim, ainda é difícil falar sobre esse assunto.

Mas a verdade, por mais que me doa confessar, é que meu consciente deu morada para um certo alguém.

Já conheci tantas pessoas mas ninguém como ela. Nós não gostamos um do outro, isso eu posso lhe garantir. Brigamos com uma certa frequência e ela me faz duvidar de todas as certezas que eu já tinha sobre eu mesmo.

Nunca me senti tão dividido como estou nesses últimos dias. Existe uma canção que diz isso, não vou me lembrar exatamente das palavras, mas era algo sobre o lado racional dizer para deixar quieto enquanto o coração diz para não desistir.

Sinto que estou nessa encruzilhada. Eu sei, meu amigo, que você deve estar se perguntando o porquê eu tenho minhas dúvidas a respeito de alguém que tanto me ignora e me despreza. A resposta, bem, eu não sei direito.

Mas o caso é que ela é diferente. Ela não sabe ser amada. Como pode alguém viver nesse mundo tão cruel e não conhecer a sensação de confiar em alguém? De abaixar a guarda, de deixar as feridas expostas e aceitar ajuda para curá-las? Como pode existir alguém que queira ser sozinho? Eu não entendo isso.

Talvez seja isso que atice minha curiosidade e me faça querer entender mais e mais como lidar com ela. Esse sentimento de desafiar o impossível, de conquistar aquilo que é difícil e conseguir provar o que ninguém antes conseguiu.

Você sabe, mais do que ninguém, que eu sou muito persistente nessas situações que envolvem o coração. Eu já fiz isso antes e não aprendi a lição. Ainda acho que é errado desistir de alguém assim, sem ao menos tentar.

Posso me esforçar em vão. Nada me garante que vá dar certo no final. Pelo contrário, se eu tivesse que apostar minhas fichas, não seria nesse jogo. Mas algo me diz que vale a pena, que eu seria um péssimo jogador se saísse do campo de batalha tão cedo assim.

Talvez eu saiba a resposta da minha própria pergunta, só prefiro ser cego nessa situação.

Deve ser o que o amor faz com os tolos.

V.

Viajante atemporal
Enviado por Viajante atemporal em 26/03/2025
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