Carta aos meus alunos: uma correção fraterna

Prezados, boa noite!

Gostaria de convidar cada um e cada uma para uma reflexão profunda sobre que escolhemos observar na sala de aula. No cenário da sala de aula, há tantas coisas: a mesa, as carteiras, os(as) discentes, o(a) professor(a), a central de ar, a porta, as janelas, as intenções e os aparelhos celulares. Quero nesse texto, direcionar minha reflexão apenas para os dois últimos elementos mencionados.

Os registros de uma cena podem ser fundamentais para uma brilhante recordação, no futuro, de um passado que fez história em nossas vidas. Nem sempre os registros que fazemos são relevantes, e talvez se tornam irrelevantes porque não são o objetivo maior de uma cena presenciada.

Ao longo de nossa caminhada, no ciclo da vida, presenciamos tantas coisas e, certamente, dentre essas, há aquelas não acrescentarão nada em nossa formação. E qual é o filtro utilizado por nós para sabermos disso? A nossa intenção. Não sou o Mestre Maior, Jesus Cristo, mas me permitam-me fazer uma metáfora, que não chega a ser uma parábola.

Certo dia, um homem, tomado de fome, caminha pela rua chamada consciência e no caminho se depara com alguns elementos, a saber: uma pedra, uma árvore, um monte de arei e um prato de comida? Qual desses elementos apresenta maior probabilidade de receber a atenção do homem que tem fome?

Na sala de aula, o homem que tem fome são os discentes da turma de Letras/20XX/Noturno. O que de fato é o objeto de interesse dos alunos: a aprendizagem ou os registros de cenas irrelevantes para a formação dos discentes? É preciso refletir bastante. Os registros indevidos podem atingir um superdestinatário, podem ferir e podem gerar constrangimento.

Diante disso, gostaria de solicitar, gentilmente, aos discentes um pouco mais de maturidade. Não desperdicem a atenção com o que não agrega na formação. Não direcionem as câmeras de celulares para lugares indevidos. Há tantos “babados”, na sala de aula, que podem ser melhor explorados.

Queridos, eu não estou apontando o dedo, não estou condenando, estou apenas convidando para uma reflexão profunda. O texto vai chegar a quem deve chegar. Eu desejo que, a partir de segunda-feira, sejamos todos mais maduros e direcionemos nossa atenção para o que de fato nos interessa. Tenham todos um bom final de semana.