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BRAZIL

||E então o capitão disse que o objetivo é retroagir para 40 ou 50 anos atrás... Retornamos ao tempo da brilhantina, às cartas, aos discos de vinil e vitrola, ao telefone com fio, a velha maquina de escrever, a caneta tinteiro, os contos da carochinha e ao sexo, ah! meu amor, ao sexo, pelo buraco do lençol.
É um tempo árido, sombrio, obscuro. Sinto frio meu amor. É tempo de escrever CARTAS...
Esta é uma de uma série que escrevi por ai : INTITULADAS CARTAS PARA NINGUÉM
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Teatro do absurdo - "Brazil", 24-06-2018
(sic) enquanto o resto do mundo é visionário e segue adiante o Brasil caminha pra trás.
||||Recortes para um café e um pão sagrado diário

Ao beijo sempre necessário para suportar o teatro do absurdo.

Se você some assim por que continuaria a visitar velhos abismos e montanhas ainda imersas? pra quem brilharei essa pedra que lapido, essa estrada cada vez mais estreita, sem tua mão, sem teu riso, tua inteligência e até tua promessa... Não devia te falar, mas andei sangrando um pouco mais sem tua companhia... Fique feliz que tenha vindo como um peixe a superfície e me dado um pouco de ar.... Amo nem sei porque, amo assim, e tua ausência te torna mais presente...
Eu estava com uma saudade tão dolorida. Da sua escrita que é como uma dança, como um presente frutado, sinto-me menos ácida, mais doce e menos dolorida, eu quis te abraçar em todas essas lonjuras, tocar teu rosto, te beijar a face, senti imensa saudade da tuas mãos suavemente acariciando os meus cabelos que amadurecem, senti falta de ficar quietinha, amorosamente do teu lado como já fizemos tantas e tantas vezes. Queria poder não dizer da luta, nem do luto, das lágrimas das mães da Maré enquanto as balas ricocheteiam, queria poder nada dizer dos inocentes tombados, não existir o uniforme manchado de sangue do menino Marcos Vinicius que foi alvejado pelas costas enquanto ia pra escola, queria poder não ter lido, visualizado aquela dor enquanto era enterrado debaixo de sangue e lágrimas e mais tiros que seguem pipocando em todas as favelas, queria nem lembrar da praga nefasta deste tempo cruel, de presos políticos, de gente abnegada que torce pro gol e corre pra televisão entretida enquanto erguem muros e criam crianças em gaiolas, queria poder desdizer destas noites sem estrelas, destes meninos sem nada, nada, e nada seria esse vão! Queria poder não doer por todas essas dores que doem e sinto em meu coração todas as dores do mundo, como não doer-me se eu não consigo ser sem sentir? Seria tão bom só o silêncio nos confortando do obscuro que nos espreita. Poder te amar com as mãos, com os olhos, com o coração e dizer que está tudo bem, que vai ficar tudo bem... Queria dizer e vim pra dizer que nunca partirei em definitivo (mesmo que tombem-me um dia), e certamente o farão, porque todas as bocas calarão, esse é o objetivo. Nunca partirei daquele que sempre me deixou e deixa com as mãos cheias e mesmo com esse tempo pavoroso/doloroso, ainda assim deixa-o pleno de poesia. Um beijo e um dia bonito pra você, siga sendo pão sagrado diário, sendo riso dentro da dor, você é remanso pra onde eu venho para matar a sede e a fome nesse tempo que fico sem comer e beber, só a pensar, pensar e pensar, e tudo o que consigo vislumbrar são tempos sombrios... São e serão longos dias meu amado, longos dias... Obrigada por amar-me do jeito que eu sou,

Com amor

S.A.
Serpente Angel
Enviado por Serpente Angel em 16/10/2018
Reeditado em 16/10/2018
Código do texto: T6477539
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Serpente Angel
Vernier - Geneva - Suíça
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