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                AS SUAS HORTÊNSIAS
 
      
Preparo o vaso com todo carinho do mundo. Nele depositadas as “hortênsias” entre as cores lilás para as mais brancas. Foi difícil encontrar, as mudas e sementes dessas belas e radiantes flores. Quantas foram as “hortênsias” dedicas e entregues a você. Foi através delas que tudo iniciou entre “EU E VOCÊ”.
 
       Estávamos naquela exposição de flores, entre enormes tablados de variadas e raríssimas espécies. Eu conduzia a minha avozinha, que também amava ardentemente as flores em geral.
 
       O espaço reservado às “hortênsias” estava bem ao lado das rosas, as quais vovó admirava com difícil opção para comprá-las, tão lindas e naturais da flora.
 
       A sua carteira caiu bem aos meus pés. Como um cavalheiro gentil, agachei pegando esse seu pertence. Num repente vi os seus olhos dentro dos meus e tocando em suas mãos senti a maciez da sua pele. Percebi que eu já a amava. Um amor à primeira vista. Faltava apenas o momento do encontro e àquela hora foi o nosso momento. Agradeceu-me a hospitalidade, pelo gesto do cavalherismo, pouco antes dedicado a ti.
 
       Com um bom gosto invejável, escolheu o seu vaso de “hortênsias” e foi se retirando. Não me contive, deixei a minha avó, me apressei chegando até você, que já se dirigia à porta de saída. Sem nenhum receio pronunciei: - EU AMO VOCÊ! Deixe o seu telefone! -Seria possível atender esse meu pedido? –Deixo o meu cartão de visita para você. Fiquei pouco chateado, você pareceu estar indiferente, quanto ao meu pedido. Porem levou o meu cartão, foi gentil. Ele o caminho exato e preciso da nossa eterna recordação.
 
       Naquele dia você se retirou calada, levando carinhosamente as suas “hortênsias”. Eu voltei para junto da minha avó, que assustou com esse meu procedimento diante de ti. Disse-lhe: -Encontrei o meu grande amor! Ela sorriu dizendo: -Sonhos de um menino! –Também passei por isso...
 
       Jamais antes, acreditava no “amor à primeira vista”. Achava isso dos autores romantescos, dentro do seu estilo de ficção ou até mesmo realidade. Analisava mais para induzir ou alimentar esperanças sonhadoras, aos leitores assíduos nesse gênero de leitura. Mas não foi, bem assim... esse amor brotou tanto quanto um raio ardente dentro de mim.
 
       Passei a sonhar com você, nem mesmo sabia o seu nome, de onde era ou tivesse surgido naquela manhã, de um dia florido no recinto daquela exposição. Recolhi intensamente para dentro de mim esse amor. Impossível o que se passava comigo, nunca havia me envolvido tanto com uma mulher, principalmente nesses parâmetros platônicos.
 
       Os meus dias passaram ser longo demais. Escrevia páginas e páginas para você. Batizei-a com o nome de HORTÊNSIA! Talvez não ia gostar, mas revelo: A MINHA HORTÊNSIA.
 
       Não via nada diante de mim, perdi o entusiasmo para os meus entretenimentos sociais, até no mais íntimo e particular. Somente uma HORTÊNSIA no meu pensamento, aquela que daria vida para os meus dias futuros, a companheira, a mãe dos nossos futuros filhos. Sonhei contigo, junto do nosso berço de amor, construindo muito a dois, com carinho e dedicação, ele o nosso lar.
 
       Entre a multidão assustadoramente muitos foram às vezes em que a minha mente se desdobrou e figurativamente a via. Quantas jovens eu toquei pelos ombros, depois constrangido pedia escusas. Em nenhum momento era você HORÊNCIA! E também nunca entrou em contato comigo. O meu cartão personificado, de visita, nada representou a você.
 
       O tempo foi passando rapidamente, eu procurando-a. Não medi esforços numa tentativa esperançosa por ainda encontrá-la. Tudo em vão! Você desapareceu no seu próprio infinito.
 
       As marcas do tempo me fizeram cronologicamente, hoje um velho solitário tendo ainda a minha musa HORTÊNSIA dentro de mim.
 
       Cultivo no meu jardim espécies diversas de “hortênsias”, azuis, brancas, rosadas... até aprendi também que são conhecidas como rosa-do-japão. Elas, sempre lindas simbolizam os meus sonhos não realizados. Dos canteiros trago algumas para dentro da minha casa. Fico triste quando elas murcham, pois sinto isso como uma ferida, agulha... por nunca mais tê-la encontrado.
 
       Sem nenhuma resposta de um louco ou sonhador, uma história vinda dos deuses ou duendes deixo essa “CARTA” junto do  meu vaso das “SUAS HORTÊNSIAS”.
 
 
 
CARTA –AMOR-
FONTE: DIVERSO UNIVERSO DE CRÔNICAS
Autor do texto e ilustração-Foto-(DEGRADÊ):
Prof.Roangas -Rodolfo Antonio de Gaspari-

 
 
 
 
 
 
 
roangas
Enviado por roangas em 23/11/2009
Reeditado em 26/11/2009
Código do texto: T1940070
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
roangas
Porto Ferreira - São Paulo - Brasil, 73 anos
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