DIÁLOGO INTERTEXTUAL ENTRE A PULSÃO LÍRICA DE EDGAR ALAN E SEBASTIÃO BEMFICA
Resultados da pesquisa
[PDF]sebastião bemfica milagre: um lírico da modernidade em ... - UFSJ
https://www.ufsj.edu.br/.../A_DISSERTACAO_de_JOSE_JOAO_BOSCO_PEREIRA.pdf
22 de mai de 2009 - intelectual do escritor de Divinópolis: Sebastião Bemfica Milagre ..... época as obras entre 1972-1990: Gritos, Itinerário dos diferentes, ...
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Quem sou eu?
BOSCO PRODUÇÕES DIVERSAS
João Bosco possui graduação em Letras (1995) pela Universidade Federal de São João del-Rei – UFSJ, mestrando nessa mesma universidade; em Filosofia e Teologia (1981-86) e pós-graduação em Educação Especial (2001-2) pela UFLA. Lançou Momentos Poéticos (24/out./2006). Cronista desde setembro de 2004. Cronista desde 2004. Professor desde 1992. Lecionou Comunicação e Expressão no Centro de Ciências Gerenciais – UNA/BH (1999-2002). Sua vocação à poesia e a crônica vem da vida familiar, da pessoa de seu pai Sebastião Pereira (20 de janeiro de 1932 a 28 de janeiro de 1991). Teve diversas participações em eventos culturais como contador de histórias e poeta. Fez disciplinas de literatura e lingüística na UFMG E UFSJ. No prelo, O Faquir, Poesia para o Século XXI, A tormenta Existencial e Diário do Sebastião Pereira. Visite meu blog agora: www.blig.ig.com.br/poetajoaobosco
Visualizar meu perfil completo
http://boscoprodutions.blogspot.com.br/2010/10/dialogo-intertextual-entre-pulsao.html
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Sebastião Bemfica Milagre: biografia do poeta
http://letrasamoda.blogspot.com/2009/06/sebastiao-bemfica-milagre-sebastiao.html
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Sebastião Bemfica Milagre nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, aos 2 de setembro de 1923. Filho do casal Olyntho Bemfica Milagre e Deodata Maria Sempreviva.
Estudou no Ginásio São Geraldo em Divinópolis, indo, posteriormente, concluir seu curso em Belo Horizonte, no Colégio Arnaldo. Sebastião não chegou a fazer curso superior, encerrando seus estudos no Curso Clássico (hoje, Ensino Médio).
Casou-se com Maria da Conceição Natividade (Lilia) em 8 de dezembro de 1944, com quem teve quatro filhos: Antônio Weber Natividade Milagre, Sebastião Bemfica Milagre Filho, José Olinto Natividade Milagre e Paulo Rodrigo Natividade Milagre. Chegou a conhecer todas as noras (Priscila, Iolanda, Sueli e Rosângela) e todos os netos (Murilo, Marcelo e Fábio) e netas (Vanessa, Daniela, Samanta, Letícia e Patrícia).
Foi Escrivão de Polícia na cidade de Divinópolis por mais de 30 anos, tendo-se aposentado nesta profissão. Como sua despesa com a família era muito grande, pois mantinha três dos quatro filhos estudando em Belo Horizonte, Sebastião vendia seguros, trabalhando sempre à noite, quando lhe restava algum tempo. Após sua aposentadoria como Escrivão de Polícia, fez concurso para Leiloeiro Oficial da Zona de Leilão de Divinópolis, tendo exercido esta profissão por aproximadamente 17 anos. Trabalhou também na secretaria da FAFID (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis) – hoje FUNEDI.
Uma das coisas que mais marcaram sua vida, por ser muito religioso, católico praticante e atuante, foi sua nomeação como Ministro da Eucaristia, quando era Bispo, em Divinópolis, Dom Cristiano. Sentia-se extremamente honrado com a função de distribuir a Sagrada Eucaristia.
Em 2 de novembro de 1970, teve um grande baque em sua vida, que foi o falecimento de sua amada Lilia, com quem viveu um real matrimônio por 26 anos.
Em 1976 casou-se, pela segunda vez, com Maria do Carmo Mendes. Sebastião era um amante da literatura, tendo escrito e publicado mais de 20 livros de poesia. Extremamente apaixonado por música clássica, fazia, sempre que possível, audições diárias, de preferência com luzes apagadas, o som alto, em sua sala, especialmente preparada para isso, com 65m2 de área, onde 4 caixas de som ficavam espalhadas de forma que se podia ouvir, com maior percepção o som stereo das músicas. Chegou a colecionar mais de 300 fita magnéticas e aproximadamente 100 discos (LPs), nos quais chegou a ter um grande e variada coleção de composições raras de música clássica mundial. Gostava também de cantar e tocar violão.
Também dirigiu e apresentou um programa de músicas clássicas pela Rádio Divinópolis (AM). Foi um dos fundadores da Academia Divinopolitana de Letras (ADL), onde ocupou a cadeira de número 02.
Deixou, pela trajetória de sua vida, pelo menos sua marca de sabedoria, paz, honestidade, um sorriso alegre e sincero que, até hoje, é lembrado, com alegria, respeito e admiração por todos que o conheceram e souberam amá-lo. Sebastião faleceu em Belo Horizonte, no dia 22 de fevereiro de 1992, aos 68 anos de idade.
(Extraído do livro: Sebastião Bemfica Milagre, O Poeta de Divinópolis - Pedro P. Bessa)
Considerações:
Sebastião Bemfica Milagre apesar de ser uns dos grandes nomes da poesia divinopolitana, é pouco conhecido, até mesmo pelos próprios conterrâneos. No entanto, foi bastante reconhecido em sua época, tinha uma característica diferente, que era de publicar com seus próprios recursos e distribuir gratuitamente seus livros, exceto o primeiro deles, Via-Sacra, que foi vendido e sua renda revertida para a Igreja. Ele editou os seguintes livros:
Via-Sacra (1960)
Gomos da Lua (1963)
Toma cuidado menina (1965)
Pão de Sal (1966) Pastilhas (1967)
Gritos (1972) Homem Agioso -
Itinerários dos Diferentes (1974)
O Mundo Mundo-Outro (2 vols. 1976)
Sozinho na Multidão (1979)
O Mundo e o Terceiro Mundo (1981)
O Homem e a Caixa Preta (1982)
Almanaque - O Lírico da Noite (1985)
3 em 1 (1985)
Lápis de Cor (1986)
A Igreja de João XXIII (1986)
O Viaduto das Almas (1986)
Lixo Atômico (1987)
Doador de Sangue - Procissão da Soledade (1990)
Quarteto de Sopro - O Nome Dela É Perpétua (1991)
Postado por BOSCO PRODUÇÕES DIVERSAS às 04:44
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soneto “Sombras” em Sozinho na Multidão (1979, p. 73), de sebastião Bemfica Milagre
Lindo soneto “Sombras” em Sozinho na Multidão (1979, p. 73), de sebastião Bemfica Milagre, em que realça o esquecimento e as sombras da memória:
Ó sombras, tristes sombras peregrinas
Que vindes quando a lua se levanta
E dormem frágeis, pálidas ondinas
Num leito de águas que balouça e canta;
Visões de névoa e doces serpentinas,
O que vos prende a terra e vos encanta?
Que sóis? Papoulas, gazas superfinas
O pranto sufocando na garganta?
Sois alma? Espetros? Que buscais no espaço
Nestas horas de brando esquecimento
Em que o mundo repousa de cansaço?
Buscamos ser alguém, embalde! O vento
Nos leva em noites mortas e augurais...
E somos sombra...
Sombra e nada mais...
Postado por BOSCO PRODUÇÕES DIVERSAS às 13:37 Nenhum comentário:
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Alguns sites em que há artigos meus.
Olá amigo João Bosco, seguem os links de alguns que têm artigos seus em VF:
http://www.viafanzine.jor.br/cronicas.htm
http://www.viafanzine.jor.br/cultura.htm
Entrevista com vc:
http://www.viafanzine.jor.br/entrevistas3.htm
Agradeço pela difusão de nosso trabalho,
Fraterno abraço,
Pepe
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CANTO AVE SEMPRE BELA E SONETO
Ave, sempre Bela,
Virgem Mãe de Deus.
Do alto mar, Estrela
Porta azul do Céu.
Novas o Anjo traz,
Ave Te saúda,
Funda-nos na paz!
De Eva, o nome muda.
Dá-nos, vida pura,
Um caminho certo,
Para quem procura,
Ver Jesus de perto!
Fonte da pesquisa: Liturgia das Horas, Comum de Nossa Senhora, p. 1764 - antigo ofício de Nossa Senhora ou breviário dos padres.
QUASE CENTENÁRIA
Divinópolis quase nossa Centenária!
Recorda-te, sereno, história do povo:
O Divo Amor pairava nesta água de novo...
O Candidés torna-se figura lendária.
Busca nossas Raízes cor imaginária.
Havia, nesta luta, tal sonho de renovo...
Páginas da história: fé e teu mito louvo.
Hoje cantemos hino de louvor qual ária.
Que sã alegria fazer parte desta História!
Que dádiva divina lembrar sua Memória!,
Sabendo-te ator, honrando pois nome dela.
Tua imagem, Deus permita jamais esquecer:
Amor à vida, te refaz em aquecer.
Canto feliz teu hino, Cidade Bem Bela!
Homenagem ao meu PAI Sebastião Pereira
que amara, em vida, tanto as árvores.
Hoje, dia 25 de nov. de 2007.
A árvore, filho meu, tem verde alma!
Vêm sendo-nos abrigo e nutrição...
A semente sua, brotos vêm da lama:
A fome, não! E sim, fruto-ação!
Este Pai diz: - Zaqueu sobe sem calma,
Ouve o Cristo sobre a recriação?
É passagem de Deus em cada palma,
E Jesus pede: - desça, dou Perdão!
Eles se contemplaram, pois, à sombra!
O porvir em hinos: história lembra!
Viva árvore em vida, sentindo-as,
As árvores não são contra suas gentes:
Para as florestas, todos são viventes.
Vem logo filhos seus à sombra delas!
À DIVINÓPOLIS
CANTO SOLENE A DIOCESE DE DIVINÓPOLIS
Homenagem ao seu cinqüentenário
Letra de José João Bosco Pereira e musica: Tonico dos Rouxinóis
Salve Maria, oh! Diocese Graciosa!
Hoje vamos cantar Nosso Hino:
Desta graça, clamemos: - Jubilosa!
Santo Espírito vem sobre nós!
A Diocese pede nesta prece:
- Santa Maria desata estes nós;
Com Jesus, trabalhamos na messe.
Vem, ó Mãe Pura! Queremos te louvar;
Desta Diocese, és padroeira!
Dá-nos, Mãe, atitude de amar:
Viver Cristo em nossa fé mineira.
Irmão vem; viva a perseverança.
Divinópolis, viva linda festa!
Hoje e sempre, Jesus é Esperança:
O Dom, nesta vida, se revela!
ESTRIBILHO
Salve, ó Deus, a Terra do Divino!
Salve Maria, oh! Diocese Graciosa!
Hoje vamos cantar Nosso Hino;
Desta graça, clamemos: - Jubilosa!
Postado por BOSCO PRODUÇÕES DIVERSAS às 13:03 Nenhum comentário:
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MOMENTOS POÉTICOS MEU LIVRO - JOÃO BOSCO
LÍRICA AMIGA
Se todos que vivem juntos
Se amassem,
A terra brilharia mais que o sol!
Para isso, se há algo a esperar:
Aceite o outro como é!
Pois não há ninguém que não erre:
Veja que Deus – é único que não falha
No entanto, encarou nossa malha.
Fez-se carente e limitação por nós
A fim de, em Cristo,
Se revelar na contingência humana.
Se a Deus queres ver,
contempla em todo ser
E no próprio coração o encontrarás.
O amor opera em ti e no outro!
Quanto esforço inútil?
Viver por viver?
Não descobrir que somos únicos,
Que a Terra é o que fomos nós.
Perdoa sempre a ti e aos outros...
Essa é a chave da tua vida e amizade.
A flor não fala
E deixa seu perfume,
Naqueles que a tocam
Onde fores lembra-te
Da pessoa amada.
Peça a Deus Nosso Senhor
Que abençõe teu labor
Que firme teu amor
Que dirija teu ardor
Pois Ele ouve as criaturas
Que o bem procuram
Com coragem e branduras.
O GENTIO E A ORAÇÃO
Certa vez um grego rezou!
Em Fedro 279 b,
Platão nos recorda essa sublime alma:
“Ao céu implorou um pagão,
do seu peito fluiu uma oração:
‘Senhor, concede-me
chegar a ser belo interiormente,
e o que venha ter
e acumular exteriormente,
esteja em harmonia
com o meu interior.
Ainda consintas
que rico seja o sábio
e, quanto à riqueza material,
tenha em tal quantidade,
que seja ideal
para a posse
e prática do bem,
Como um homem sóbrio.’
Como Deus
não ouviria
essa prece?”
GRATIDÃO À MÁRCIA
Este soneto dedico à Márcia,
Venho gentilmente enaltecer.
Este livro de poesia e memória,
Venho, alegremente, agradecer.
No primeiro instante de vida,
Destes Momentos Poéticos,
Sinta, então, você engrandecida,
Primando-se em modelos éticos.
Para quem promove o outro,
Nisso, sua alma eternizará!
Sua vida brilhará qual ouro...
E ao futuro seu nome legará.
E a cultura será seu ancoradouro.
E o bem a todos chegará.
O LIVRO
Na biblioteca procuro um livro!
Quando o acho, fico contente.
O que descubro é exílio e lírio:
A pesquisa é novo expoente.
Ler parece um martírio, sem fim,
Quando do livro não se tem gosto.
Mas se a leitura cativa a mim:
O prazer está além do imposto.
Se a vida não se reduz ao alvoroço,
Urge criticar o conteúdo proposto
Decorar fórmulas é só um esboço.
Mire a alma ao infinito, ao conhecimento,
Ao analisar as entrelinhas do não-dito.
Ao fim da pesquisa, sinto contentamento.
ANTROPÉIA
A vida flui no remoto passado,
Mesmo havendo labirinto sutil,
Fascínio em desígnio descoberto,
Oculta e Impregna mistérios mil.
O antropóide passou a pensar:
O primata ludificou o fogo e o jogo.
Nele, liberdade flui como néctar.
A angústia da morte revela-se logo!
A Renascença veio do humanismo.
A dicotomia entre filosofia e emoção.
descortinam desafio ao etnocentrismo.
A síntese da inteligência é o coração.
Urge vencer a indiferença e o racismo.
A antropéia desafina; tolerar é sugestão.
MINHA VOVÓ ROLA
Saudades de teus olhos azuis,
Maria Luiza de Jesus,
Ainda sinto a alegria da viver
Uma fé inabalável no bem,
coração capaz de acolher
Foste viúva, mas não solidão!
O povo de Arcângelo a ti recorria
Dia e noite, teu rosto aos netos sorria.
O exemplo, que unia, vinha da oração.
Virgem de Fátima era tua devoção!
Missas, não perdias: sentias Cristo!
No irmão, acolhias com retidão.
De quem não caducou desde então.
Com seus 90 anos, conseguias
Sustentar a luta na esperança,
Tua atitude alumiava nossos dias.
Serena, contagiava tua crença.
Ouvias com amabilidade,
teu coração e tua devoção.
E entendias com facilidade
a grande família com emoção.
Nossa alegria era ver-te chegar
Vinhas, contente, a todos abençoar
O céu nos granjeou nossa vovó
Ditosa e virtuosa, esperto olhar.
Papai caçula, com carinho, te olhava,
Com toda dedicação, acompanhava-te.
Passaram-s anos, ele não se distanciava;
Triste ficou quando o deixaste...
VOVÓ LÉA DELVECCHIO TRINDADE
Com Lucas bebê ao colo sorrias,
Uma foto selara aquele momento.
O menino agora contigo dormias:
Olhavas feliz após o sofrimento,
Invocavas o Padre. Francisco Gonçalves,
Ao terço terno, em mui doses, cingias,
Milagre de Ave-Marias entre reveses.
A Nosso Senhor, em preces suaves pedias.
O céu coloriu de novo a nossa história!
O Lucas renascido a ti sempre amou.
Deus presenteou-o com a vovó querida.
Paraíso, cheio de bênçãos, das dores o livrou,
Contempla, ó Lea, a Trindade e a Virgem Maria,
Lucas, não esqueça de tua vovó amada em vida.
MINHA MÃE
Linda por dentro e por fora.
Digna dos filhos e do lar,
É a pérola da família e história,
De fato, tem perfil de educadora!
Mulher virtuosa e mão bondosa.
Soube desde agora e outrora
Viver com os seus como generosa,
Formando gente de honra
Aceita nossa gratidão e amor
Diante deste materno olhar, azul
À Virgem eleva nosso clamor
Brilha nossa estrela no sul.
Daquela cuja vida
Tem sido alegria
Ainda dor incida
Nessa harmonia
Evoquemos os exemplos
Da mãe carinhosa,
Que os céus amplos
Digam-nos: radiosa.
De sabedoria e amor
Com os frutos da fé
Na luta contra rancor
Tendo a casa como sé.
LEMBRANÇA PATERNA
Assim era o tempo de papai:
À porta da casa, assentado ficava,
As pessoas que com ele conversava,
Depois de um dia no consultório dentário.
Onde nasceu morreu!
Foi criado nas terras de Cajuru,
Nome antigo de São Miguel Arcângelo.
Seus pais viviam no Ribeirão Chaves
Entre Madre de Deus e Arcângelo.
Um dia, dos pais, pequeno, se despediu.
Foi estudar e fazer a vida longe,
em direção à cidade sumiu.
Tudo na casa de campo
Lembra meu pai na horta a plantar,
debaixo da árvore a ler
e aos campos a percorrer.
Sua vida ele contou:
Fez seminário, contabilidade,
Odontologia e advocacia.
E vejo como hoje,
Chegava bem à noite,
No Banco da Lavoura
Trabalhava mais tarde
Ah! Que saudade
De meu pai querido
Presente que Deus
Me deu em vida.
CANTO À ÁRVORE
A árvore, meu filho amigo, tem alma!
E ela nos serve de abrigo e nutrição...
A semente e brotos nascem da lama:
Vencer a fome: colher frutos é solução!
Mas, pai, por que este hino vamos evocando?
O pai narra: Zaqueu à árvore vai subindo,
nas escrituras, encontra o Cristo: “Daí desça,
a salvação reina nesta casa,” Quero que cresça.
O pai e filho se contemplaram na sombra!
Viva as árvores: nossa vida e, sentindo-as,
A posteridade canta cantigas, e história lembra!
Não são antíteses: os sicômoros e gentes:
Os filhos brincam, estudam debaixo delas!
E futuro e floresta amanhecem contentes.
INFÂNCIA
Chego a casa, vejo meus pais
Como são amigos;
Imperfeitamente amigos:
Eles me amam como sou
Eu lhes quero bem.
Talvez o triste de muitos
É não ter um lar para onde ir
Ou fugir do lar que se tem.
Ou acreditar amargamente:
- A família é apenas uma instituição
Burocrática, contraditória, tradicional
Outros até já decretaram seu ocaso.
Esqueceram-se de suas origens?
Seus lares fracassaram?
É necessário ser moderno
Para negar o valor de um lar?
Meu lar é ainda bom
Com todas as sua chatices:
Lar é infância!
É café quentinho, volatizando sonhos
É papai ainda no gabinete a tirar dentes.
É mamãe fazendo doces e quitandas.
Ora papai pegando no pé para estudar.
Ora mamãe costurando nossas roupas.
Agora, anos se passaram...
A foto está na parede do coração:
A recordação faz doer a alma.
E a memória instantaneamente
Rumina emoções e situações.
Agora, inevitavelmente,
Eternizados no tody com fumaça na xícara
Apropriados nos passos do filho novo que nasce
E etéreos como uma mitologia,
Cujos deuses são bem humanos...
Para quem gosta de ler esse álbum,
Ainda no mofo parece pulsar...
Uma memória ainda vivamente intrigante!
Feliz dia de sua famíla!.
ALFENAS
Cidade singela
Vê no sul de Minas,
Que na passarela,
Bela via sintas!
Não sou de Tiradentes,
Nem barroca são João,
Mas busco liberdade,
E gosto de música.
Como é bom revê-la!
Meu lar era de três irmão.
A história começou
E o dentista se formou,
E o menino no colo da mãe
O céu abençoou.
Recordações tenho:
Imagem dos padrinhos:
carinho de gente:
boas de coração.
Anseio estrada
Sinto Alfenas
Como ninho e ancora.
JOSÉ, E AGORA!
O quartel passou
O seminário se foi
Teu pai partiu...
Os amigos se debandaram
Hoje você tem mulher,
filho e obrigação,
Veja que tudo mudou!
Nem o soldo, nem a pastoral,
Nem a protelação
Podem resolver
O que você precisa fazer!
Resta agora
sua ação
Seu trabalho
Sua família
Sua educação
Para legar
o desafio e o prazer de viver
Ao Filho
Se você vencer
Se você lutar
Se você pensar
Que há Deus
Pai para ajudar
A vida fica diferente:
Os desafios são prementes,
As pessoas não nasceram prontas
Estão por serem gestadas!
Somos eternos
Aprendizes de nosso viver.
Siga seu coração,
Não se deixaste robotizar
Aprenda a amar si mesmo,
O céu só pode-o sustentar:
O mistério não o desabonará!
A morte não será apenas um fim...
PAULO AUGUSTO (03.07.92)
“Nostra laeticia
est primus!
Dominum laudemus,
Em est vita pulchra!”
Três mundos há:
O seio materno
O solo da história
O divino reino.
Sua vinda nos alegra
Atrai sendo pequeno
Lembre-nos Jesus menino
Lembre-nos vida afora
Que somos iguais
E também diferentes
Pois sendo novo
Somos únicos
Tão boa mãe esperou
Tão feliz o pai olhou
Todos contemplaram
O que os céus deram
Augusto é belo,
Paulo é apostolo,
Impera o bem
Em teu leito. Amém!
Salve feliz 29 de junho
Basta trocar o dia
Para 92 amanhecer
Paulo Augusto no nome
Sempre tenha renome.
LUCAS, LUZ DA NOSSA VIDA
Do nascimento até agora
Sempre o olho e me alegra
Saber que a vida vencedora
Da morte e da dor nos agrega
Como uvas em vinho na adega
Contemplei-o desde a aurora
Noites aos pés da cama vigiara
De dia, banho, passeio, carregara
e ao médico, mãe e pai o levara
Aos poucos, tu encheste de primavera
Nossas vidas, em teu rosto os traços herdara
Como crianças na ágora
Como Sócrates que sonhara:
um povo e filhos; projetara
a eternidade na efêmera
passagem – riso viera
após dias de tua vitória.
O verde de teus olhos brilhara
Ao ver o mundo, iniciara
A descoberta de tudo, a aurora
da vida aos sentidos tivera
Novo ator, a musicalidade soara
E teu rosto sempre contemplara
A alegria; e o aconchego viera
Como presente nos comovera
E sempre tua presença contagiara
Nosso coração – Lucas nascera!
CAIXINHA DE DESEJOS
Certa vez
No dia dos pais,
Minha filha,
Dei-me uma caixinha:
Um presente secreto.
Hoje eu a peguei:
Está amarelecida pelo poder
corrosivo do tempo..
Embora idoso, meus sonhos
não são idosos.
Vejo direitinho
Aquele dia
Minha filha, só a telefonia
Pode agora alcançar:
Está em outro lugar
Naquele dia da caixinha:
Não vi nada
Apenas um fundo vazio
Mas a minha filha
Disse estar cheio
Cheio de carinhos
De bem-me-queres
Guardo feliz essa lembrança
Que levarei comigo
Um dia,
Um mês,
Um ano...
Hoje, são dez anos:
Ela cresceu,
Mas é minha filha!
MOTIVO DA ROCHA
Na areia, a casa cai sem fundamento.
Na rocha, ela tem seu enraizamento.
Ronca roda ronda rumo...
Quem pode suportar Netuno?
Cristo Rocha, Francisco de Assis tocha!
Maria nossa, a Igreja possa
Ser base de um mundo unido...
Claro-escuro da graça toca!
“Tudo fizeste sem nós, ó Deus,
mas não nos salva sem nós.”
Diante da tempestade, infunde a sé
E vigor do Cristo: doce albatroz
Tudo passa, só tu ficas!
Inspire ao coração sabedoria
Do Verbo contra a tirania.
SE ESTA RUA FOSSE MINHA,
Eu pintava de azul todinha,
Com alegria no horizonte,
Com sorridente semblante,
Só para meu bem entrar.
Nesta rua mora gente,
que vive contente
um convívio de paz,
porque é feliz e capaz.
TIRADAS
Sem
Mais
Reais,
Nosso
Povo
Sofre
Anos;
Com
Lula
Quer:
Fome
Zero,
Brasil
Melhor!
CRIAR NA DOR
Sol torto nos galhos do sertão seco,
Chuva que não chove, reclama a alma,
Como triste pesadelo infinito e oco,
Ái, coração! Empedernido como drama...
Dias de sede: miragem de pó em desertos!
Assim, a mente cheia de sonhos morrendo...
Meu povo sofrendo, teimoso e resistindo
como insetos em cerrado, cupim e cactos
Carne: terra a dentro – ardendo,
Água: sedento povo merecendo.
Será que além, outros vivem essa dor?
E tem vigor para amar sofrido labor?
Sinta o quão é tensa a miséria...
Não queira isso para tua Tutaméia.
Campos floridos e gente feliz,
Estou lá como o peixe em mar
O suor escorre e a visão alude
Um mundo novo é o paraíso.
O nosso sertão:mundo afora! -
OS IMIGRANTES
Sol Mediterrâneo da terra de Garibaldi e Danti,
Pisam as montanhas alterosas das Vertentes
Com sonhos e desafios mil - inconteste,
"Depois, corações são aclimatados noutras vargens ..."
Dia a dia: miragem do porvir
Assim a mente cheia de saudades da Itália vertendo
Um povo diferente teimoso e cantante:
migrantes, nos prados, nova linhagem gerando
Esperança: terra adentro - desejante,
Um nicho de uma nova identidade .
Será que as novas gerações mantêm esse "modos vivendi"
E elas têm vigor para amar o labor?
Sinta você como é tensa a histórias de duas etnias,
Construindo uma nova Tutaméia!
(voz de Minas em Guimarães Rosa)
Plantações floridas e gente feliz,
A diferença acontece lá como o vinho na adega
O suor escorre e a visão projeta
Um mundo novo de utopias: desencontro, encontros...
Giarola, César de Pina, italianos se tornam brasileiros! -
AO MEU AMOR
No mundo nada se compara
A delícia que exala
da paixão por ti.
Que não seja só uma atração,
Pois o amor quer continuar
Além deste lugar
Os anos passarão: sempre voltarão ao começo
É o alicerce do amanhã,
Ou a recordação do passado sorrindo...
A flor, a rosa, a gata podem um dia mudar,
Mas aqui dentro somos
Eternamente Jovens (filme).
POÉTICOS COMPASSOS
Se a mente não mente,
Corre o coração a dizer.
Que, na escrita, a letra reticente
E a leitura possa trazer
Palpitações sentidas e vividas.
Um dia me lerão,
Com saudade de mim!
Sua poesia foi um clarão ou faísca
Para os que vão aqui e além.
O limiar transita e transpira
Vida e morte.
Confesse alma gentil
Dizendo porque partiste
Deixando em todos sua porção?
Ao dizer o que sinto,
Traduzo o que outros vivem...
Sou de todos e de ninguém,
Pois a poesia é comparsa,
Compasso do tempo.
O NADA
Não sou nada
Deus tudo fez do nada
Tudo volta um dia ao nada
Ávida passa num segundo.
Nada do que dizem poder ser verdade
Nada se perde, tudo se transforma,
Nada acontece em vão!
Sou um nada, então!
Nada eu sou?
Tudo é oposto ao nada?
Fiz nada para merecer a existência...
Nem pedi para nascer...
Sou como Jó quando a dor vence, vem...
A noite , o universo estrelado:
Indicam um plus acima de nossa vidinha;
Será que existe vida além daqui?
Sem ar, volto ao nada: tudo passa!
Nada fica: tu és pó...
Não foi nada
Nada consta
Não enxerga nada
Não, eu não fiz nada...
Não sei de nada...
Você é um nada...
Nada, porém, acontece em vão,
Ninguém tem razão
Isso me parece uma aberração,
Nada acontece por acaso...
Fiz nadinha...
Nata, nato, nonada, natural, nação, na mão
Contra mão da história...
E justificamos nosso erro,
Aplaudimos nossos acertos,
Escondemos nossa empáfia,
Pisamos em quem não tem nada:
Acumulamos riqueza
Que traça há de comer:
E dizemos nada saber!
HISTÓRIA DE NÓS DOIS
Muitas coisas eu vi, ó moço,
À noite, nos braços dela...
Conto ainda com os olhos
Em brilho e os lábios molhados.
Um amor não tem preço,
Nem se encontra mesmo no pregão da bolsa de valores...
O sonho se conquista e há casos, ó moça:
São histórias de ontem, de hoje e outras de amanhã:
De plebeus e patrícias...
De princesas, Gatas Borralheiras,
De Brancas de Neves, ou Chica da Silva...
Ou talvez um amor impossível de Romeu e Julieta,
Talvez de Esmeralda, Senhora, Diva...
De Damas e Vagabundos...
Destas mulheres ou Celebridades
De lindas Belas
com estranhas Feras...
Não importa a língua, a tradição, o tempo...
Ou a eternidade.
Muitos ficaram consagrados em fotos,
Outros em filmes, outros em novelas.
Ainda outros em romances e contos!
E, teus casos, amados e amantes?
São da pedra, da antiguidade clássica?
De um Abelardo e Heloísa?
Do gótico ao medieval?
De Dom Quixote?
De Eugênio e Margarida?
De Bentinho e Capitu?
De Ceci e Peri?
De Joões e Marias?
Se for ainda do flerte do romantismo,
Ou talvez lá do outro lado do mundo
Entre budistas e gregos,
Croatas e Sérvios,
Talvez aqui no terceiromundismo,
De Mineiros e gaúchos?...
Do castelo à choupana,
Tu contas uma linda ou difícil história
De um Grande Amor.
Vejas que o retrato está no álbum
Dos nossos pais o retrato, à parede!
Tão difíceis e nobres
Como Deus assim quer o teu e o nosso...
OBRÓIDE
Óvulo
Ovo
Voto
Modo
Mola
Lona
malus
Latus
Strictus
Sensu
Rogo
Golo
Lobo
Galo VIDA Bolo
Dolo
Lodo
Tolo
Lótus
Demus
Mudo
Doro
Rubro
Brotus
Natus
Tudo
Burlo
Turvo
Moro
Rotus
Novo
Rolo
Una
Uma
Onda
Dado
Amo
Domus
Olé
Ledo
Ouro
rolo
EM CRISTO TODOS UM
“Há mistérios
Que estão acima
De nossa vã sabedoria...”
Desde a criação
Politeístas
Monoteístas
Deus da evolução
Povos inteiros
Oriente e ocidente
Cantem a Deus
Povo de Israel - Abraão - Levi
Jacó (Israel)
Isaac e os profetas
José do Egito
Judá – Moisés - Josué
Juízes
David - Salomão
José, Descendente de Davi.
Dimas – João – eu – você – Jesus: centro da história – Tiago – Judas Tadeu
Filipe – André – Pedro todos meus amigos– Paulo – Bartolomeu
Maria – mãe de Jesus
Maria negra e de todas
As raças e lugares
Madalena- Santas mulheres
Todas as mulheres - Diaconisas
Mateus- Lucas -Marcos
Mártires de Belém , Roma, do mundo
Mártires de todas as guerras – dos campos nazistas
Santas virgens
Doutores e doutoras da Igreja
Gente da igreja e fora dela
Patrística - Papas santos e pecadores
Bispos – Sacerdotes – diáconos
Povo de Deus: porção do Reino de Deus
São Francisco de Assis e Santa Clara
São João da Cruz
Dom Bosco e as pastorais dos menores
Todas as religiões,
Todas as igrejas...
De boa vontade...
Teístas - Ateístas
Crísticos - acrísticos
gnósticos - agnósticos
Todos os homens e mulheres
Todas as mulheres e homens...
Todos os nossos filhos e filhas.
ALÉM DA DOR
Nossa vida tem mais trunfos.
Permita, senhor, que no labor.
Cresça a união e a paz juntos;
Tenhamos alegria e frescor!
Você: quero cada vez mais,
Como presente, muito mais.
Ritmo e sorriso, dor e siso:
A vida afora, está na hora...
Entre beijos e ternuras,
Nosso romance vivamos!
O futuro, nada temamos...
O tempo amadureça
Nosso inquieto coração,
Que tem sonho e razão!
AO FREI ORLANDO
Morada Nova tem mineiro franciscano!
A todos sorriam devido às suas piadas.
E o capelão ama pobre e o pequeno
Seu rosto rima com muitas risadas
Mostrou que o calor da amizade
Vale muito e enaltece o coração.
Viveu o evangelho na sinceridade:
A todos dava a palavra de irmão.
Aos soldados, na solidão, sua presença
agia solícito qual anjo da guarda.
Era riso a preencher do lar a ausência
Sua farda mortalha sagrada
Sua ternura sublime lembrança
De uma vida hóstia consagrada.
PAI-NOSSO
(Antônio Viera parafraseando Mateus 6, 9)
Padre Nosso: eu digo, para viver a fraternidade.
No céu estás, que habites na terra em paz.
Teu nome santo encha o mundo e a vida dos cristãos.
O teu reino venha se houver justiça aqui,
Faça-se tua vontade: como Maria, Jesus e os santos...
Partilharam a esperança e o pão de cada dia.
Mas o maior desafio é perdoar como ele nos perdoou!
Se assim não fizermos, o Pai não fará!
Para termos forças na tentação do poder, do prazer e da riqueza,
Que a corrupção não se instale em nosso coração:
Mas é Deus que nos dá o Espírito de Jesus
Para vencer o maligno e o mal
Já que temos a inclinação desde o pecado original.
À MULHER
Neste dia de sua data,
Ó mulher, quero lembrar:
Cada uma que nasceu neste solo
Cada mulher pobre
Cada mulher negra
Cada mulher branca
Cada mulher de todas:
As raças, as religiões, de todos os tempos
De todas as cores e humores...
Sei que todas, uma a uma...
É presente para Divinópolis
É maneira e força
Criatividade e coragem
Dor e alegria
Sentiram aqui
Em suas vidas.
Em suas idas e vindas
Teceram gestos e exemplos
Tomara, que Deus queira
Que nossa vida seja inteira
Que cada dia e cada mulher
Gere presente para vida melhor
DEUS E A POESIA
Depois de todos os seres,
A poesia é a mais versátil
Depois de mim e você,
Ela é a mais fecunda.
Ao homem, deleite e apluma;
Alenta a alma em bruma;
Conforta o coração na paixão
Atiça o corpo em sedução...
Transforma a ruína em sina
A letra se torna malha fina
Resgata sem medo o meio sagrado
Assume sem receio o veio do profano
É caixa de Pandora, surpresa
Afrodite esbanjando beleza...
E Prometeu o fogo em leveza...
Depois de todos os males,
Vem a dócil poesia
Consola com o vinho e trigo
Farta com mel e cinge a terapia...
Ela é manjar de cada dia
Ele constitui frescor e ardor
Suplemento e fresta de porões mil
Irriga a carne e o espírito entre poros sutis
Quando a dor amortece, ela surge com trepidação,
Quando emoção reclamar sua parte, é sede e ilusão,
Quando evade o além, ela insiste ser ainda real...
Quando enfoca o social, revela sublimação de energia,
Quando na solidão nos mergulha, é mão de ternura,
Quando denuncia, a alma se inquieta em utopia
Por isso, em todos os tempos e pessoas,
Homens do mundo e do monastério,
O ébrio e sóbrio
A poesia é compatibiza a treva com a aura da alma inquieta
Por isso, não importa se é clássica, se gótica, ou moderna,
Se é vanguarda, ou tradicional,
Se é surrealista ou meditativa.
Ela será sempre
Ária de quem canta sete vezes
De quem canta a vida e a sorte
De quem questiona o destino e morte
Depois de Deus, vem a poesia:
É esterco que fecunda as almas
É ônix que revela as trevas
É cristal que alumia minas!
É Fênix que renasce das cinzas...
À CIDADE DE DIVINÓPOLIS
Que cidade tem aurora mais linda?
Que povo comemora 97 de lida?
Que hino suave canta este rincão?
Que mensagem encera teu refrão?
És tu, ó Divinópolis, terra amada!
És 93 anos de Jóia lapidada!
Mas temos 234 anos de caminhada.
Teu Brasão é alma encantada
Negros, bandeirantes, mineiros
Filhos de agora e Candidés Índios,
Todos, homenagens mil renderam
em trabalho, indústrias e prédios;
Ó céus!, por esta terra, morreram!
OS VERSOS FALAM
Nos versos de arcanos passos,
O poeta finge coisas iniludíveis,
De luz e trevas como compassos
De momentos e atos volúveis...
Se a vida é tão tristonha?...
Invente-a com ousadia!
Se a dor for deveras tamanha?...
Ele a desnuda como alquimia!
Não há nada que o verso
Não queira ludificar, brindar, lidar...
A resposta está no mistério do poema!
Viver a vida ainda “vale a pena”,
A cada pessoa, diz Pessoa a vibrar,
“...Se a alma não é pequena....”
BIBLIOGRAFIA
ANDRADE, Carlos Drummond. Antologia poética. Record, 1999.
BANDEIRA, Manuel. Libertinagem e estrela da manhã. Nova Fronteira, 1995.
BESSA, Pedro Pires, Sebastião Bemfica Miligre, O poeta de Divinópolis. Belo Horizonte: Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais, 2003, 156 p.
ESPÍNDOLA, Húdson. Cicatrizes do cotidiano. Uberaba, Editora Vitória, 1991.
FARIA, Antônio Esteves de. Pequena História de um Grande Amor. Divinópolis: Novo Rumo, 2005. 130 p.
FUNREI, VERTENTES, São João del-Rei: UFSJ, tipografia Assunção, 1989, Série 1., 89 p. (ciclo de Estudos – poema de Modesto de Paiva).
JORNAL AGORA. Ao poeta Sebastião Bemfica. Editorial. 23 de set.2004., p. 02
LELOTTE, F. Convertidos do século XX. Rio de Janeiro, Agir, 1966.
LEMINSKI, Paulo. Distraídos venceremos. Brasiliense, 1995.
LUCAS, Fábio. Poesia e prosa no Brasil. Belo Horizonte, Interlivros, 1976.
MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. Nova Fronteira, 1989.
PRADO, Adélia. Poesia reunida. Siciliano. 1991.
PICHIO, Luciana Stegagno. Os melhores poemas de Murilo Mendes. São Paulo: Global, 1997.
RAMOS, João Carlos. Zumbi em 3 tempos.Divinópolis: FACED, 1995. 2. ed. 42. p.
REIS, Mauro N. dos. A corda: poemas. São João del-Rei: Funrei-UFSJ, 1992.
SANTOS, Luciano José dos et al. Colcha de retalhos. Divinópolis: Gráfica Sidil, 2001.
SOBRINHO, Antônio Gaio. No jardim da ilusão: São João del-Rei. Esdeva Gráfica de Juiz de Fora, 1994.
VIEGAS, Celina Amélia de Rezende. Poemas. Zás Gráfica de Juiz de Fora. 1989.
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Os arquivos de Sebastião Bemfica Milagre: um Lírico da modernidade em Divinópolis
Os arquivos de Sebastião Bemfica Milagre: um Lírico da modernidade em Divinópolis
José João Bosco Pereira – 31 de março de 2011.
Profª. Drª. Maria Ângela de Araújo Resende – UFSJ (orientadora)
INTRODUÇÃO
Esta pesquisa pretende organizar e analisar parte da obra de Sebastião Bemfica Milagre (02/09/1923 - 22/02/1992), “o poeta de Divinópolis” (BESSA, 2003a) constante dos acervos e arquivos dispersos (arquivos pessoais e em instituições). Contemporâneo de Adélia Prado, em 1941 o poeta inscreve-se nos jornais locais, como poeta e cronista. Nos 1960, divulga o Jornal Literário Agora; integra-se aos “Moços do Agora” contra a ditadura. Gomos da lua (1963), transição entre a tradição e a modernidade, aponta novo fazer poético. Em 1968-69, engaja-se nos Movimentos Arte I e II, amplia o contato com poetas mineiros, de Portugal e do Brasil. Nos anos 50, com a radiodifusão sonora, divulga a música clássica em Divinópolis. Gritos (1972) é o lamento pela morte precoce de Lilia, esposa do poeta. Em 1976, casa-se novamente com Maria do Carmo Mendes. A partir dos estudos contemporâneos sobre memória e arquivo, pretende-se construir uma pretensa biografia do autor, tendo como corpus tanto as obras editadas, os inéditos quanto documentos disponibilizados para esta pesquisa e suas publicações em jornais e revistas
1. OBJETIVO GERAL
Organizar o acervo disperso de Sebastião Bemfica Milagre e analisar a relação de sua produção (poética e jornalística) com o contexto político e cultural, à luz dos estudos contemporâneos sobre a memória e os arquivos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
I. Levantar a produção poética e respectivos temas e formas de escrita do poeta Sebastião Bemfica Milagre.
II. Investigar os arquivos (documentos, cartas, postais) e publicações difusas do poeta em jornais e periódicos, como suporte para o entendimento de sua poética.
III. Identificar e analisar os perfis do poeta entre 1940 a 1990, considerando-se sua atividade poética e sua inserção cultural nos Movimentos Arte I e II, na tradição e na modernidade.
IV. Identificar os temas presentes na poética milagreana e o diálogo estabelecido com os movimentos culturais em Minas Gerais e no Brasil.
1. JUSTIFICATIVA DO PROJETO
Pensar a memória cultural pelo viés da pesquisa em arquivos possibilita uma leitura da tradição escrita e o acesso a obras até então desconhecidas tanto pelos leitores quanto pela crítica literária. O poeta/cronista/orador, Sebastião Milagre, homem de muitas atividades intelectuais, construiu um repertório variado e participou de movimentos que nos permitem pensar o Brasil, a partir do interior, no caso, a cidade de Divinópolis. Nesse sentido, como pensar a modernidade dessa poética, configurada numa memória dispersa? Corgozinho (2003, p. 278) situa esse novo na modernidade local: “o moderno como portador do novo ou contraposição ao antigo (...) demarca a mudança de mentalidade, no modo de vida cotidiano, na economia e política. Os indivíduos buscam o entendimento de si e do mundo na modernidade, sem tutelas externas.” Em 27/8/69, na “1ª Semana de Arte”, Milagre confidencia: “Participante é a poesia que traz em seu contexto tudo aquilo que se refere ao cotidiano, às manifestações pessoais e coletivas. (...) Dou valor à persistência, algo novo é recebido com reservas, mas, se é de boa qualidade, aos poucos, será aceito”. (In: BESSA, 2003b, p. 60 e 69) O viaduto das almas (1986) e O doador de sangue (1990) representam a maturidade poética de Sebastião Milagres e o endosso à memória coletiva. As muitas faces desta poética: o lírico, o cultural, o político e o textual se entrelaçam nas estéticas do século XX: o Modernismo Brasileiro e as Vanguardas. Nesse sentido, este trabalho pretende colocar em cena tanto o poeta como seu repertório rico e variado, ainda não contemplado pela crítica, mas que demarcou lugares de enunciação capazes de refletir o diálogo com as produções culturais do seu tempo.
METODOLOGIA
Os perfis do poeta - o poeta-escrivão, o cronista, o crítico literário, o trovador, o orador, o prefaciador - constituem desafios metodológicos à catalogação e classificação dessas memórias como arquivos culturais. Um dos indícios está no Suplemento Literário de Minas Gerais, nº 05617, jan./1968 e nº 15811, julho/1979, com o qual no deparamos com material inédito nos arquivos e acervos de amigos e de instituições. Através de Benevides (1979), Corgozinho (2003), Castriota (2008), estabelecem-se as interfaces entre os perfis, as obras e os temas recorrentes na poética, na crônica e na memória coletiva como legados milagreanos. O trabalho será dividido em três etapas: 1) seleção, catalogação e organização dos arquivos de Sebastião Bemfica Milagre (obras publicadas, inéditos e dispersos, publicações em jornais; discursos, cartas, postais e outros); 2) discussão da fortuna crítica sobre o poeta e análise desse repertório à luz das teorias contemporâneas sobre arquivos e a utilização do conceito de memória como categoria analítica; 3) situar o poeta/autor/cronista no panorama das letras, mais especificamente no período de 1960 a 1990.
RESULTADOS PARCIAIS: Até o momento, foi feito o levantamento da correspondência ativa e passiva do poeta, que se encontra em arquivos dispersos. O arquivo de Maria do Carmo Mendes, viúva do poeta, revela material inédito, enquanto Paulo Milagre, filho do poeta, disponibilizou algumas fotos do álbum de família. A “nota Oficial”, divulgada no jornal Agora, de 1º de maio de 1968, possibilitou-nos o acesso à questão da tortura a que seu filho Weber foi submetido. Realizamos um levantamento do roteiro de viagens de Sebastião Milagre, seus deslocamentos e parte de suas leituras, a partir de consulta em arquivos de amigos e entidades diversas como museu, escolas, bibliotecas e cemitério. Foram feitas tabelas com dados básicos como antologia, crônicas e temáticas recorrentes do acervo milagreano. Compilou-se uma síntese biobibliográfica sobre o poeta por meio desses levantamentos de dados e parte de suas crônicas e correspondências.
SUMÁRIO DA DISSERTAÇÃO:
Introdução - Dos arquivos pessoais à memória coletiva (1940-1992)
Capítulo I – Os arquivos de Sebastião Milagre: entre a tradição e a modernidade; Capítulo II – A poética de Sebastião Milagre: entre o local e o global;
Capítulo III - Uma possível biografia – Considerações finais
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
OBRAS DE SEBASTIÃO BEMFICA MILAGRE
MILAGRE, Sebastião Bemfica e WEBER, Antônio. Gomos da lua. Imprensa oficial MG, 1963.
MILAGRE, Sebastião B. Gritos. Divinópolis: ADL (Academia Div. de Letras), 1972.
MILAGRE, Sebastião Bemfica. O viaduto das almas/ O homem agioso. Sto Antônio, 1986.
MILAGRE, Sebastião B. O doador de sangue/ Procissão da soledade. Sidil, 1990.
...........................................................................................................................................
ACHUGAR, Hugo (Org.). Derechos de memoria: Nación e Independencia en América Latina. Montevideo: Departamento de Publicaciones – Faculdad de Humanidades y Ciencias de la Educación, 2003.
ARTIÈRES, Philippe. Arquivar a própria vida In: Arquivos pessoais – Revista Estudos Históricos. Rio de Janeiro: Ed. FGV, vol 11, nº 21, 1998. Disponível em: http://www.cpdoc.fgv.br/revista/arq/234.pdf .
ASSIS, Ailton Alexandre de. Um lampião dentro da mala: o arquivo pessoal de Octávio Leal Pacheco - memória e autobiografia. Disssertação de Mestrado apresentada ao Progragra de Mestrado em Letras-UFSJ. São João del-Rei, 2009.
BENEVIDES, Maria Victoria de Mesquita. O governo Kubistschek: desenvolvimento econômico e estabilidade política (1956-61). 3ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1979.
BESSA, Pedro Pires. Sebastião Bemfica Milagre: o poeta de Divinópolis. Fapemig, 2003a.
BESSA, Pedro Pires. Textos e ressonância. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de MG, 2003b.
CASTRIOTA. Leonardo Barci e MACHADO, Rafael Palhares. (Orgs.) Saberes articulados de Aristides Salgado dos Santos. IAB-MG/ IEDS – Belo Horizonte, 2008,
CORGOZINHO, Batistina Maria de Sousa. Nas linhas da modernidade: continuidade e ruptura. Belo Horizonte: Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais. 2003.
COLOMBO, Fausto. Os Arquivos imperfeitos. São Paulo: Perspectiva, 1991.
DERRIDA, Jacques. Mal de arquivo: uma impressão freudiana. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2001.
MARQUES, Reinaldo. O arquivo como figura epistemológica.
MIRANDA, Wander Melo. Apresentação. In: A trama do arquivo. Belo Horizonte: Editora UFMG/Centro de Estudos Literários da Faculdade de Letras da UFMG, 1995.
POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. In: Revista Estudos Históricos, v. 2, nº 3, 1989.
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os poemas de Sebastião Bemfica Milagre e de José João Bosco Pereira
os poemas de Sebastião Bemfica Milagre e de José João Bosco Pereira
DIVINÓPOLIS
Sebastião Bemfica Milagre
...Ó minha terra! (...)
Cresces demais para que a minha pupila te alcance
E eu tenho de te olhar com os olhos da alma,
num futuro distante, quando o pó deste teu filho já tiver emigrado...
No atropelo dos dias e dos edifícios (...),
as gerações se postarão para o negócio (...),
para o acerto e o esmalte das empresas.
E o teu coração?/ Onde estará vibrando? (...)
Na memória dos que te quiseram glorificar...
A VIDA
Sebastião Bemfica Milagre
A vida é hoje
para mim
um mapa-múndi (...)
Escafandrista
fui ao fundo
astronauta subi (subi mesmo?)
sedento, bebi nas fontes em surdina.
A vida é hoje, para mim,
Um corpo de mulher
De meandros cheirados.
Poeta, gerei um livro;
homem, gerei um filho; (...)
A música dos mestres
me extasiou (...)
fiz menino dormir no ombro...
Meu Sobrado
Sebastião Bemfica Milagre
Eu era um menino... triste?/ não sei, mas contemplativo.(...)
Tenho na mente e muito no coração. (...)
No segundo andar, morava/ toda a família; e, em baixo, cômodos vastos, pôs o pai, comerciante, / o armazém-misto. (...)
Em horas de tempestade, [a minha mãe] levava os filhos à escada interna,
entre Magníficat e Credo e Santa Bárbara Virgem!;
Só saíamos de lá quando a chuva terminava.
Das janelas, / eu olhava / as férreas locomotivas a vapor/ da velha Rede Mineira/ de Viação // Que beleza! que emoção/ no coração/ do Sebastião! (...) Que saudade do sobrado/ enterrado/ no passado!...
DIVINÓPOLIS
José João Bosco Pereira
Ninguém nega: que divinopolitano
é nome de provinciano
e cosmopolitano,
para quem aqui nasce
Ou resolveu adotar a cidade.
Sua história guarda gente
célebre e anônima na memória.
Terra amada, Jóia lapidada!
Parabéns pelos 100 anos
em cada rosto de esperança e luz.
TRAJETÓRIA
José João Bosco Pereira
De terra em terra
Broto ousado!
De rosto em rosto
Perfil desejado.
De risco em risco
Trabalho conquistado!
De desejo em desejo,
Sonhos sonhados!
De passo em passo
Fiz meu passado.
Fiz da vida, Poesia:
de momento em momentos.
FUTURO DA MINHA CIDADE
José João Bosco Pereira
Minha atitude provoca mudança
ainda que pequena no presente e no futuro.
Sou uma rede de relacionamentos...
Seu comportamento influencia o tempo,
As pessoas e a memória coletiva.
Sou responsável pela ecologia
A cada dia;
Mantendo a casa, a rua, a cidade limpas.
RIO ITAPECERICA
José João Bosco Pereira
Veja! Ele ainda irriga
Nosso chão...
Nele, há dejetos. Que pena!
Sinta! É tempo de desejar...
Aja! É tempo de realizar sua recuperação
Se quisermos, há tempo
Propício à solução.
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Neologismos milagreanos, outros processos de formação de palavras e rimas
Neologismos milagreanos, outros processos de formação de palavras e rimas
1.divinopolenses: “Adeus!” em Quartetos de sopro (1990 )
2.caldeamento, uma sui generis casta divinopolitana, quem vem a Divinópolis é verifica, fica e bem-fica em Doador de Sangue (1990, p. 75)
3.divícia (de divina + sevícia, que aparece também no poema “O Lutador” de CDA): no poema “A recompensa”, em Doador de Sangue (1990), Milagre prioriza seu ser poeta acima do escrivão, que se interessa pela sua cidade na delegacia: “A glória é ter exercido/ uma função policial/ (fui escrivão de polícia)/ sem ter feito nenhum mal/ nem praticado sevícia./ (além de glória, divícia!)/ Glória é passar/ pelas ruas,/ desarmado/ (...) e, de muitos, escutar/ (cujos nomes já esqueço)/ cumprimentos de efusão/ - ôi! Como vai, Sebastião? Out. 1989.” (MILAGRE, 1990, p. 59)
4.Sidilirismo (Bairro Sidil + lirismo) em Doador de Sangue (1990, p. 93)
5.“choferar” (de chofer) em “Elogio do sonho” em Viaduto das almas (1986, p. 46)
6.Poeta de vanguarda (não vão-guarda) / descobriu o inaudito na tua brancatez / descobriu o inaudito na tua brancatez, lancinante regougo, sina-agonia, suave remígio, almas duendes, fossa abstrusa taça de cicatrizes em Doador de sangue (1990, p. 89, 123, 124)
7.Noite/acoite, a poesia está a bordo na viagem da vida, vencedor sem vitórias, gesto amigo e pedoante, minha vida alvar, exausto/hausto, dores/amargores, mundo hostiliense, medo/arremedo, dolo/consolo em Procissão da soledade (1990, p. 133, 136, 144,148 e 149)
8.99% das folhas estão caídas. Inverno, outono/bom sono, eu-findo/exaurindo, feliz/cidade, quem me dera só na musica pairar-me!/ só na poesia quem me dera alar-me!, o homem que rosna, que quer locupletar-se no disfarce..., em Procissão da soledade (1990, p. 153, 155 )
9.industriaria, estudoria, trabalhoria, comercioria, praçaria, cidade-não de pé no chão no Catalão, bitolia, paternaria em A Igreja de João XXIII (1986, p. 45-6)
10.sozinhamplia em A Igreja de João XXIII (1986, p. 45-6): “Sozinhamplia / tranformaria;/ mas da pobreza / geme a dureza.”
11.Col/omnia (de colônia), feral (de fera), af-rica (África) em Doador de sangue (1990, p. 36, 37)
12.Restaura/ aura, borda/horda, luxúria/fúria, coito/oito/afoito, sexo/amplexo, nome/nume/múmero, anjas (para poetisas), oficineiros do verso, Eva/pore, em Doador de sangue (1990, p. 13, 20, 55, 56, 60, 65, )
13.Puseram mandinga no poeta: dizem que está sofrente, estressado, etc. Nem o poeta sabe do que tem, dizem... Só Deus sabe o que ele tem! Ele está de acre dor-de-cotovelo... em Doador de sangue (1990, p. 66)
14.extravia/ extra via; tua/ atua em A Igreja de João XXIII (1986, p. 25)
15.maio/ria em A Igreja de João XXIII (1986, p. 12)
16.Viga/rio (ponte de ligação) em A Igreja de João XXIII (1986, p. 10)
17.tiranura (tirania + ditadura) em Viaduto das almas (1986, p. 23)
18.divino pó em Divinópolis – “o pó de cada dia”, ressaltando a poluição das chaminés em Viaduto das Almas (1986, p. 32)
19.agioso (agir + oso, pedágio, ágio, ágil, hábil, agiota) título em O homem agioso (1986)
20.Dez/ esperas (de desesperas) em O homem agioso (1986, p. 56)
21.Triacanto, cem-mistérios (de cemitérios) em O mundo mundo-outro, v. 1 (1976, p. 55)
22.Sidero/tecnia em Viaduto das Almas (1986, p. 26)
23.poder/ossos, poder/ócios (de poderosos) em O homem é a caixa preta (p. 39)
24.neg/ócios em O homem agioso (1986, p. 79)
25.inflaticida (inflar + fratricida) em O homem e a caixa preta (1982, p. 13)
26.pa-lavrou (de palavra) em O homem é a caixa preta (1982, p. 11)
27.maná/ncial (de maná + manancial) em O homem é a caixa preta (1982. p. 69)
28.em/presa em O homem é a caixa preta (1982. p. 42)
29.padec/entes em O homem agioso (1986, p. 54)
30.o/briga, só(rindo), pa/deceres, pa/lavrares, cousas/lousas, moço/osso, sabor/dissabor, mo(a)tivado, multa/culpa, másculo/ ejáculo, cópula/ válvula/ fístula, pro(a)gressividade em O homem é a caixa preta (p. 8, 12, 15, 16, 42, 43 e 56)
31.informa/deforma, esque/cimento em O homem é a caixa preta (p. 26 e 57)
32.É difícil /edifício em Viaduto das Almas (1986, p. 33) e 3 EM 1 (19 )
33.O homem – (colosso!) – osso, osso em Lixo atômico (1987, p.38)
34.dis/putas em Lixo atômico (1987, p. 17)
35.e/terna, sebastião bem/fica o milagre em Lixo atômico (1987, p. 44)
36.assídua/ocídua em Lixo atômico (1987, p. 52)
37.ab/surdos em O homem agioso (1986, p. 56)
38.ode (ódio) à beleza em O mundo mundo-outro (197 , p. 29)
39.inocengênuo em O mundo mundo-outro (197 , p. 11)
40.roseiras estão rosando; olhar fidelcino/ mundo diamantino/ tempo ferino em O mundo mundo-outro (197 , p. 36).
41.mundo-polvo em O homem agioso (1986, p. 54)
42.mundo (i)mundo em Procissão da Soledade (1990, p. 156), este (i) mundo e seus prazeres em O homem agioso (1986, p. 91)
43.circu/ilhado em O homem agioso (1986, p. 55)
44.auto-progresso, quando?: ironia milagreana em O homem agioso (1986, p. 56)
45.simbol/isso em O homem agioso (1986, p. 59)
46.cân-ser em O homem agioso (1986, p. 62)
47.epi(v)erme em O homem agioso (1986, p. 62)
48.corpo al-quebrado em O homem agioso (1986, p. 64)
49.efê-meros em O homem agioso (1986, p. 64)
50.olvi/dado em O homem agioso (1986, p. 73)
51.abs/trato em O homem agioso (1986, p. 76)
52.Dez/ilusões em O homem agioso (1986, p. 91)
53.inter/esses; olho/ando; com/média em O homem agioso (1986, p. 80)
54.fe/rir; mel/melhor em O homem agioso (1986, p. 80)
55.Deus oniatendente em O homem agioso (1986, p. 84)
56.Fataldia, trombodoença, morrenova, atri/burlado, amor mor/morre, sênquio (de Thank you) em Gritos (1972, p. 57, 74)
57.Supic/ante em Gritos (1972, p. 104)
58.Nexo/sexo, bombaatomizado, físsil/ míssil, nucle/ares, guerra fria/garra fria em O mundo e o terceiro mundo (1981, p. 15)
59.som agride/ agridição, televi/som, líder/lanças, feliz/idade, mera ilusão/merd’ilusão, ser/viços, esper/ânsia, terceiro mundo/ bundo-bunda do mundo em O mundo e o terceiro mundo (1981, p. 9, 10, 13,14, 18, 27 e 28)
60. sexo/agenário, sacri/fico, bombador/ tomba em dor, heca/tombos, mira/colosso e miraculoso,
61.“...alegra-nos uma cousa/ a visita do poeta Lincoln de Souza” em Pão de sal (1966, p. 49
62.perene/indene, ser-se/ ter-se, minh’alma/calma, baloiçar/mar, impoluto/bruto, corruscante/ causticante, moneras/ esferas, encontrarás/paz, altruísmo/ paraxismo, iluminura/ alvura, protegê-las/estrelas, injusta/locusta, domem/homem, espanejar/luar, bemóis, rouxinóis, fugace/face em Sozinho na multidão (1979, p. 35, 43,55, 57, 59, 63, 65, 67,79, 81, 93, 95,97, 99, 103)
63.inter’esse, homem vendível, aero/era, agrava-idade, sum/ir-me, consum/ir-me, (o poeta tem um soneto denominado L, em Mar, todas as águas te procuram: 1963, p. 225) L/luto/luzes (Lilia), álcool/auto/alto/trago/estrago em O homem agioso (1986, p. 64, 65, 78, 79, 81)
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“Nota Oficial” Osvaldo André de Mello, no Jornal Agora, em Divinópolis, 1º/maio/1968.
“Nota Oficial”
Osvaldo André de Mello, no Jornal Agora, em Divinópolis, 1º/maio/1968.
O título “Nota Oficial” é de um documento importante para a história da ditadura brasileira e suas garras que souberam tanto dominar todos os recantos e habitantes que os indivíduos exerceram a autocensura, policiando a língua. Lançando ao rio de madrugada livros, cartas, fotos, a maioria papeis ingênuos. Exerceram a censura física. Fora os chamados “textos possíveis”, imaginavam-se as gavetas das escrivaninhas dos escritores cheias de obras escondidas, porém, passada a ditadura, estavam vazias.
Os corajosos estudantes brasileiros investiram sinceramente num movimento de resistência cultural, contrários ao acordo MEC-USAID, solidários a outras classes oprimidas.
Hoje publico o referido documento, mimeografado a tinta, como presente ao centenário de minha terra natal:
“Os estudantes universitários e secundaristas de Divinópolis vêm a público manifestar sua solidariedade a Antônio Weber Natividade Milagre, DIVINOPOLITANO, estudante da Escola de Engenharia da UFMG onde cursa o quinto ano e onde sempre brilhou. Tem apenas 22 anos. Antônio Weber é nosso colega e amigo. Manifestamos, ainda, o nosso protesto pela sua prisão e o nosso repúdio às atrocidades cometidas pela força repressiva e opressiva do governo militar instalado em 1964. Denunciamos a violência silenciosa e oculta e a aparente de um governo contra seu próprio povo.
“Como já público, Antônio Weber foi preso, quando distribuía boletins nos quais se analisava a situação do trabalhador brasileiro, significado de 1º de maio e onde se declarava o apoio dos estudantes à luta operária contra o arrocho salarial. Tais boletins foram considerados “subversivos”. “Depois de preso nas dependências do CPOR, Weber foi submetido a um interrogatório por mais de 12 horas consecutivas. Não aguentou as torturas psicológicas. Quebrou os óculos e cortou os punhos e o peito com os cacos da lente.
“Que todos os estudantes, todos os operários, todo o povo de Divinópolis tomem consciência do fato e se entreguem à luta para uma política educacional condizente com a nossa realidade brasileira, para uma política de salários mais justos e que satisfaçam às necessidades dos nossos trabalhadores e para que haja mais JUSTIÇA SOCIAL em nossa terra.
Diretório Acadêmico Martin Cyprien da FAFI de Divinópolis, Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito do Oeste de Minas, Comissão de Fundação do D.A. da Faculdade de Ciências Econômicas, União Estudantil Divinopolitana.”
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A TORMENTA EXISTENCIAL, DE JOÃO BOSCO
José João Bosco Pereira possui graduação em Letras (1995) pela Universidade Federal de São João del-Rei – UFSJ, mestrando nessa mesma universidade; em Filosofia e Teologia (1981-86) e pós-graduação em Educação Especial (2001-2) pela UFLA. Lançou Momentos Poéticos (24/out./2006). Cronista desde setembro de 2004. Cronista desde 2004. Professor desde 1992. Lecionou Comunicação e Expressão no Centro de Ciências Gerenciais – UNA/BH (1999-2002). Sua vocação à poesia e a crônica vem da vida familiar, da pessoa de seu pai Sebastião Pereira (20 de janeiro de 1932 a 28 de janeiro de 1991). Teve diversas participações em eventos culturais como contador de histórias e poeta. Fez disciplinas de literatura e lingüística na UFMG E UFSJ. No prelo, O Faquir, Poesia para o Século XXI, A tormenta Existencial e Diário do Sebastião Pereira. Visite meu blog agora: www.blig.ig.com.br/poetajoaobosco ou boscoprodutions.blogspot.com
A Tormenta existencial
José João Bosco Pereira – 03/07/07
Finca o pé na poesia
Aqui está o poeta
Nada o faz perfeito.
Vê o mundo e seu defeito.
Por um triz
Quis ser feliz.
Nada o prende,
Nada o satisfaz,
De nada desfaz,
Nem de si e de sua gente.
Quer apenas amor e paz.
Quer flanar um pouquinho:
Os ouvidos se fecharam de repente.
Quer olhar nos olhos os filhos dos homens,
Quer conversar com quem passa.
Ele também passa!
CUIDADO
Que pirâmide horrível!
Que sociedade hipócrita!
Que desencanto meu ver
Enquanto bela a vida,
Decepciona-me
O bicho homem.
Prudência de atos e falas
Teus atos e talentos guardas.
Teus pés andam entre invejas
E, em cada curva do caminho, levas
Oculto teu brilho e as sombras.
Vejas que obscurecem teu caminho!
A mediocridade agora importunas.
O CEMITÉRIO DA CIDADE – 03/07/08
Até no cemitério há desigualdades.
Veja estas lápides e epitáfios!
Veja os túmulos em destaque,
Enquanto outros pobres e esquecidos arrastam chão.
Todos pedintes de oração.
Sacudo os pés e a poenta terra
Mancham meu sapato e calça.
Somos todos o enfado
E da vida que criamos
A cidade – cheia de arranha-túmulos
Quais pirâmides e bolsões de miséria.
Estamos fartos de tudo
Deslizamos os olhos a todo lado
Vimos que há também aqui nosso lodo.
Abaixo, temos o cuidado
De sal escalar e espoliar os pequenos
Enquanto bajulamos os grandes e ricos
Com falso elogio cúmplice.
Pedofilia
O sorriso infante
Não mais existe naquele rosto maroto.
Está impune o brutal infame,
Arremeteu-se tosco
No berço em traços rotos.
Roubou-lhes a inocência
Para seu prazer doentio
Que tritura ao colo a flor linda do pântano.
Encharcam-se de cúmplices infernais
Que espezinham as vitimas silenciadas
Nas calçadas, favelas, campos e mansões...
Do fel, a meninada bebe a gota perfurante
Perjurante, impetuoso e impertinente...
Até quando tais lobos forjam o apetite inclemente?
Até quanto e quando?
Mas o maligno se alegra
Não se objeta,é abjeto...
No mal que se enlameia sua pérfida gentalha:
Ó Deus, ouve esse lamentos de seus filhos inocentes...
Melhor, jogar-te ao mar em tua nó de pedofilia que inteiro queimar em outro lugar.
JOÃO-DE-BARRO – 03/07/08
O que foi contigo?
Não tens ainda tua casa?
E os grandes aproveitaram-se
Do status e cada qual rumo adentro tomou
Na vida e na fama.
Estás só, ao léu?
Abras o teu véu,
Obras o teu céu.
Vês que inda há galhos,
Deus ao pó fez o barro,
Mistura fina e perfeita de uma forma que não se repete
Nunca mais para te criar....
No entanto, sofres o nosso abandono.
Talvez, um dia, meu João,
Tua tão sonhada carne alce voo
E tua morada se faça em outro patamar.
Espinhos da Carne – 25 /07/08
“Livra-me destes espinhos em minha carne, Senhor” (São Paulo)
Quando nasceste, mundo, com espinhos,
Tiveste e foste ser feliz na vida.
Aprendeste driblar muitos diabinhos,
Vias brilho-saudade na partida.
O tempo jeito com anjinhos,
Corrosivo devir desta saída.
Suspiras, com anelos, por beijinhos,
Fingindo responder, mesmo ferida.
Procuras meios de não cantaminares
E desejavas-te verdade logo,
Tédio, com teu medo, contra a paz.
Rezas, buscas vencer todos pilares
Caminhas cauteloso diante do fogo,
Tenha calma antes que tua vida jaz.
Pirassununga – 25/07/08
Lindo recanto paulistano
Imigrava seu passado
Em tradições nativas,
Quando se fixou o lusitano,
Depois vieram –lhe o imigrante
E a fé no Senhor dos Aflitos
Pairou nestas paragens.
Ouve-se a ema nas cachoeiras,
Tintilam-se as aves entre laranjeiras.
O convite à oração retoma
A gratidão de seus filhos
Pela luta vencida por mais
Este dia!
Continua a canção das gerações
Saudando-lhe a vocação altiva
De conquistas da terra, do comércio,
Rumo ao progresso a cada ano.
Seu cinturão verde lisonjeia
O avanço das quadras urbanas
Como a esperança gorjeia
O tâmara das almas tolerantes.
Em cada olhar brilha o sol poente.
Em cada mão firma o céu límpido.
Em cada pirassununguense o porvir certeiro...
A CORUJINHA – 28/07/08
Pequenas, tão necessárias
Nesta criação,
Camuflas à ponta de molhões
Dos perigos atentos ao gavião
Ou da serpe passarinheira.
Entre os campos e as matas,
Voas discreta e matreira,
Rodopiando certeira
Tua singular cabeça, com lentidão impressionante,
Cujos olhos nos atraem com seu rodopiar incrível e lento,
Por serem perfeitos, amarelos, arregalados
Nas pupilas hiper-hipnotizantes.
E vê mais
Que as nossas aqui.
Escutas o ruído de camundongos
Ou pequenas serpentes e insetos,
São sua saborosa refeição
Diurna, vespertina e noturna.
Com teu pio característico,
Penetras a paisagens
Comunica a outros além
De nossa audição e visão limitadas,
Avisos de fugas sorrateiras e rápidas
Enamora a fêmea cativa
E modestas contrasta com outras aves atrevidas;
Ó MENINO
Não tens ainda no coração
A dor deste desvario do mundo
Inclemente.
Se tens já o sofrer das gentes das tardes de luta
Ou os traços no rosto da pisada do trabalho
Da fome
Dos sinais da morte cultural
Revelas tua pobre condição.
Que hás de quereres?
E quem as de te querer?
Se vives no campo ou na cidade
Em um seio de lar, sorrias e chores neste lugar,
Que sonhas agora acontecer
E o que vês sem demora?
Sei que cada menino;
És único e impreciso e nem preciso
Dizer-te és múltiplo em rostos desfalecidos e
Desconsertadamente, ainda sorris e caminhas....
Não sei se o progresso te adotou
E teu familiar te enxotou,
Se tens ainda alimento e uma tenda como a minha...
E o homem fez fardo e fado...
O homem despojado e nu frente ao amanhã
Oculto que, em ti, se manifestará.
E o talento ou a dor
Que se construirá
Em ti, ó menino!
OS PEIXES COLORIDOS
28/07/07
São peixes coloridos da praça
existem por si até certo ponto...
Eles estão a coloriar a vida e os olhos da gente.
É bom limpar a fonte da água
Vejam água poluídas
Sem cigarros e catarros...
São sinais de tempos antigos
E rios límpidos.
Mergulhados em nosso imaginário
E histórias de gente simples e pescadores
Sem rede
Com sede de vencer.
Meu Deus, por que multiplicastes os peixes para o povo,
Enquanto nos desmultiplicamos a vida de lagos e águas?
Que cobardia estranha
Na nossa maré e na frágil nave da vida.
Cuidado, o bicho homem vem aí!
Castelo no Ar
Sonho do meu pomar
Utopias que vou somar
Projetos dispersos do meu lagar,
Arte-manhas que não posso deletar
Remédios para meu tédio e mau humor,
Vida-criança aqui: palpitando
Entre-lugar a me incomodar.
MEU RIACHO
Era pequeno, eu me lembro,
À tarde, ao riacho me achegava,
Era este o riacho que alegrava meu coração.
Cheio de peixinhos lindos,
Pedras com cor e cheiro da natureza
A cantiga amiga a embalar meus tempos idos.
Não acreditava que tudo mudaria
No meu mundo que
Abafou o meu riacho,
Este foi o meu tempo,
Hoje maltrato na cidade pelo esgoto
Os seres alados ali desapareceram
E a manhã não é a mesma.
Tudo passou tão rápido como um tufão.
A pedra descorolada e descorada
E o cheio de poluição descomedida
É a crueza da malvadeza
Dês-humana.
Este era meu doce riacho,
Ele ficou esquecido na foto amarelecida no armário.
E a minha infância perdida na memória.
GARUPA
A lambreta de meu pai
Era a delicia de minha viagem
À sua garupa amiga.
Na cidade e no campo,
Eu atrás com braços-cipos em arvore altaneira
Crescia em sombra firme.
E o filme segue à emoção,
No fechar de olhos, recordo, feliz,
O vento no rosto, enquanto a manhã desponta lá fora
Como outrora,
E vejo como observador em outros pontos incríveis
A minha história com meu pai,
A paisagem permite na mente que lembra
O que foi à luz do que não sou mais:
A lambreta a conquistar espaços como em um filme
Evocando pedaços do meu passado
De momento inesquecível
E ergo ao céu a oração e o silêncio completa esta sensação de que não estou só
meu pai está indo comigo e eu à sua garupa feliz.
Inverno
Quase tudo azul
Se não fossem estas queimadas.
As práticas e heranças nativas
Persistem
Enquanto o aquecimento da calota polar
Preocupam cientistas e ecologistas
E a fatalidade mortal
Incondicional ronda nossas casas e corpos frágeis e fáceis
Diante das borrascas e repentinas monções
Em partículas noviças, insipidas e invisíveis
Detonam nos sistemas endológicos
E do olho vem uma gota lacrimiforme indomável e indomável.
De protesto, de denúncia, de desespero ínclito e mudo
Nas manchas não celestiáveis
De veneno anti-vida a in-vitaminar os pulmões dos tempos
E o céu continua quase e não mais azul.
Tarde com você, meu coração
Não escrevo na madeira da sala
Para não rabisca-la , por ordem sua.
Escrevo na ladeira de seu coração
Sem rabiscar nosso amor fiel.
Não grito palavras torpes ao seu ouvido
Deixo vir aqui meu gemido tonal à sua alma
Não peço contra a etiqueta da ética
Na certeza de que brutalidades e indelicadezas vão nos macular.
Toco as mãos em palma como quem eleva a prece em alma
Nas cordas do amor da harpa da musicalidade do templo divino.
Decepção
Alguém me liga
Não quer saber se estou bem
Deixa-se antever pela intriga,
Esqueceu que foi minha amiga.
Não falem mal de mim.
Fiquei sabendo coisas assim...
Quem não deve não teme.
As fofocas quais esporos ao ar
São capazes de matar a verdade
Foram diluídas, rápidas e nefastas.
Não há um só em quem confiar.
Parece que o circo fechou as portas.
Parece que o fogo alastrou-se
E as comportas se ruíram...
Parece que o círculo vicioso
Da maldade completou sua sina e quer ferir
Quem quer que seja...
Querem um bode expiatório, compulsório,
Neste território sem ninguém,
Tiradentes, um tolo confesso, todos se calam em pleno júri e processo.
Cumplicidade e silêncio omisso
Às escondidas armam rede
Para apanhar o justo ainda hoje, sem dó neste arredor.
PROFETA
Eis que a voz grita ainda neste deserto
A pá foi colocado à raiz maldita.
Ele pagará por ser profeta.
Anuncia a verdade crua
E não pensa nas consequências.
Todo profeta infesta o sistema.
Denuncia a corrupção, fica sozinho na contramão.
Ainda que ele seja ele mesmo imperfeito,
Dá ares de perfeição, a preço de quê?
Sra jogado à vulnerabilidade,
Pegou contra nossa sociedade.
Anátema da marginalidade,
Será mal-visto, sem direito e sem passaporte...
Terá ficha suja e réprobo ao exílio sem fim.
Não terá ninguém pena dele até aqui.
Esse bando de covardes, assim pensam.
Incomodara os grandes, esse pequeno nome.
Desmascara os intermediários,
Inquieta os acomodados presos no gargalo
Que aceitam a perfídia
Do mundo de conluios...
É a cultura da cumplicidade e da omissão.
E muitos ainda justificam: o mundo será sempre assim!
Quem manda ser o tal!
Que ele pague pelo que fez!
Pois quis ser diferente, moralizar, apareceu demais, mais que nós...
Vamos ver se Deus o tira desta
Enrascada em que se meteu.
E Jesus diz: “Também trataram-me deste modo,
Os profetas antes de vocês.”
A MODERNA SOLIDÃO
As crianças se refugiam
Nos jogos de mídias e computadores,
Adultos se entediam de rotinas e profissões,
Mulheres vão à luta, cansadas, enfeitam-se em salões,
E resolveram estar em fã-clubes,
Fumando, bebendo, até amanhecer...
Tanto quanto homens,
Não importam se grávidas ou não.
Tanta loucura, fofoca, lamúria, violência,
Que alergia contagiante,
Do mundo em alvoroço.
No almoço,
Não há tempo, é preciso,
Ganhar dinheiro,
Deixe para depois, esse assunto de lar, l
Que coisa enfadonha.
Nada de rezar, quero as vitrines da moda,
Não importa quem passa fome lá fora.
Bocas e olhos vorazes empanturram-se de bolos e achocolatados nos natais,
Enquanto milhares não tem casa, emprego, nem natal em seus quintais.
E guloseimas irresistíveis, vamos ficar diabéticos, obesos, hipertensos.
Não aquentando o tédio e a solidão.
Vamos aproveitar e dançar. Ah, ah, ah!….
PALAVRAS MÁGICAS
Quando acordo, vejo mais pais e conhecidos, digo: _ Bom Dia!
Quando preciso de você, digo sereno: : - Por favor, ajude-me!
Quando você me ajuda, digo, então: - Muito obrigado (a).
Quando vejo algo que você tem, eu nada tiro, apenas digo confiante: - Empresta-me, por gentileza?
Quando à mesa quero o prato de legumes e salada, digo: - Passe-me, por obséquio, este prato?
Quando, na rua, cruzo o olhar aos meus amigos, digo logo surpreso: _ Olá, como vai você, meu amigo?
Se chego atrasado, infelizmente, digo cuidadoso, digo assim: - desculpe-me pelo atraso, posso entrar?
Posso ainda dizer tantas outras boas e mágicas palavras aos outros, durante o dia de acordo com as situações mil.
Posso terminar meu dia,
À noite chegando, dizendo assim:
Boas Noites! Bênção, pai, mãe, obrigado.
Obrigado, Jesus, hoje caminhei em sua luz!
Mais um dia findou, amei, vivi e aprendi...
E pergunto ao meu pai, de repente: (29/11/08)
Você fez tudo?
Estudo!
Ele disse:
Quase tudo!
E estudava Milagre
Na mesa de jantar.
TAMBÉM HÃO DE ME SUPORTAR – 30/08/08
Passei a minha imagem
Deixei aqui e ali uma miragem
A todos ficou minha mensagem.
Fui humano demais
Não sabia da virtude
O meu limite.
Então, vi-me entregue
A mim mesmo.
Ao meu canto, só e silente
E perdoei.
Mas agora aqui
Vem à memória
Traços desta vida
Percorri
Tive pena de animais e gente.
“Tive raiva de muita gente.” (Milagre)
Cai na rede do passarinheiro
Ergue prece a Deus primeiro
Denunciei o contraditório
Paguei pelas noites sem sono
Com medo de meu paradeiro.
E todos me suportaram
Suportaram meus defeitos
Riram de minha atividade
Torceram pela minha fatalidade
E eu dei a volta por cima.
Ah, essa tendinite
Olho o crucificado
Aqui deitado
De repente, a dor
No ombro esquerdo.
Eu lerdo e quieto
Vejo o mundo
Vejo o dolorido
Esfrego os olhos
Turvos
Indignado
Com a falta de ética
Com os que tanto lutam
Pelo de cada dia
Sem que eles consigam
O valor que merecem
Na hipócrita sociedade.
Estou, aos poucos, aqui
Crucificado. Olho para meu
Mestre –servo. Eu sou bicho da terra.
De ignota floresta.;
Agora, deixei a pomba no céu.
Ferida, ela está na sobra do chão.
Prove o contrário.
Todo mundo
É bom.
Ou quase bom
Se não sofresse
Do pecado original.
E dizem
Que eu devo ser original
No capitalismo
Ocidental.
No nosso cristianismo
Superficial.
Todo mundo
É quase mal
Ou mal
Ou bem mal
Até que prove o contrário.
E a estrada de mão dupla
Nos insufla
A perseguir quem somos
E para onde vamos
Para cem-centímetros
Do campo santo.
Todo mundo e ninguém
Nos reduz e seduz
Muitos de vida dupla
E moral dúbia
São assim
Até que prove o contrário
AORISTO
Eu sou isso
Não sou grego
Nem falo sânscrito
Apenas sou combustão
Um cosmo de químicos
Neurônios acessos
A emocionar.
Sou cisco
No olho do mundo
Do irmão que passa
Ao lado
Uma sombra
Na vida renhida.
Sou preciso
Impreciso
Para mim mesmo
Ainda vou devagar
Já tive pressa
Desgastei minha presa
E trabalho para pagar
Minha despesa.
Com água e sabão
Tenho que limpar-me
De minha sujeira
Sem beira e eira.
Aoristo e idiossincrasias
É um tornar-me
A cada dia
Sem saber para onde
E por que tem que ser
E ter.
Detenho em modos de ser,
Pensar e agir
Cada um vai com seu olho
Fareja seu caminho.
Uns com carinho,
Outros com trilho,
Vão, todos vão,
E são para algo e alguém.
Ninguém se basta
Senão fica preso
A sua pobre casca.
Defino-me na minha indefinição.
Fui folha branca que alguém escreveu.
Fui massa-cósmica que alguém modelou.
Sinto-me à estrada
No devir
No frigir dos ovos e óbulos,
Um caso em aberto,
Uma obra inconclusa,
Uma estrela errante,
Um astro cadente.
Torna-se o que é?
Tonar-se o que quer?
Tornar-se o que buscas?
Torna-se novo.
Torna-se o futuro
Que vislumbra
Planeta a tua semente
Agora
E se não colheres
Ou colherias outro
O que plantaste.
E a vida flui.
E não reflui.
Segue em frente.
E a gente sente
Que parece que
Ainda não chegamos
Somos indefinição
Até a morte.
A morte nossa definição!
OLHAR CANSADO – 14/01/09
Achava certo nadar
Não contra-corrente das águas.
Era ilusão!
O tempo fechou
Vejo apenas cinzas.
Não há saída
O povo continua espoliado
Indiferença global.
A roça secou
A minha garganta emudeceu.
Choro! Ergo meu canto de lamento.
Para os ricos, tudo azul.
,mas eles ainda estão verdes
e nos amadurecendo à força
e o trabalho é mais uma forca
somos tratados com gado
numerados para o matadouro
não estamos prontos, morremos.
Embora desesperados, ainda
Somos lição de esperança.
Nossa utopia é viver
Um dia num mundo justo.
GRATUIDADE
Quero agradecer tua graça
Que não passa
Em cada amanhecer
Em cada anoitecer
Ele me basta
E penetra além
Desta casca
E pulsa dentro de mim
E ela não me arrasta
E não me afasta nunca
De ti, Senhor.
HIPOCRISIA
Hoje sinto o que sentias
Quando as coisas são arranjadas
E você, fora.
São coisas que lá dentro
Ficam estranhas.
E mexem co nossas entranhas.
E respiro fundo
E junto de mim
Mantenho o silêncio
E observo os homens e os filhos dos homens,
Como ficam nos arranjos
E querem ser atores
E não frios objetos
Deste sistema hipócrita.
ATIRANIA DESTE TRABALHO
Frustam-me os cartões e relógios de ponto.
São prisões inúteis de medir o tempo.
Foram feitos para os acomodados
Não quero a chefia tirânica
Que persegue e engana com seu olhar
Fútil, fingido e indolente.
Nem aceito seus sequazes
Cuja bajulação esconde o desejo de subir e ter poder.
Para vigiar querem algo mais
E delatar logo.
Amofo todos os que se grudam ao poder
E o querem tão-só.
Querem ser superior aos outros.
Aborreço-me com os elogios
Para massagear egos...
Protesto contra os submissos,
Os que adulam e deixam os chefes
Pisarem só para não se imporem.
Que pena será a vida toda?
Se há autoritarismos, existe quem
Os credita facilmente.
Deixam que algum Tiradentes se apresente!
Sairemos bem disso após
A morte do herói.
Abaixo os tiranos e cúmplices indignos
Que pipocam e apodrecem os ambientes de trabalho.
ALGUÉM
Alguém está disponível
Alguém procura alguém.
Você precisa de alguém.
Você quer alguém.
Todo mundo deseja na vida alguém.
Mas, paradoxal é ver alguém sem ninguém.
Alguém está só.
Eu sou alguém.
Poderia ter mil possibilidades
Mas vivo uma de cada vez.
Na curva da vida, posso encontrar alguém
Ou este alguém me encontrar.
Vamos procurar?
VENDEDOR DE SONHOS
Somos atores na vida
Aproveitando o dia de cada vez.
Contemplo meu futuro.
Não posso ser marechal.
É urgente conhecer-me
A cada opção para acertar
Evitar a contramão.
Somos apenas frágeis terráqueos
Não dá para viver como etê.
A vida é o meu palco.
Não dá para ficar fazendo shows.
É caro e cansativo
Por isso, nos bastidores estudo-me.
Se falhar, não desisto do meu sonho.
Eu aqui vivo cada dia de cada vez.
OBAMA
Deus o ajude!
Seu discurso é ambíguo;
porque ser negro ainda é ambiguidade:
servir-se do sistema para vencer
servir o sistema para padecer.
Discursa para agradar gregos e troianos.
Discursa para incutir fé e esperança.
Não nos enganemos
Não é nada fácil ser presidente negro.
Ele sabe que não é super-homem.
E a decadência da potencia
Ainda esconde a prepotência.
O processo foi desencadeado e
Os estilhaços da crise vai nos atingir.
Porque somos ocidentais
E os orientais estão de olho em nós.
Abaixo o capitalismo
E nem aceitamos os fundamentalismos mútuos.
O sistema é duro demais,
Nos mata a cada curva da história
Concentrando dinheiro e poder na mão de poucos.
E o homem fica à margem;
Ainda não sabemos como ficará o centro.
MEUS TEMPOS
Sinto-me oprimido,
Não sou omisso.
Frente questões de meu tempo,
Ainda sabemos tão pouco –
a teoria não resolveu ainda a prática.
As culturas ainda
Vivem tantos paradoxos insustentáveis.
A fome grita em todo planeta.
A natureza humilhada reage violenta
E sua revanche tem proporções esmagadoras.
Os crimes de guerra
Que vergonha
Continuam por todo lado.
Civis e pobres sofrem consequências.
Tudo isso me faz pensar e chorar.
Até quando, meu Deus!?
Os juizes e políticos em conluio.
Invertem o jogo do poder com facilidade
Os pequenos vão ao tribunal.
Os ricos e injustos são liberados.
Tanta demagogia deslavada,
Mentem deslavadamente bem.
Sinto-me oprimido,
Vendo e vivendo nesses tempos.
Querem que nos sintamos
Inoperantes,
Impotentes,
Conformados,
Anestesiados com o mal – normal.
Vai meu protesto
E minha atitude a cada dia
Com o trabalho honesto e a favor dos pequenos.
Justiça não declina com corrupção.
Fome não rima com democracia.
E democracia não pode mascarar a tirania.
CHUVA
Ela cai leve e me faz dormir – obrigado, meu Jesus.
Ela cai forte e não deixa dormir o pobre, que pena, meu povo.
Levanto os braços em mutirão para ajudar...
Levanto os olhos para anunciar e denunciar.
O povo não tem casa e há gente correndo risco perto de rios.
Que arte das gotas virem
Fertilizar os campos?
Que desastre dos homens
Desmatando florestas e assoreando rios?
As gotas são milagrosas e perigosas ao mesmo tempo.
Elas alimentam usinas hidrelétricas,
Elas afogam nossos filhos e famílias perdem tudo.
Se continuar assim, a natureza vai exigindo respeito.
Deus perdoa sempre, os homens as vezes,
A natureza nunca!
Mas não nego a primitiva dádiva divina,
As chuvas têm sua musicalidade,
Aos olhos brincam de todo modo,
Aos ouvidos, destilam ritmos e versos cadenciados ou não.
Capte o show da natureza.
RAIOS X DO MILAGRE
Quem lê Sebastião Milagre?
Eu gosto tanto de sua poesia.
É verso engajado – critica sutil à ditadura.
Maduro sofre perdas e crises.
Teve olhar atento à cultura local.
Nome da agenda cotidiana.
Declamava, compunha e defendia nossa gente.
Sofreu, amou e morreu como tanto quis.
Sem Lilia, ele se sentia infeliz.
Tantas poesias lindas
Para dar sentido às labirínticas
Vivencias sociais.
Critico da cultura
Foi fundo em seu mundo.
Nada será igual
Depois de sua partida.
Agora vive do outro lado da vida,
No casamento espiritual.
Amar e refletir foram suas metas
Cujas premissas ficaram retintas
De versos e músicas, preces literárias.
Como é caro para nós
O preço do progresso;
A ética e fé não ficaram em escanteio
Pois vez da poesia seu imortal celeiro.
Deus fez Divinópolis;
E Divinópolis ama Milagre.
ABSURDO
O absurdo das desigualdades
Gritantes
Tem como contrário aparente
O enriquecimento do oligopólio
Surdo,
Que ofende o silenciamento de vozes da multidão empobrecida.
Em janeiro, o cidadão comum
Paga muitos impostos
Enquanto vereadores
Todo ano
Aumentam a bel-prazer
Sua remuneração.
Que vergonha!
Vergonhosa democracia.
E ninguém faz nada
O povo aceita submisso e omisso.
E a maquina viciosa
Continua fabricando
A desigualdade escandalosa do sistema,
Que justifica esse ato.
Pobre continua pobre para rico ficar mais rico.
Precisamos de uma revolução,
Em plena crise mundial,
A economia deveria ser inclusiva.
Não vale mais plantar pobres,
Para ricos ficar dominando tudo.
Até quando?
Protesto, isso está errado!
Amaldiçoo esse sistema cruel
E enganador.
Tudo que tem inicio tem fim.
Tomara que chega logo esse fim.
Ouvi de Reginaldo Moreira
Isso que me chamou a atenção:
- Gosto de tudo, um pouco!
De nada, muito.
Gosto de cada coisa em seu lugar.
O problema é que nem tudo tem seu lugar.
A gente tem o trabalho de arranjar lugar para coisas fora de lugar.
Há discursos fora de lugar como há pessoas fora de seu lugar.
Cabe a ela descobrir seu lugar no mundo.
Fernando Pessoa aconselhava:
- Que nada em ti exceda ou exclua,
Seja inteiro no que fazes como a Lua Alta
Brilha em cada lago inteiramente.
SONHO NIPÔNICO
Um império cai
Outro se levanta
é o jogo de cartas da história das guerras.
O século de assaltos
a ninguém polpa
vivo com o olho fundo
no noticiário de imagens dantescas
como um filme de hecatombes
Quando cessou o tsunami
do Japão,
perdura o desolado deserto
de destruição imensa:
os reatores fazem miséria
dissemina a “rosa de Hiroshima”
entre cidades
na contaminação nuclear
todos pagam caro
vidas no céu, no mar, na terra
milhões morrem
e outros ainda desaparecidos.
Quando será o que a espécie
aprenderá a controlar
os riscos da nuclear energia?
Postado por BOSCO PRODUÇÕES DIVERSAS às 12:49 Nenhum comentário:
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Pensamentos para refletir: Casa sem livro é corpo sem alma. Cícero.
Casa sem livro é corpo sem alma. Cícero.
Aqui você tem vários pensamentos selecionados...
José João Bosco Pereira - abril de 2011.
Porque o homem de gênio,/ o homem de talento,/ Além de ser mais sensível ao mal que recebe,/ Vê maiores as dores do mundo,/ E vê que não vale a vida/ Senão como um caminho/ Para a Eternidade... Sebastião B. Milagre
Éramos utópicos e românticos na ditadura, que tirava ou tentava tirar nossa vontade de participar politicamente pela transformação da sociedade nos anos 1960. Mas o socialismo representava nosso desejo de participação, o sonho de uma sociedade igualitária e justa. O estado estava calcado nas forças armadas. Até 1980, havia perseguição. Éramos filhos do exílio... Lutamos por uma sociedade democrática, participante e de livre em escolhas. João Carlos Boni Garcia – um dos torturados, que participa do filme Em teu nome, de Paulo Nascimento, diretor de cinema. (entrevista TV Senado)
Falar de ruas, praças e avenidas, é falar de histórias, é relembrar o passado, é fixar-se no ontem distante. Os logradouros são lugares de andarilhos, dos desencantos que a vida nos proporciona. Murilo Araujo (poeta de Serro, MG, autor de Aconteceu em Nossa Terra – pequenos casos de grandes homens. 3ª Ed., RJ: 1988, Ediotra Pongetti.)
Parabéns, Do Carmo,
Você conseguiu fazer os brócolis
Ficarem gostozinhos e verdinhos
Para nosso almoço de domingo
E eles estavam fresquinhos
No nosso prato com sabores multicolores...
(Lucas e João Bosco em 16 de jan. de 2011)
... Campos de futebol em Carmo da Mata
Divinópolis possui o melhor chuveiro do mundo.
Mário de Andrade, em “Noturno de Belo Horizonte”
O que a memória ama/ fica eterno. Poema do Zé, em Bagagem, de Adélia Prado
Corgozinho (2003) afirma Nas Linhas da Modernidade que :
O moderno como portador do novo ou contraposição ao antigo (...) demarca uma mudança de mentalidade, no modo de vida cotidiano, na economia e política. Os indivíduos buscam o entendimento de si e do mundo na modernidade, sem tutelas externas.” (2003, p. 278)
Não se pode julgar a força de um homem pelo seu aspecto físico e nem pelos seus títulos. Eu quero uma vida que seja minha somos queixa porque não temos direitos de escolher. Meias-esposas e esposa da noite. Não somos imperatriz e nem rainhas, mas uma outra espécie de mulher. Memórias de uma queixa, filme da Globo, em 08 de jan. de 2011.
Nunca conseguiria contar uma história completa. São fragmentos que não se casam e são livros a ser ainda lidos. Mate-me de prazer, filme da Globo em 08 de jan. de 2011.
O amor tem coisas surpreendentes. Cacau e Milagre
Neologismos de Milagre: sidilirismo (O poeta torna-se cúmplice da modernidade em sua cidade em crescente verticalização e o urbanismo que ocorre no seu bairro é testemunhado pelo poeta, que elogia o prefeito Walchir Resende, é o neologismo é para iniciar os poemas como “O achado paraíso, em doador de Sangue 1990, p. 81), hostilense e divinolense, divícia (ação a favor da cidade de Divinópolis na delegacia em que o poeta trabalhava).
Agradeço aos trovadores divinopolenses e aos de outras localidades do Brasil, o incentivo, o acolhimento e o carinho a que me dispensaram. Ao público que me honrou lendo minhas trovas, minha comovida gratidão. Divinópolis, 1990, MG, em Quartetos de Sopro (1991). O Autor.
Em A recompensa”, em Doador de Sangue (1990, p. 59): “A glória é ter exercído/ uma função policial/ (fui escrivão de polícia)/ sem ter feito nenhum mal/ nem praticado sevícia./ (além de glória, divícia!)”
Em Lixo Atômico (1987), de Sebastião Bemfica Milagre - O homem – (Colosso!!!) osso,osso...
Em Lixo Atômico (1987), de Sebastião Bemfica Milagre - O homem – (Colosso!!!) osso,osso...É uma forma de ironia dentro da palavra colosso está osso. Dentro de um processo de desconstrução, ação da bomba atômica, o gigante se decompõe em seus ossos. O poeta quis mostrar a fragilidade do homem quando utiliza a tecnologia para o mal. É o império de Tanatos contra Eros, morte contra vida. A alquimia da decomposição do homem em vermes e sua escatologia química redutível aos elementos da natureza – é o tema de Augusto dos Anjos que Milagre aproveita. O contexto a que o poeta se refere é o pós Guerra Fria, a conquista da Lua, o masoquismo de esperar o momento certo se o homem sente que seu desejo é postergado sempre... Ninguém consegue alterar o tempo presente – ele é igual para todos e o envelhecimento é inevitável. Contudo, o homem tende diminuir os dias de trabalho e aumentar o ócio e lazer, a partir da quinta-feira O poeta diz ser a corrupção o sinal dos tempos. Nesse sentido, somos fisgados nossa inclinação ao mal e à abjeção. A parte final do livro é dominada pela religiosidade... O poeta que prediz seu ciclo de barro, agora é retomado como o ciclo da dor: todas as ações do poeta se articulam com o sufixo “-dor”: amador, criador, sofredor... No final, o poeta diz ser um imperativo existencial:”é tempo de calar...” porque tudo que disse não vai repetir... já falou!
Os deuses brincam com os humanos como meu filho no Shaldew of the Colossus, play station (2010)
E os dizeres da “Oração Preparatória” e do ‘Epílogo” são os seguintes do texto milagreano da Via-Sacra (1960):
Rogo-vos que, aprendendo a carregar, paciente,
Ate ao fim, a cruz desta existência,
Possa eu ter a confiança
De que e segundo o vosso exemplo,
Exemplo de perdão, exemplo de humildade
E de respeito ao Pai, que o homem entra no templo
Da Eterna Felicidade!... (1960, p. 34)
- E quero vos pedir (bem sei que o não mereço,
Mas por ser o melhor dos prêmios a eu aspiro)
Que depois de vos ter, em alma, acompanhado
Nessa via de dor, de flagelo e tropeço,
Possa ter uma sem igual ventura,
A de participar, também, um dia,
Do vosso triunfo sobre a morte fria...
Assim, serei a mais ditosa criatura.
O senhor... mire, veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: Que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não forma terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas
O Brasil não é para principiantes. O europeu não o entende. Tom Jobim
Foi Deus que fez você (...)
O anonimato dos afetos escondidos
A saudade dos amores destruídos
Deus fez o violão tangente
E fez a gente só para amar... (Música de Zé Ramalho)
Jesus nazarenus Rex Iudaeorum!
Se tiveres boa consciência não temeras a morte. (Malba Tahan) na Imitação de Cristo.
POEMAS DE CECÍLIA MEIRELES: OBRA POÉTICA. 1987, RJ: Nova Aguilar.
p. 229: MUSEU
... espelhos de memórias fugitivas;
Presença passageira e esquiva
Das heranças dos poetas, malogradas;
A água que nunca volta
A saudade de Deus
Vaga e inativa...?
p. 667: Poemas escritos na Índia.
“Tão grande, o mundo?
Tão curta, a vida!
Os países tão distantes!
E alma.
E deuses.
E andavam museus
De saudade
Por cima dos
Jardins.”
Pluralidade da história plural
Jose João Bosco – 08/01/2011.
Eu, da planície,
Tu,d as montanhas...
Somos bem estranhos...
Eu, não consigo me lembrar de tudo...
Tu esconde de mim teu passado...
Importa ou não ?
Suspeitar – ambos se estranham...
E o que eu digo
Se não estou contigo.
É sempre a escritura nossa implicadura
Uma tessitura de coisas e pessoas em rede
Um manuscrito incompleto, em aberto
Na gestão da memória
E suas metamorfoses e perdas, lacunas de uma esquecimento
Lembramos e esquecemos...
Lembramos par a esquecer...
E as distorções do espelho miro e custo-me ver e já então
Sou eu o outro...
São historias sempre parciais e pro plurais
Na cronologias vivenciada ou inventada
De segundos de uma vida construção de vidas
Cidades é sempre plural. São muitas as temporalidades esquecidas e híbridas. Elas aparecem como histórias não contadas de um tempo que se fez passado e volta como mal do arquivo. E a sua incidência no presente vem inquietar a historiografia oficial cristalizada nos livros e manuais onde a verdade parecia única e adormecida. Desacreditamos do mito da origem, criamos a ilusão do paraíso para falar da harmonia do Deus que caminha no jardim etério e intocável de felicidades; criamos o caos e a Babel para explicar a nossa dificuldade de aceitar a diversidade cultural e étnica. João Bosco.
“Poesias de Divinópolis” de 1955-1970, última parte de A Igreja de João XXIII (1986, p. 43-49) consta de três poemas, selecionados em ordem decrescente, a começar com “Divinópolis”, de 1970; “Feliz Aniversário” de 1947 e “A Ajuda do Céu”, de 6-5-1955.
No poema “Divinópolis” dos anos 1970, mais de 100 mil habitantes na cidade, o olhar clínico do poeta sobre as contradições sobre a cidade-novo, cidade-povo, que cresce ou “exsurge” paradoxalmente é denunciado no texto. Assim, o ufanismo modera-se e é retemperado ou questionado à luz do cruzamento de horizontes antagônicos e antitéticos como a modernização da cidade e seus trilhos, comércio e empresas de um lado, e, de outro, a marginalização dos pobres em seus bolsões de pobreza na terceira estrofe; a favela da “Laginha que engatinha”, já na primeira estrofe; na periferia do bairro pobre do Catalão, de “pé no chão” na segunda estrofe:
Cidade fulge
Na industriaria/ (...)
Na siderurgia (...)
Surge e exsurge
Na estudoria.
Mas engatinha
No alto laginha.
Cidade malho
Trabalhadoria
Tarefa calo
Comercioria
Beleza salta
Na praçaria;
Cidade-não
De pé no chão
No catalão.
Cidade-novo
De povo novo
Sem bitolia,
Povo que a sorvo
Não admite
Paternaria
Do próprio esforço;
Sozinhamplia
Transformaria;
Mas da pobreza
Geme a dureza.
Cidade forte
Aspira muito
Celebra a arte
No amanhã-dia,
Já sem laginha
Que engatinha,
Sem catalão
de pé no chão
A importância do poema “A Igreja de João XXIII” evidencia a abertura da Igreja com dois papas: João XXIII, Cardeal Ângelo Roncali, que se tornou o Papa da paz e dos pobres (28-10-1958 a 1963) e ele convocou as reformas pastorais e litúrgicas do Concílio Vaticano II, e o Paulo VI, que deu continuidade ao concílio desde 1963. A missa pode ser rezada no vernáculo ou idioma pátrio, embora ainda seja o latim a língua oficial da Igreja católica. Leigos e leigas participam diretamente das ações litúrgicas. O mundo não é mais visto como ameaça à fé cristã, que deve ser fermento na massa. No Brasil, destacou-se Cardeal Hélder Câmara, arcebispo da Bahia, pelo seu heroísmo em enfrentar abertamente e criticar a ditadura como proteger e defender os que foram perseguidos. Paulo Evaristo Arns escreve Brasil Nunca Mais, contra a tortura e violências da ditadura como um dos piores estigmas contra o povo brasileiro.
Milagre, leitor da Imitação de Cristo, enfatiza que novos ares chegaram às igrejas e às religiões para que os homens superassem o racismo e intolerância, procurassem a justiça como melhor caminho da paz. Ele chama a lição ao século XX como “semântica ladainha” ao lado do século de assaltos e guerras, uma dura contradição, tecnologia e miséria, lado a lado. (1986, p. 10)
Milagre aproveita esse opúsculo para inscrever-se como o primeiro poeta ministro extraordinário da Eucaristia nos anos 1970 e 1971, indicado por Pe. Vicente Evaristo, quando foi vigário da Catedral, e o bispo era Dom José Benedito Nascimento. O poeta, então, escreve o poema “Ministro da Eucaristia”: “eu subir ao altar/ hóstia aos outros entregar./ eu – sub- vim ao altar/ à hóstia-cristo me entregar.” (1986, p. 17) E no poema “O Irmão dos irmãos”, Milagre confessa, em 1965, a dificuldade de viver o evangelho como “sinuca-de-bico” ainda que peça Cristo: “Salvador, pusestes-me na arena/ entre feras humanas.” (1986,p. 19)
Em o “Ecumenismo 1966”, Milagre destaca um encontro entre o Frei Miguel e um diácono batista Nilo Maciel. Essa ação foi possível pois estava fundamentada na perspectiva ecumênica do Vaticano II e o diálogo religioso das igrejas e religiões. Paulo VI procurou mantinha intercâmbio com Athenágoras, da Igreja Ortodoxa, e o arcebispo anglicano Michael Ramsev.
Nas orelhas do livro O Melhor da Antologia: Convite à Navegação Sem Rumo! (2010), reconstitui a fundação da ADL, tão conhecida dos acadêmicos e contextualiza a iniciativa, a idealização e a participação de Sebastião Bermfica Milagre na noite de 08 de junho de 1961. Dados esses que são confirmados na ata de fundação da Academia Divinopolitana de Letras (em anexo). Nesse conjunto de informações dessa antologia1, cita-se:
O poeta Sebastião Bemfica Milagre, exercente da prosaica profissão de escrivão de polícia, à tarde, passava pela Farmácia Campos, situada na rua Goiás, em frente ao antigo Cine Arte Ideal, sempre parando com o proprietário, farmacêutico José Maria Álvares da Silva Campos, para uma breve tertúlia a dois, às vezes a três ou quatro, se passava uma conhecido também afeito à arte de versejar. O Sebastião, mais jovem, olhando o outro pelo prisma de sua poesia, (...) sugeriu a criação de uma academia. Ideia aceita. Com pouco o duo virou tíduo com a adesão do jovem advogado, mais aplaudido da cidade, já cognominado “Patativa de Divinópolis”. Foi lembrado o nome do poeta Jadir Vilela de Souza, mas este, bancário, estava distante. (...) [Este] gostou da idéia e se fez logo o capitão da empresa. De modo decidido, marcou uma reunião dos quadro pioneiros para tomar uma diretiva. Ficou acertado reuniram-se na residência de Sebastião Milagre, esquina de rua Paraíba e a Av. Getúlio Vargas, contra-esquina da Praça de Esportes do Divinópolis Tênis Clube, na noite do dia 08 de junho de 1961.
Essa citação é importante como decisão política da fundação da ADL e sua composição inicial, incluindo o poeta Sebastião Milagre como seu idealizador. Dos fundadores, apenas está ainda vivo Jadir Vilela, que fora aluno de sonetos de Sebastião Milagre. Morreram, na seguinte ordem: José Maria Campos, Milagre em 1992, Carlos Altivo em 13 de junho de 2009.
Em artigo do Jornal Divinópolis, de 28/92/92, p. 02, Carlos Altivo como professor de Economia Política escreveu o artigo “A morte do poeta maior”, enfatizando:
Habitualmente os poetas vivem é pelo coração. Do mesmo coração, por quem tanto viveu, morreu nosso poeta maior. Sebastião Bemfica Milagre. Divinópolis, uma cidade tão pobre culturalmente falando, ficou mais pobre ainda com a morte deste sue filho querido. (...) sem ostentação, simples de atitudes e rico de beleza moral. (...) Seus livros publicados, seus versos, forma e serão sua maior propaganda, colocando-se como nosso poeta maior. A tragédia do intelectual provinciano é se considerar auto-suficiente. Embalado pela fama considera-se o único, um monstro sagrado. Passa a ter a visão universal e esquece as coisas locais. Não participa em nada da sua cidade. Como se fosse vergonha ter um berço cultural humilde. Com o tempo, torna-se um estranho no ninho. Seu conhecimento, sua cultura, tudo é para uso externo, dos outros. Nunca para o seu povo, sua gente. Sebastião Milagre foi o contrário de tudo isto. Um dos fundadores da Academia Divinopolitana de Letras, toda a sua grande obra foi feito dentro dela. Prestigiando sempre o que é nosso. Era, por isto mesmo, preso ao torrão natal, às coisas de Divinópolis, como aqueles irmãos Karamazoviski, de Dostoievski.
A partir de seu ponto de vista, Carlos Altivo alude ao momento inaugural da ADL:
Há muitos anos, José Maria Campos, Sebastião Bemfica Milagre, Jadir Vilela de Souza e eu fundávamos a nossa Academia. Dois já se foram. De minha parte, Sebastião, já estou de espera. Recomendações a São Pedro. Breve, pela fatalidade das leis da Biologia, pedirei carona na cauda de um cometa e, no céu, certamente se Deus quiser, juntamente com os outros companheiros que se foram, faremos mais uma animada reunião da Academia. Até breve.
O local da primeira reunião e ata foi na moderna residência de Milagre na Rua Getúlio Vargas; a casa não existe mais, cedendo à construção da atual Praça de Esportes do Divinópolis Tênis Clube. No Álbum de Família (2010), pode-se ver esta residência de Milagre.
Atualmente, a Sede da Academia Divinopolitana de Letras está sediada no Prédio da Estação Ferroviária da EFOM – Estrada de Ferro Oeste de Minas, estilo neoclássico, inaugurada em 31/04/1916, com o tráfego das bitolas de 1,00 e de 0,76 metro. Salas e repartições internas tinham belas paisagens regionais pintadas nas paredes, as quais foram descaracterizadas por reformas feitas pela concessionária, FCA – Ferrovia Centro-Atlântica. O prédio desativado foi comodatado com o poder municipal, destinado a abrigar entidades culturais e órgãos da Secretaria Municipal de Cultura de Divinópolis.
(TAVARES; MERCEMIRO, 2010, p. 142)
Nesse antigo prédio, funcionara a antiga Praça da Estação Henrique Galvão, um dos nomes com que fora nomeada a cidade como Vila Henrique Galvão, hoje situada atrás do Pronto Socorro de Divinópolis, no centro da mesma cidade. Esse prédio é um dos poucos que sobreviveram às demolições constantes desde 1960. Com o Museu Histórico de Divinópolis, a Praça da Estação Henrique Galvão é um dos monumentos tombados pelo patrimônio histórico e cultural do município de Divinópolis, em Minas Gerais.
Esses fatos nos remetem à História da cidade e cultura de Divinópolis no início do século XX como a cidade que nascera dos trilhos no centro-oeste mineiro, enquanto a vida e obra de Sebastião Bemfica Milagre integram parte significativa da fundação da ADL nos anos 1960.
Segundo as atas da ADL e as correspondências da mesma academia, Milagre participava ativa e fraternalmente das reuniões. Zelava pelo bom andamento da ADL. Pode-se enumerar algumas das atividades que fizeram e faz parte da agenda cultural da ADL, em que Milagre contribuía pontual e criativamente: ciclos de palestras mensais; concursos literários diversos. Concursos internacionais de sonetos e de trovas. Concurso nacional de crônicas; criação do Museu Histórico e do Prêmio Cidade de Divinópolis; Edições de antologias e anuários (a primeira antologia sob organização de Milagre Mar, todas as águas te procuram2: contos, crônicas e poesias em 1962, deferida na primeira presidência, exercida por Gentil Ursino Vale, advogado natural de Resende Costa); Encontro de Academias de letras; realização de reuniões abertas à comunidade divinopolitana e saraus em parceria com associações de classe. (compilação de João Bosco em dissertação de mestrado em 11 de dez. de 2010)
Poesia é a linguagem do indizível, espaço de transcendência. É protesto contra o autoritarismo. É uma maneira de dizer o universal no regional. É um léxico diferente e lúdico, lírico e subversivo. A poesia nos expressa artisticamente. Isso é emocionante ou decepcionante. Há aí um traço do simbólico e da libido misturado. É um lugar para o outro falar entre ruínas e fragmentos da vida. É o vestígio do esvagiado. Deslocamo-nos nas entrelinhas da escritura, que nos capturam e nos evidenciam aos olhos de um leitor futuro. Morremos hoje para ressuscitarmos no texto um dia, sabe lá! As memórias se despedaçam e são apropriadas diferentemente lá no presente do futuro. Os sonhos não envelhecem e sublimamos no desejo de ser um outro... João Bosco sintetizando o aprendiz de São João Del-Rei, meu futuro escrito!
Parei para rever papeis, arquivos meus, jogar fora o que não serve mais. Vi que tudo era vaidade. A vida passa, estranha; o tempo tudo e nada esquece! Tudo passa com o homem. Os papeis são fósseis de gelo do passado. João Bosco 11 de junho de 2009.
Somos todos anjos com uma asa só; e só podemos voar quando abraçados uns aos outros. Luciano de Crescenzo.
Ao percebermos erros nos outros é um aviso para ver e corrigir as próprias falhas. Frei Anselmo Fracasso.
Dom Bosco, vós vos combadecestes das desventuras humanas; tivestes tanta devoção a Jesus sacramentado e a Virgem Auxiliadora; ajudai-me a fazer a vontade de Deus a meu respeito. João Bosco.
O cinema nasceu de uma ilusão de um trem na direção de pessoas em um café – a idéia deu certo.
Povo sem tradição é árvore sem raízes. O homem foi feito para narrar. Somos feitos de indagações. A cultura é a mediação e imaginário. A fábula é simbólica e universal, são história de que pensamos. Nasceu da oralidade sua forma primeira de sobrevivência. Frei Beto.
Irene Amaral Ferreira, que prefaciou fábula e o Livro do Povo, de Hugo de Lara (1975, p. 10), destaca que “O ROTEIRO DO POETA é claro e bem traçado. Confissão pública de uma juventude plenamente vivida e não exaurida ainda. Daí a sensação de que as palavras ainda são verdes.
Entretanto, a surpresa do leitor é mansa e reconfortante à medida que se penetra no mundo do autor a trilha vai sendo traçada pela própria gênese dos trabalhos. Todo o organismo compilados dos trabalhos sofre aqui o influxo da descoberta do homem-poeta e a consciência do que isto significa, principalmente na cultura de hoje. Ficaram gentes encurvadas ao pé da letra,/ e eu, poema ignorado.” Hugo de Lara – A fábula e o livro do Povo. (1975, p. 10),
Somos nossa memória. Jorge Luiz Borges (Eu me revejo na memória. Em Cantos Para a Flauta e Pássaro, p. 101, Osvaldo André de Melo.
Eu não quero garantir a verdade da minha interpretação. A humanidade caminha esperançosa, tentando vencer os obstáculos da própria angústia e insegurança existencial.
Que o intelectual precisa de livros, é verdade, mas precisa também de coração, integrado em todo seu trabalho intelectual e publicitário. Frei Bernardino Leers.
Não são as semelhança entre você o mal que vale, mas a diferença. Todos temos dos dois lados, mas depende de nossa opção. Hogward
O passado está vivo em quadros no castelo; as pessoas que perdemos voltam na forma que esperamos. Michel Goldenberg
Estive refletindo! Poucas coisas nos sobram do passado! São fragmentos da memória que nos cabe realizar alguma forma de conexão no presente. Meu pai Sebastião Pereira deixou grande biblioteca que os cupins destruíram em menos de 10 anos. Sobraram fotos e gravação, filmes, documentos pessoais, o consultório que meu irmão herdou, a cordion, que ele não tocava... os amigos dele iam lá em casa tocar para a gente. As lembranças da infância, as viagens, sua terra Cajuru e as árvores e eucaliptos La no Chaves que ele plantou e outros já destruíram. E o Sebastião Milagre, eu tive dele o acesso ao violão, o álbum de família, livros, o original de Doador de Sangue na ADL (1990). E aqui e acolá de vez em quanto me deparo com algum documento ou testemunho sobre ele. E as lembranças de alguns amigos. O arquivo vivo se une ao arquivo morto, epitáfio na laje do cemitério Central, fotos antigas, acervo disperso do poeta, e a memória dos que ainda estão vivos e o conheceram. João Bosco.
O Tártaro – reino de Perséfone, além dos campos Asfódelos, ficava no subterrâneo de Hades. À esquerda, ficava Letes, o Lago do Esquecimento, lugar dos espectros. Com Orfeu, tinha uma senha de acesso ao lago de Memória, Mnemósine, com Choupo branco. Podiam falar do passado e prever o futuro. Aí ficavam os mortos bons. Em Deuses e heróis do Olimpo: as maiores aventuras de todos os tempos. Robert Graves. RJ: Thex, 1992.
Toda saudade é a presença da ausência de alguém, de algum lugar, de algo, enfim. Súbito (...) não se pode ver o que se deixou para trás, mas que se guardou no coração. Gilberto Gil
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente. Autopsicografia de Fernando Pessoa
Em Ovierdo surge de suas igrejas imagens de morte e de redenção ante a incompreensível perda da vida.
O poema
É uma ilha
Cercada de palavras
Por todos os lados. Cassiano Ricardo. (Gilberto Mendonça Teles. A retórica do Silêncio. Mec/Cultrix, 1980.)
O homem vive de razão e sobrevive de sonhos. La Rochefoucauld
Viver é rato; a maioria das pessoas apenas existem. Anônimo
Toda unanimidade é burra. Nelson Rodrigues
Quem gosta de abismos tem que ter asas. Nuit
As dificuldades fizeram-se para serem vencidas. Barão de Mauá
Da nada adianta a liberdade, se não temos a liberdade de errar. Mahatma Gandhi
Existe um meio de tornar isso melhor. Encontre este meio. Thomas Edison
A verdadeira motivação do homem é viver, não penas existir. Jack London
A vitória não consiste em receber honras, ma em merecê-las. Aristóteles.Eu vou a qualquer lugar, desde que seja em frente. Dr. Livingst
Todo conhecimento vem a nós hoje; antes íamos até ele. O arlegim é o ícone de hibridismos culturais com suas cores diferentes de um passado distante vindo do Egito, Grécia, India, para a Europa por meio de Marco Polo. A arte varia do nadir ao Zênite. Teatro, poesia e circo são expressões da cultura na alma de seu povo. A memória está na voz do artista, no corpo ágil do trapezista, na confiança do contador de histórias... Passant-Besson
Queres os valores do povo veja o cotidiano e os arquivos das diferentes gerações.
O EU PEGA CARONA
No tempo;
Passam como a erva do campo e dos telhados
E a vida é só presente, só o presente!
Depois é a fé no além, não presente, transcendente...
João Bosco.
A vida passa
Num segundo
Quando a gente vê
Estamos no outro mundo.
A vida é luta renhecida
Não fique na vitrine
E nem no desfile da avenida...
João Bosco – dez. 2010
Abaporu: vem de Aba (homem) e Poru (comer), é a base icônica da antropofagia, a imagem primitiva do Brasil e seus índios, a busca por emancipação, atualização dos artistas
As pessoas não são apenas impressões bioquímicas,
São emoções e sentimentos... Brair Lyon.
“O ROTEIRO DO POETA é claro e bem traçado. Confissão pública de uma juventude plenamente vivida e não exaurida ainda. Daí a sensação de que as palavras ainda são verdes.
Entretanto, a surpresa do leitor é mansa e reconfortante à media que se penetra no mundo do autor a trilha vai sendo traçada pela própria gênese dos trabalhos. Todo o organismo compilados dos trabalhos sofrem aqui o influxo da descoberta do homem-poeta e a consciência do que isto significa, principalmente na cultura de hoje. (no Prefácio de Irene Amaral Ferreira, A fábula e o Livro do Povo, de Hugo de Lara, 1975, p. 10). “
Ficaram gentes encurvadas ao pé da letra,/ e eu, poema ignorado.” Hugo de Lara – A fábula e o livro do Povo.
O Brasil não é para principiantes. O europeu não o entende. Tom Jobim
A universidade existe para democratizar a cultura.
Os mortos garantem o ciclo de novas gerações quando são cultuados. O homem não morre, ele troca de condição. A morte é uma metamorfose: a vida não é tirada, mas transformada. A morte é natural e anticultural. A cultura aniquila ou absorve a cultura a sua conveniência.
A mente é a transformação como a pedreira na mão do arquiteto. Falar e pensar estão juntos. O ocidente polemiza a verdade do oriente. W. Goethe.
A verdade vem da meditação: tornamo-nos um com o que pensamos. A lei da natureza é o silêncio. A linguagem não contém a verdade do mundo. A reflexão é a educação pelo calar-se. Confúcio.
A primeira condição de quem escreve é não se aborrecer. Machado de Assis
As dificuldades geram a paciência e esta gera a esperança. São João Maria Vianney
A vida para mim tem contorno de mulher. Compreendi sem compreender o mapa-múndi. Sebastião Bemfica Milagre
Meu pai teve para conosco um amor carismático – ágape – um carinho paternal.
Basta ter fé e tudo pode ser possível. Jaime MartIns (Cemitério Central)
Tudo marcha para a arquitetura perfeita. A aurora é coletiva,em Poesia Liberdade, de Murilo Mendes (1947).
A cidade é a coisa mais humana por excelência, supõe o encontro do sujeito com o objeto, da natureza com a cultura. Lévi-Strauss. (em Saudades do Brasil, canal 20, TV Senado, out. 2010.)
O homem é um ser cultural e constrói valores que são seus. A modernidade foi surto de decisões... As cidades selvagens das Américas é o novo barbaro que saquei o arquivo europeu. F. Gullar
Quando uma pessoa sente fome, é porque tudo o mais já lhe foi negado.
Betinho
Postado por BOSCO PRODUÇÕES DIVERSAS às 12:44 Ne
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Os arquivos de Sebastião Bemfica Milagre: um Lírico da modernidade em Divinópolis
Os arquivos de Sebastião Bemfica Milagre: um Lírico da modernidade em Divinópolis
José João Bosco Pereira – 31 de março de 2011.
Profª. Drª. Maria Ângela de Araújo Resende – UFSJ (orientadora)
INTRODUÇÃO
Esta pesquisa pretende organizar e analisar parte da obra de Sebastião Bemfica Milagre (02/09/1923 - 22/02/1992), “o poeta de Divinópolis” (BESSA, 2003a) constante dos acervos e arquivos dispersos (arquivos pessoais e em instituições). Contemporâneo de Adélia Prado, em 1941 o poeta inscreve-se nos jornais locais, como poeta e cronista. Nos 1960, divulga o Jornal Literário Agora; integra-se aos “Moços do Agora” contra a ditadura. Gomos da lua (1963), transição entre a tradição e a modernidade, aponta novo fazer poético. Em 1968-69, engaja-se nos Movimentos Arte I e II, amplia o contato com poetas mineiros, de Portugal e do Brasil. Nos anos 50, com a radiodifusão sonora, divulga a música clássica em Divinópolis. Gritos (1972) é o lamento pela morte precoce de Lilia, esposa do poeta. Em 1976, casa-se novamente com Maria do Carmo Mendes. A partir dos estudos contemporâneos sobre memória e arquivo, pretende-se construir uma pretensa biografia do autor, tendo como corpus tanto as obras editadas, os inéditos quanto documentos disponibilizados para esta pesquisa e suas publicações em jornais e revistas
1. OBJETIVO GERAL
Organizar o acervo disperso de Sebastião Bemfica Milagre e analisar a relação de sua produção (poética e jornalística) com o contexto político e cultural, à luz dos estudos contemporâneos sobre a memória e os arquivos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
I. Levantar a produção poética e respectivos temas e formas de escrita do poeta Sebastião Bemfica Milagre.
II. Investigar os arquivos (documentos, cartas, postais) e publicações difusas do poeta em jornais e periódicos, como suporte para o entendimento de sua poética.
III. Identificar e analisar os perfis do poeta entre 1940 a 1990, considerando-se sua atividade poética e sua inserção cultural nos Movimentos Arte I e II, na tradição e na modernidade.
IV. Identificar os temas presentes na poética milagreana e o diálogo estabelecido com os movimentos culturais em Minas Gerais e no Brasil.
1. JUSTIFICATIVA DO PROJETO
Pensar a memória cultural pelo viés da pesquisa em arquivos possibilita uma leitura da tradição escrita e o acesso a obras até então desconhecidas tanto pelos leitores quanto pela crítica literária. O poeta/cronista/orador, Sebastião Milagre, homem de muitas atividades intelectuais, construiu um repertório variado e participou de movimentos que nos permitem pensar o Brasil, a partir do interior, no caso, a cidade de Divinópolis. Nesse sentido, como pensar a modernidade dessa poética, configurada numa memória dispersa? Corgozinho (2003, p. 278) situa esse novo na modernidade local: “o moderno como portador do novo ou contraposição ao antigo (...) demarca a mudança de mentalidade, no modo de vida cotidiano, na economia e política. Os indivíduos buscam o entendimento de si e do mundo na modernidade, sem tutelas externas.” Em 27/8/69, na “1ª Semana de Arte”, Milagre confidencia: “Participante é a poesia que traz em seu contexto tudo aquilo que se refere ao cotidiano, às manifestações pessoais e coletivas. (...) Dou valor à persistência, algo novo é recebido com reservas, mas, se é de boa qualidade, aos poucos, será aceito”. (In: BESSA, 2003b, p. 60 e 69) O viaduto das almas (1986) e O doador de sangue (1990) representam a maturidade poética de Sebastião Milagres e o endosso à memória coletiva. As muitas faces desta poética: o lírico, o cultural, o político e o textual se entrelaçam nas estéticas do século XX: o Modernismo Brasileiro e as Vanguardas. Nesse sentido, este trabalho pretende colocar em cena tanto o poeta como seu repertório rico e variado, ainda não contemplado pela crítica, mas que demarcou lugares de enunciação capazes de refletir o diálogo com as produções culturais do seu tempo.
METODOLOGIA
Os perfis do poeta - o poeta-escrivão, o cronista, o crítico literário, o trovador, o orador, o prefaciador - constituem desafios metodológicos à catalogação e classificação dessas memórias como arquivos culturais. Um dos indícios está no Suplemento Literário de Minas Gerais, nº 05617, jan./1968 e nº 15811, julho/1979, com o qual no deparamos com material inédito nos arquivos e acervos de amigos e de instituições. Através de Benevides (1979), Corgozinho (2003), Castriota (2008), estabelecem-se as interfaces entre os perfis, as obras e os temas recorrentes na poética, na crônica e na memória coletiva como legados milagreanos. O trabalho será dividido em três etapas: 1) seleção, catalogação e organização dos arquivos de Sebastião Bemfica Milagre (obras publicadas, inéditos e dispersos, publicações em jornais; discursos, cartas, postais e outros); 2) discussão da fortuna crítica sobre o poeta e análise desse repertório à luz das teorias contemporâneas sobre arquivos e a utilização do conceito de memória como categoria analítica; 3) situar o poeta/autor/cronista no panorama das letras, mais especificamente no período de 1960 a 1990.
RESULTADOS PARCIAIS: Até o momento, foi feito o levantamento da correspondência ativa e passiva do poeta, que se encontra em arquivos dispersos. O arquivo de Maria do Carmo Mendes, viúva do poeta, revela material inédito, enquanto Paulo Milagre, filho do poeta, disponibilizou algumas fotos do álbum de família. A “nota Oficial”, divulgada no jornal Agora, de 1º de maio de 1968, possibilitou-nos o acesso à questão da tortura a que seu filho Weber foi submetido. Realizamos um levantamento do roteiro de viagens de Sebastião Milagre, seus deslocamentos e parte de suas leituras, a partir de consulta em arquivos de amigos e entidades diversas como museu, escolas, bibliotecas e cemitério. Foram feitas tabelas com dados básicos como antologia, crônicas e temáticas recorrentes do acervo milagreano. Compilou-se uma síntese biobibliográfica sobre o poeta por meio desses levantamentos de dados e parte de suas crônicas e correspondências.
SUMÁRIO DA DISSERTAÇÃO:
Introdução - Dos arquivos pessoais à memória coletiva (1940-1992)
Capítulo I – Os arquivos de Sebastião Milagre: entre a tradição e a modernidade; Capítulo II – A poética de Sebastião Milagre: entre o local e o global;
Capítulo III - Uma possível biografia – Considerações finais
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
OBRAS DE SEBASTIÃO BEMFICA MILAGRE
MILAGRE, Sebastião Bemfica e WEBER, Antônio. Gomos da lua. Imprensa oficial MG, 1963.
MILAGRE, Sebastião B. Gritos. Divinópolis: ADL (Academia Div. de Letras), 1972.
MILAGRE, Sebastião Bemfica. O viaduto das almas/ O homem agioso. Sto Antônio, 1986.
MILAGRE, Sebastião B. O doador de sangue/ Procissão da soledade. Sidil, 1990.
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ACHUGAR, Hugo (Org.). Derechos de memoria: Nación e Independencia en América Latina. Montevideo: Departamento de Publicaciones – Faculdad de Humanidades y Ciencias de la Educación, 2003.
ARTIÈRES, Philippe. Arquivar a própria vida In: Arquivos pessoais – Revista Estudos Históricos. Rio de Janeiro: Ed. FGV, vol 11, nº 21, 1998. Disponível em: http://www.cpdoc.fgv.br/revista/arq/234.pdf .
ASSIS, Ailton Alexandre de. Um lampião dentro da mala: o arquivo pessoal de Octávio Leal Pacheco - memória e autobiografia. Disssertação de Mestrado apresentada ao Progragra de Mestrado em Letras-UFSJ. São João del-Rei, 2009.
BENEVIDES, Maria Victoria de Mesquita. O governo Kubistschek: desenvolvimento econômico e estabilidade política (1956-61). 3ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1979.
BESSA, Pedro Pires. Sebastião Bemfica Milagre: o poeta de Divinópolis. Fapemig, 2003a.
BESSA, Pedro Pires. Textos e ressonância. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de MG, 2003b.
CASTRIOTA. Leonardo Barci e MACHADO, Rafael Palhares. (Orgs.) Saberes articulados de Aristides Salgado dos Santos. IAB-MG/ IEDS – Belo Horizonte, 2008,
CORGOZINHO, Batistina Maria de Sousa. Nas linhas da modernidade: continuidade e ruptura. Belo Horizonte: Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais. 2003.
COLOMBO, Fausto. Os Arquivos imperfeitos. São Paulo: Perspectiva, 1991.
DERRIDA, Jacques. Mal de arquivo: uma impressão freudiana. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2001.
MARQUES, Reinaldo. O arquivo como figura epistemológica.
MIRANDA, Wander Melo. Apresentação. In: A trama do arquivo. Belo Horizonte: Editora UFMG/Centro de Estudos Literários da Faculdade de Letras da UFMG, 1995.
POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. In: Revista Estudos Históricos, v. 2, nº 3, 1989.
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