NARRATIVA SOBRE O CANTOR LUIZ GONZAGA

Conheci Gonzaga na Rádio ABC de Santo André, numa tarde de domingo quando ele vinha do Rio para se apresentar no programa de auditório Coração do Norte comandado por Pedro sertanejo.(1963)

Eu era gerente da emissora e o Pedro Sertanejo (grande sanfoneiro de oito baixos) o apresentou em minha sala, desde essa ocasião nasceu entre nos uma grande amizade e praticamente o meu nascimento para a musica e a comunidade nordestina.

Fui em seguida para a Rádio 9 de Julho, a convite de Geraldo Meirelles, onde lancei o programa Chapéu de Couro (1964) e a seguir a grande festa do Trofeu Chapéu de Couro, no Ginásio Lauro Gomes na Vila Gerty em São Caetano, com todos os maiores artistas da musica nordestina, sendo estrela principal o Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Marines, Abdias, Zé do Norte, Cel Ludogero, Ary Lobo, Luiz Wanderley, Zenilton, Vanja Orico, Milton Ribeiro e tantos outros. A festa começava as 16 horas, mas as 9 horas da manhã ja tinha imensa fila para entrar no estádio.

Juntos apresentávamos aos domingos as 10 horas da manhã diretamente do Teatro Bandeirantes (1969) com transmissão pela TV, o nosso programa tradicional.
Fiquei na TV-Bandeirantes por 2 anos.
Eu o acompanhava e participava em alguns shows de circos e forros.

Na rádio Globo e Record durante uns 15 anos, tinha um programa semanal exclusivo "A hora do Rei do Baião". onde apresentávamos todo o seu repertório com entrevistas e ele contando sua vida.

Ele me lançou como seu candidato a Deputado federal em 1970 e gravou varias mensagens, quando eleito (1974)em gratidão ofereci a ele um quarto de hospedagem permanente em Brasília, para que ele pudesse manter contato, com seu povo candango (construtores da Brasília) e as autoridades da república, já que ele defendia com muito carinho o interesse de seu povo, especialmente a questão do Echú.

Mas ele recusou a oferenda. Gonzaga ensaiou varias vezes para entrar na política, mas na hora H, vacilava e voltava atrás.

Ele sempre foi um politico nato, pois nas entrelinhas da suas canções sempre trazia o protesto e a defesa do seu povo. Junto ao solo de suas interpretações conversava com a plateia e mandava suas mensagens.

Filmamos juntos em Serrita o longa Chapéu de Couro, com a cenas da missa do Vaqueiro filme exibido durante 10 anos nos cinemas do Brasil, do qual foi extraído um documentário que passou em muitos países.

Quando Vereador por São Paulo outorguei em projeto de Lei o Titulo de Cidadão Paulistano, que o mesmo recebeu durante os festejos da 1ª Semana Nordestina.

Em razão dessa grande afinidade ele me chamava de filho postiço e deixou um carinhoso recado que é para mim um grande relicário.

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Quando a gente saia por ai despretensiosamente não tinha vergonha de pegar sua sanfona e alegrar o ambiente. Sua presença em qualquer lugar era sorriso e alegria.
Jorge Paulo - O Bandeirante do Norte.