(Sócrates Di Lima)
Há além mar um amor platônico,
Que nele nunca hei de chegar,
Nem mesmo num supersônico,
Alcançarei este amor lá onde deve ficar.
Vivo na distância,
Entre o aqui e lá...
em um mundo de contingência,
Entre lá e cá.
Vivo inquieto e na dependência,
de um ser que meu coração quer,
Mas na dependência do amor é evidência,
O amor platônico por uma mulher.
Minha vivência é precária,
Na vida dela que tento levar,
Não me obsta a indumentária,
Que visto para não chorar.
O amor pode estar distante agora,
Aqui, ali, em qualquer lugar,
Não chegou a minha hora,
Nem aquele amor há de chegar.
Mas, o que me importa,
Não vivo de solidão,
Aqui, por trás da minha porta,
Há uma alma e um coração.
Não tenho compromissos,
Nem ligações com ninguém,
Assim eu vivo isso,
Não me incomoda também.
Para tudo há um momento,
E hoje me interesso por alguém,
Distante, nasceu um sentimento,
Mas. não sei se o contrário tem.
Alias, eu bem sei,
Que não existe sentimento algum,
De quem ao longe avistei,
Um amor impossível que não passa de um.
Ai! Que a vida tem dessas coisas inevitáveis,
Um olhar sozinho na multidão..
Amor platônico, tatos intocáveis,
O que fazer, senão trancar meu coração!
Diacho..que sentimento é esse
É porque no amor me encaixo,
Mas no outro coração, um desencacho,
Até pensei que dela não houvesse interesse.
Mas ela diz que para sempre me ama...
Só que um impedimento existe, talvez
Um outro alguem chegou primeiro na sua cama
E eu aqui....triste, espero a minha vez!
Como Dom Quixote e Dulcinéia
Vivo enfrentando meus moinhos
E ela tem toda a minha plateia
Só não a tenho nos braços, nem seus carinhos!
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Dom Quixote e Dulcinéia
"O princesa Dulcineia, senhora deste cativo coração, grande agravo me fizestes em despedir-me e castigar-me com a proibição inumana de não voltar a gozar de vossa presença especiosa. Dignai-vos , senhora minha, aprendai-vos desse coração rendido , que tantas penas está carpindo por amor vosso."
Apesar de ter visto não mais de cinco vezes, Dom Quixote dedicou a sua amada Dulcinéia todas as suas loucuras, vitórias e feitos heróicos. E o que seria de um cavaleiro sem uma musa inspiradora? Por ela Dom Quixote atravessaria deserto, travaria batalhas épicas, lutaria com os mais valentes e fortes inimigos, para proteger sua dama, a mais bela entre todas por quem nutria um amor platônico e submisso. Mais quem melhor que o próprio Dom Quixote para descreve-la?
Então nos diga meu querido Dom quem era Dulcinéia del Toboso:
"O seu nome é Dulcinéia, sua pátria Toboso, um lugar da Mancha; a sua qualidade há de ser, pelo menos, Princesa, pois é Rainha e senhora minha; sua formosura sobre-humana, pois nela se realizam todos os impossíveis e quiméricos tributos de formosura, que os poetas dão às suas damas; seus cabelos são ouro; a sua testa campos elíseos; suas sobrancelhas arcos celestes; seus olhos sóis; suas faces rosas; seus lábios corais; pérolas os seus dentes; alabastro o seu colo; mármore o seu peito; marfim as suas mãos, sua brancura neve; e as partes que à vista humana traz encobertas a honestidade são tais (segundo eu conjeturo) que só a discreta consideração pode encarecê-las, sem poder compará-las."
(Miguel de Cervantes In: Dom Quixote)