A LETRA MATA

O apóstolo Paulo escrevendo aos Coríntios disse uma expressão que tem servido de tropeço para alguns. Aliás, a segunda epístola de Paulo tem realmente uns pontos interessantes, e que vale a pena ressaltar.

Disse o apóstolo: E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar o cheiro do seu conhecimento. Porque para Deus somos o bom cheiro de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para estes certamente cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida. E para estas coisas quem é idôneo? Porque nós não somos como muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus. II Co. 2:15-17. Mais adiante o apóstolo diz: O qual nos fez também capazes de ser ministros dum novo testamento, não da letra, mas do espírito, porque a letra mata, e o espírito vivifica. II Co. 3:6.

Já naquela época havia falsificadores da palavra de Deus, os quais diz o apóstolo não eram poucos. Se naquela época eles já eram muitos, imagine hoje que multidão não é.

Temos trabalho escrito mostrando o que é a palavra de Deus, a qual representa Cristo, o verbo ou a palavra de ação.

Também temos trabalho por nós elaborado, no qual falamos desse cheiro do conhecimento de Cristo, e que Paulo manifestava em todo lugar. Portanto, recomendamos o estudo do título “Conhecendo a Deus”, constante do questionário “A Lei Perfeita”.

Queremos, entretanto, nos deter um pouco mais na citação do apóstolo, feita a partir da segunda parte do versículo seis do capítulo três daquela epístola, onde ele diz: “não da letra, mas do espírito, porque a letra mata, e o espírito vivifica”.

Assim como no tempo de Jesus e no tempo de Paulo, hoje existem aqueles que se mostram rígidos quanto a citações escriturísticas, mas que são flexíveis naquilo em que não deveriam ser.

Jesus disse aos homens da sua época: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas. Mt. 23:23.

Jesus lançou-lhes em rosto as suas durezas de corações. Pois eles eram rigorosos quanto a um aspecto da lei, mas desprezavam outros. E quanto ao rigor com que se portavam citamos o caso da mulher pecadora apanhada em flagrante adultério, e que levaram a Jesus para terem de que o acusar. Disseram eles que segundo a Lei de Moisés ela deveria morrer apedrejada, e perguntaram-lhe a sua opinião. Jesus, que tudo sabia, lhes disse que aquele que não tivesse pecado que fosse o primeiro a atirar-lhe pedra. Jo. 8:3-7. Mostrou-lhes Jesus que o julgamento deve ser exercido por justos, o que eles não eram. Eles queriam cumprir a lei para bem parecer aos homens, mas como disse Jesus em outra ocasião: “nenhum de vós observa a lei”. Jo. 7:19.

Disse Jesus certa vez: Mas porque vos digo a verdade, não me credes. Quem dentre vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, por que não credes? Jo. 8:45 e 46.

Observemos que Jesus fez duas citações da verdade nessa ocasião. E quando ele estava falando da verdade, ele estava fazendo menção aos seus mandamentos que são a sua verdade.

Assim, não obstante o rigor com que aqueles homens aparentavam cumprir a lei, eles tropeçavam na pedra de tropeço: a lei de Deus. Pois eles buscavam cumprir o que a letra dada por Moisés ditava, mas omitiam aquela que deveria vir pelo espírito, já que é espírito e vida. Pois dela disse Jesus: As palavras que eu vos falo são espírito e vida. Jo. 6:63, ú.parte.

E até hoje é assim. Os judeus ortodoxos continuam buscando cumprir os ordenanças dadas por Moisés, não obstante já terem sido canceladas, e não cumprem a lei de Deus que é eterna.

Hoje os muitos falsificadores da palavra de Deus também são rigorosos quanto aos preceitos impostos por eles mesmos para os seus liderados, mas são flexíveis quanto ao cumprimento da lei de Deus. Inventam mil e uma artimanhas para subtrair o que podem dos pobre-coitados, mas ensinam-lhes outro tanto de desculpas para justificarem a transgressão da lei. Dizem que essa lei foi para o Israel da palestina; que era lei de Moisés; que Cristo cancelou a sua Lei; que basta crer em Jesus como Salvador e ser batizado, etc., etc.

E os escribas de hoje não escapam à censura de Jesus, apesar do tempo decorrido entre o seu ministério terreno e as ações destes. Pois já antes do ministério terreno de Jesus, o seu Santo Espírito revelou ao profeta que a pena do falso escriba adultera a sua palavra. Jr. 8:8.

Apesar de o Espírito Santo ter falado por João que os Seus Mandamentos não são pesados (I Jo. 5:3, ú.parte), muitos insistem em dizer que ninguém consegue guardar os mandamentos completamente. Apesar de o apóstolo Paulo ter dito que nada nos poderá separar do amor de Deus (referindo-se aos mandamentos de Deus, que é o seu amor), há aqueles que dizem que não mais é preciso guardar os mandamentos de Deus, que basta crer no sangue remidor de Cristo, ou confessar o nome de Jesus para ser salvo. Mas não sabem ou não querem saber que Cristo é a Palavra de Deus, que Cristo é a Lei, que Jesus vai julgar o mundo com a sua verdade (Sl. 96:13 e Rm. 2:2), que são os seus mandamentos; e com a sua justiça (Sl. 98:9 e Ap. 19:11, ú.parte), que são uma só coisa, os seus mandamentos; que Deus vai julgar o seu povo (Sl. 50:4); que quem sem lei pecar, sem lei perecerá, e que quem pela lei pecar pela lei será julgado (Rm. 2:12); que a lei não é para o justo, mas para o injusto (I Tm. 1:9); que quem pratica a justiça é justo, como ele é justo. I Jo. 3:7. Que o amor de Deus é a observância dos seus mandamentos. I Jo. 5:3. Que a verdade de Deus, os seus mandamentos, é a única coisa que nos pode libertar da lei do pecado e da morte. Jo. 8:32; Rm. 8:2; Jo. 12:50.

Que se guardarmos os mandamentos de Deus, estaremos em Deus e Deus em nós. I Jo. 3:24. Que a lei é espiritual; e que se o homem não fizer morrer a sua natureza carnal, ele não pode entender as coisas do Espírito, pois elas se discernem espiritualmente (I Co 2:14). Que a lei do Senhor é perfeita e refrigera o espírito (Sl. 19:7) do homem espiritual. Mas que ao homem natural ela parece loucura, razão porque nós somos loucos por amor de Cristo. Que o caminho é a lei. Ml. 2:8 e 9. Que a verdade é a lei. Sl. 119:142, ú.parte. Que a justiça de Deus é a sua Lei ou mandamentos. Sl. 119:172, ú.parte. Que a vida eterna são os seus mandamentos. Jo. 12:50. Essas coisas eles não vêem, ou não querem ver. Por isso disse Jesus: Se vós fôsseis cegos não teríeis pecado; mas porque dizeis vemos, o vosso pecado permanece. Também disse: pode porventura o cego guiar o cego? Não cairão ambos no buraco? Lc. 6:39.

Mas contra eles proferiu Jesus esse ai:

Ai de vós, doutores da lei, que tirastes a chave da ciência; vós mesmos não entrastes, e impedistes os que entravam. Lc. 11:52.

Não seja irracional como a mula. Examine as Escrituras, mas não creia em tudo sem antes conferir, pois os escribas modernos têm adulterado a palavra de Deus. E se você crer sem conferir poderá ser morto pela palavra.

Acautele-se, fazendo como disse o Senhor por Salomão: Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus mandamentos, para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido, e para inclinares o teu coração ao entendimento, e se clamares por entendimento, e por inteligência alçares a tua voz, se como a prata a buscares e como a tesouro escondido as procurares, então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Pv. 2:1-5.

Isso se faz necessário porque a letra mata, mas o espírito vivifica.