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Festa do Divino Espírito Santo
Publicado por: Cleber Caetano Maranhão
Data: 20/07/2020
Classificação de conteúdo: seguro
Créditos:
Leitura do conto de Cleber Caetano Maranhão


Texto

Festa do Divino Espírito Santo

Dentro de uma semana os fogos de artifício anunciarão o cortejo. A comunidade se prepara para a festa do Divino Espírito Santo. É uma preparação material, com um número significativo de pessoas trabalhando em conjunto com o centro comunitário do lugar e com a Igreja, para que tudo corra bem na festa e nada falte: a comida, a bebida, as lembranças, o sistema de som... Num ateliê de costura próximo, as roupas da família imperial são confeccionadas por uma senhora com o auxílio de duas jovens.

Daniel não terá acesso a este ateliê de costura, bem como à organização da festa do Divino Espírito Santo. Daniel sequer participará do cortejo em conjunto com a família imperial, porque o Daniel não faz parte da realidade daquelas pessoas que organizam e que são homenageadas nesta festa. O Daniel é um jovem pobre.

A mãe do Daniel vai na missa aos domingos e exige que o garoto, após ter feito a primeira comunhão, faça a crisma.  O catolicismo dá as cartas naquele lugar pequeno. Os adolescentes daquele lugar, misturam-se e se divertem sem levar em consideração a classe social da qual fazem parte. Seus pais levam isto em consideração porque é necessário, na vida adulta, manter as aparências.

A festa mobiliza os corações. A Letícia é linda. A Letícia está na flor da juventude, é moça bonita e todo o mundo disso sabe. O Daniel tem um romance de troca de olhares, palavras e gestos com a Letícia que não se concretiza no beijo porque há vergonha e pudor. Toda a coisa fica no ar, e todos os outros jovens da crisma percebem. Sabem, todos eles, que será na Festa do Divino, pela noite, quando o cortejo da família imperial tiver já ocorrido, assim como o cerimonial religioso terminado e as festividades com a música ao vivo no palco presente no centro da praça estiverem liberadas, que a Letícia beijará o Daniel e que o Daniel dirá a Letícia que ela está bonita.

Letícia se enfeita e fica prosa para a festividade. Daniel coloca a sua melhor roupa: uma peça que sempre utiliza ou para ir à crisma, ou para ir ao shopping ou para ir à missa. Os fogos de artifício rompem com luminosidade violenta e colorida o céu negro noturno daquela comunidade. Abaixo daquele céu estrelado a igreja e abaixo da igreja a praça repleta de gente que se diverte na Festa do Divino.

Tudo ficava no ar entre Letícia e Daniel e todos disso sabiam na crisma. Mas Letícia está prometida a outro mais interessante que Daniel e disso ele também sabia. Contudo, este outro rapaz não comparece: à Letícia, ele fez juras vazias e sumiu. Daniel diz à Letícia que à ela prometerá a verdade. Diz ao pé do ouvido da moça que ela é divina. Letícia passa a acreditar em algo novo.

São José, 07 de Julho de 2020.
Cleber Caetano Maranhão
Cleber Caetano Maranhão
Enviado por Cleber Caetano Maranhão em 07/07/2020
Reeditado em 20/07/2020
Código do texto: T6998777
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Cleber Caetano Maranhão
Biguaçu - Santa Catarina - Brasil, 36 anos
26 textos (424 leituras)
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