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Kitsune
Publicado por: Alex Raymundo
Data: 04/03/2019
Classificação de conteúdo: seguro
Créditos:
Texto: "Kitsune" - Alex Raymundo
Voz: Alex Raymundo
Trilha Sonora: "1 Hour of Beautiful Japanese Instrumental Music" - Derek & Brandon Fiechter
Trilha sonora obtida do site: https://www.youtube.com/watch?v=lyieFu7BnHE
Edição de som: Alex Raymundo
Software de edição: Gravador de Voz LG V.5.30.10

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Texto original do site http://recantodasletras.com.br/autores/raymundo.). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
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Texto

Kitsune

E estando Isamu atravessando a estrada rural que cortava a floresta de Hiromori, ouviu os lamentos de algum pequeno animal, entre as árvores. Desviando-se do caminho, apesar do crepúsculo aproximar-se rapidamente, o peregrino identificou a origem do som e descobriu uma armadilha de caçador, na qual caíra uma raposa de pelo branco. Isamu agachou-se e começou a desmontar o artefato, enquanto conversava com o animal.

- Calma, amiguinha, que já vou soltá-la. Certamente, o caçador que deixou isto aqui não queria pegar você... kitsunes são símbolos de boa sorte, ninguém em sã consciência iria querer fazer-lhes mal...

Cuidadosamente, soltou a pata dianteira esquerda do animal, que havia sido ferida na captura, e recebeu de volta um olhar de gratidão. A raposa lambeu a pata, olhou uma última vez para trás, e depois correu para dentro da floresta, a cauda felpuda balançando como uma bandeira. Satisfeito consigo mesmo, o peregrino voltou para a estrada, pois a noite estava caindo e ele queria chegar à próxima aldeia antes que ficasse totalmente escuro.

Cerca de uma hora depois, a Lua nasceu e iluminou o caminho. Isamu viu então, numa curva da estrada, uma hospedaria, e decidiu que iria passar ali a noite, seguindo viagem logo cedo no dia seguinte. Estava acostumado a dormir sob as estrelas, mas a perspectiva de uma refeição decente e um leito macio o tentaram.

O salão da hospedaria estava relativamente cheio, e ele viu um lugar vago ao lado de um homem robusto, que pelas roupas e apetrechos, provavelmente era um caçador.

- Posso sentar-me aqui? - Indagou cortesmente Isamu.

- Não é proibido - retrucou o caçador, bebendo um gole de saquê.

O caçador desviou então a atenção do recém-chegado e retomou a conversa com um parceiro, do outro lado da mesa.

- Amanhã eu volto lá, na floresta, para ver se a kitsune caiu na minha armadilha.

Isamu engoliu em seco, pois muito provavelmente aquele fora o homem que montara a armadilha. Mas por que iria querer prender a raposa? Suas indagações foram respondidas logo em seguida:

- Não é uma raposa comum... é uma donzela encantada. Vou capturá-la, fazer com que volte à forma humana, e a tomarei como esposa.

Ah! Então era disso que se tratava, ponderou Isamu. E fez sinal para uma das atendentes, uma jovem de quimono vermelho. Ela aproximou-se, sorrindo.

- Olá, eu sou Akane! Em que posso serví-lo?

- Boa noite, eu sou Isamu - replicou o peregrino. - Traga-me o prato do dia e o chá mais forte que tiver...

Enquanto falava, Isamu percebeu que o pulso esquerdo dela estava enfaixado. Os olhares de ambos se encontraram. Akane deu-lhe uma piscadela.

- Obrigado - disse baixinho, saindo graciosamente.

* * *

E na manhã seguinte, quando Isamu preparava-se para partir, Akane foi servir-lhe chá no salão da hospedaria.

- Poderia me levar com você? - Indagou, de forma direta.

Isamu ergueu os olhos para ela.

- Por quê?

- Se eu ficar aqui, aquele caçador, Toin, vai tentar de novo... nem sempre kitsunes têm a sorte de encontrar quem as defenda - declarou ela, arrumando a mesa.

- Não posso levar uma mulher comigo - retrucou enfaticamente Isamu.

- Algo contra ter uma raposa como animal de estimação? - Arguiu ela com um sorriso.

Isamu deu-se por vencido.

- Desde que você prometa não voltar à forma humana enquanto durar a minha jornada...

- Creio que isso não será difícil - disse a jovem

Isamu partiu só. Quando afastou-se o suficiente da hospedaria, uma raposa de pelo branco saiu do mato ao lado da estrada e pôs-se a caminhar ao lado dele. Quem os via passar, juntos, não podia deixar de lançar um olhar de surpresa e admiração para a estranha dupla.

- [01-03-2019]
Alex Raymundo
Enviado por Alex Raymundo em 01/03/2019
Reeditado em 02/03/2019
Código do texto: T6587538
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Texto original do site http://recantodasletras.com.br/autores/raymundo.). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

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Sobre o autor
Alex Raymundo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 56 anos
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Alex Raymundo
Rádio Poética