Em meus devaneios tolos
Acumulava os deslizes
Já nem caso mesmo fazia
Você triste contava todos
Somente me olhava e sorria
Em sua face rubra, matizes
Os seus lábios insuflava poesia
Mas em segredo você chorava
E o peito rasgado de fel escorria
Sozinha curava as suas crises
Quando te confrontava o amor
Docemente olhava e me dizia
Cada dia fenece um pouco à dor
Mas é forte como o troar da ventania
E fustigaria o Sol com seu calor
Mas num dia vi, já não sofria
Te fiz tanto mal e nada sentiu
O brilho dos olhos resplandecia
Deixou o adeus num bilhete
Ao pé da cama um ramalhete
E sem deixar pistas partiu
Partiu na Caravana dos sonhos
No galope do tordilho alado
E eu fiquei em minhas prisões
E com os grilhões do passado
Sofria, sofria, só...sofria.