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Existe vida após o autismo, acredite.

Num passado não muito distante um diagnóstico tentou roubar meus sonhos, tirou o meu sono, fez eu duvidar da minha capacidade de ser mãe e até sentir pena de mim mesma e do meu filho, passei alguns dias chorando, perdida... Porque a partir de então eu entraria num mundo desconhecido, novo e isso me dava muito medo. Medo de não saber dar limites ao meu filho, de não saber como lidar com o preconceito das pessoas, medo de não ter força o suficiente pra conseguir ser o suporte que ele precisaria pra se desenvolver bem. Foram muitas madrugadas lendo sobre tudo relacionado ao autismo, entrei em vários grupos de WhatsApp, mas confesso que hoje não aconselho ninguém a fazer isso no início do diagnóstico. A velocidade da informação acaba te atropelando, principalmente em grupos de pais e mães, pois o espectro autista é muito amplo ele vai do extremo de um que tem um grau de comprometimento muito grande até o The Good Doctor, o que não quer dizer que a luta de um é maior ou menor que a do outro, no autismo não existe leveza, nem moderação, nem tampouco severidade. Existem vidas envolvidas numa história de compreensão, persistência, vitórias, derrotas, risos,lágrimas, mas acima de tudo muito amor para entender que a resposta pra todas as nossas dúvidas, não estão no autismo de uma forma geral, mas estão exatamente naquele nosso autista, naquele que temos ali do nosso lado e que precisamos buscar o tempo todo pra entendermos qual o melhor caminho a seguir, portanto temos que parar de olhar pra fora e olharmos para dentro, daquele ser único, que faz parte do nosso mundo apenas com uma forma diferente de percebê-lo. Quando eu parei de olhar pra fora, João começou a me dar as respostas que eu tanto tentei buscar, nas pesquisas online madrugadas a fio, nos grupos e em todos os lugares que busquei respostas. Não estou dizendo que não precisamos de ajuda, pelo contrário, essa caminhada só é vitoriosa porque temos um time de pessoas dispostas  a nos ajudar: família, escola, terapeutas e todos que fazem nossa vida ser mais leve e feliz. A vida de uma família que convive com o autismo é bem mais feliz quando é composta de muitas pessoas que não desistem e que conseguem caminhar cientes do seu papel no mundo e seguem felizes porque entendem que só o amor é capaz de transformar nossos sonhos em realidade. Existe vida após o autismo, acredite.
Poliana Gatinho
Enviado por Poliana Gatinho em 21/10/2019
Reeditado em 21/10/2019
Código do texto: T6775142
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Poliana Gatinho
São Luís - Maranhão - Brasil, 36 anos
10 textos (236 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/11/19 23:47)
Poliana Gatinho