No início de tudo, conta a Bíblia Sagrada que Adão e Eva andavam nus pelo paraíso, do jeito que vieram ao mundo; com certeza havia outros personagens, mas Adão e Eva eram os principais. Nada se conta a respeito, mas ao que parece, os primeiros habitantes da terra só começaram a fazer sexo após o surgimento da Serpente; a história de ambos só começa a citar seus filhos após a expulsão por parte do Criador.
 
A própria Bíblia fala de Sodoma e Gomorra e suas orgias intermináveis, a promiscuidade que imperava naquelas duas cidades era tamanha que Deus se incumbiu de destruí-las por completo, dando fim a uma vida inteira de sexo desenfreado praticado por homens com mulheres, homens com homens e mulheres com mulheres.
 
O sexo entre pessoas e até com animais pode ser lido em epopéias prosaicas desde a Grécia, passando por Roma, Egito e finalmente chegando ao oriente pelos escritos antigos do Japão, China e principalmente na Índia; ninguém menos do que os indianos falaram mais sobre o sexo em seu Kama Sutra do que outro povo antigo; o amor não tem muito valor se não houver uma boa prática de sexo entre os casais, pelo menos é isso que deixa transparecer o famoso livro indiano, que tem valor sagrado naquele povo tão em evidência atualmente.
 
Do lado de cá do mundo, pouco ou quase nada se fala das relações sexuais entre os povos das Américas, pelo menos se há relatos mais consistentes acerca de tema, pouco é divulgado, mas já se sabe que a maioria dos povos era monogâmica e altamente paternalista, ou seja, a figura da família era tida como algo inabalável e requeria uma atenção maior do que o comum.
 
Quando os europeus desembarcaram deste lado do Atlântico o que foi visto eram indígenas nus, relacionando-se livremente nas matas, ocas e riachos, algo severamente combatido pela Santa Sé, que naquela época dominava parte do mundo com seus dogmas e encíclicas; para a igreja, o pecado morava na mesma habitação do sexo e quando alguém pulava a cerca, fosse homem ou mulher, muitas vezes tinham por pena a excomunhão; traduzindo, as pessoas tinham de fazer sexo em silêncio, secretamente, sem nenhum alarde e somente após o casamento.
 
A coisa foi assim até meados do Século XVII quando alguns povos mais “moderninhos” inventaram modalidades de comportamento sexual nada conservadores e hiper ultrajantes do ponto de vista Divino. Homens começaram a assumir papéis homossexuais e mesmo tendo que encarar a ira de seus amigos, vivia uma situação mais normal, da mesma forma que se tem notícias de grupos femininos que se relacionavam entre si aflorando um papel sensual do tipo lesbiano. Tais comportamentos ainda eram pouco vistos em sociedades onde a Igreja Católica Apostólica Romana tinha controle absoluto nos Governos e nas Leis; as sociedades que estavam longe das Leis divinas eram as que mais cultuavam a modalidade sexual fora do comum, ou seja, entre seres humanos de sexos diferentes e ligados pelos laços do matrimônio sagrado.
 
A questão da sensualidade era tão intocável e pecaminosa que mulheres e homens não podiam mostrar partes do corpo como pernas, braços e em alguns lugares até os rostos em público. Uma mulher que se desse ao respeito deveria cobrir todo o corpo com várias camadas de tecido, para que homem nenhum conseguisse ver a sua pseudo intimidade, da mesma forma que os homens não podiam usar em público outro tipo de indumentária senão uma calça comprida e camisas que chegassem até os punhos, isso até o Século XIX.
 
O Século XX veio como um furacão para o comportamento social do mundo; as pessoas clamavam por mais liberdade e grande parte do mundo já se mostrava sem as indumentárias pesadas e insossas de antes; homens e mulheres começaram a tirar cada vez mais as peças de roupa e passaram a inventar moda e o maiô foi um dos grandes precursores de tantas mudanças. Bastou alguém se apresentar com uma roupinha colada no corpo em um local de banho que logo a novidade mudou o mundo.
 
Os naturistas começaram a proliferar e tirar completamente as roupas em locais públicos; em seguida veio o biquíni em duas partes; depois o topless e quando todos apostavam num mundo completamente sem pudores, eis que alguém coloca um freio e deixa tudo como está.
 
Mas eu não estou querendo discernir sobre a moda e sim sobre o comportamento sexual da humanidade; a moda de certa forma influenciou, mas a grande mola propulsora foram os ventos de liberdade de expressão; as pessoas começaram a notar que seus comportamentos sociais não ameaçavam tanto a individualidade alheia; como disse Caetano: era proibido proibir e o que vemos hoje são pessoas vivendo em mundos completamente particulares inacessíveis ao que eles chamam de “caretas” e preconceituosos.
 
Para se ter uma idéia do que foi o escândalo, o primeiro filme pornô que se tem notícias foi filmado em 1894, poucos anos depois da criação do cinema. Sexo naquela época era feito as escuras e muitos homens jamais viram suas consortes nuas, mas o cineasta que rodou o primeiro filminho picante não poupou nas cenas mais escandalosas.
 
Segundo consta nos anais populares, a prostituição é o ofício mais antigo do mundo; fala-se de Madalena amiga de Jesus Cristo, mas há relatos de milhares de anos antes dela, ou seja, o sexo já estava nas ruas desde os tempos de Abraão, mas o falso caráter das pessoas, sobretudo dos homens, insistiam em não enxergar que sexo era tão comum quanto ler e escrever. Quando a sociedade coibia severamente a prática sexual, determinando-a em leis como pecado máximo, era quando mais ocorriam os abusos familiares, sexo com animais e até entre amigos do mesmo sexo; a sociedade reprimida tende a contrariar ainda mais os dogmas impostos a ela e o produto desta pseudo transgressão nem sempre atenua as regras de comportamento.
 
Na década de 50 as mulheres suecas descobriram que seus dotes corporais eram tidos por exóticos na maior parte do mundo; levadas por um neoliberalismo emergente estas moças de todas as idades começaram a serem fotografadas para histórias sexuais, dando início ao furor da época que foram as fotonovelas eróticas.
 
Nas capas estavam bem explícitas que eram PROIBIDAS PARA MENOS DE 18 ANOS, mas todo jovem de classe média acabavam ganhando uma dúzia daquelas revistas pornográficas; para muitos isso serviu de iniciação ao mundo do sexo explícito e eram daquelas revistas que muitos marmanjos faziam as cabeças de suas conquistas.
 
Muito antes das fotonovelas, em menor potencial de divulgação, havia as histórias eróticas em quadrinhos que em muitos lugares eram estritamente proibidas e combatidas; aqui mesmo no Brasil, Carlos Zéfiro teve que usar este pseudônimo para não revelar a identidade do funcionário público Alcides Aguiar Caminha; ele editou e vendeu centenas de histórias em xilografia onde as poses eróticas povoavam as cabeças dos tolos que buscavam o sexo sem a responsabilidade do pecado.
 
As revistas deram lugar à popularização dos filmes e depois da popularização do HVS elas quase se extinguiram; alguns títulos de revistas pornográficas ganharam o mundo e fizeram verdadeiras fortunas, mas somente uma conseguiu se manter no mercado da nudez; depois do DVD pirata, estão cada vez mais escassas as produções na linha do sexo; qualquer um tem acesso a todo tipo de filme, mas esta banalização associada à infração penal da cópia ilegal não promete que este tipo de acesso ao mundo do sexo permaneça tão firme como dantes.
 
A internet chegou e resgatou todo tipo de mídia de produção sexual; os filmes de 100 anos atrás podem ser vistos; os cartuns eróticos, as revistas suecas, a pornô chanchada do Brasil, as revistas de estrelas e até as novas produções cinematográficas; tudo isso pode ser visto, revisto e quem quiser se arriscar pode ainda copiar para a posteridade. Homens, mulheres, crianças, velhos e até o ET de Varginha pode dar pelo menos um mergulho neste mundo que já foi tão cercado de sigilo e pecado, mas que hoje anda mais banalizado do que moeda de 1 centavo.
 
Na década de 80 foi apresentado no Brasil o comercial do “primeiro sutiã”; a atriz apareceu em cenas vestindo um sutiã e aquilo foi um escândalo; os padres recriminando o ato e os jovens correndo para o banheiro; traduzindo: em menos de 30 anos, mostrar o sutiã em público era erótico, e hoje, o que é erótico?
 
Pessoas nuas aparecendo na TV em qualquer horário, é comum; falar de sexo em público é catedrático e simpático às vezes; as crianças estão crescendo sem os pudores de 100 anos atrás e o que até pouco tempo atrás era um tabu, hoje se pratica nas ruas ou nas varandas dos apartamentos; uma garota somente com a parte de baixo do biquíni na praia já não causa espanto algum, pelo contrário; se ela não tiver com seu corpinho devidamente sarado, passará vergonha meio à platéia mais do que exigente.
 
A nova onda é tirar foto em celular e câmera digital, fazendo sexo ou nu e publicar na internet; as pessoas fazem isso com tanta freqüência que já não se pode saber o que é flagrante ou proposital; pessoas de todos os sexos e gostos sexuais se permitem fotografar em várias circunstâncias; estas fotos que recebem o rótulo de caseiras ou amadoras proliferam como vírus entre os e-mails que são replicados para os amigos, até as novas páginas que só exibem este tipo de conteúdo.
 
O que se vê na internet é tudo e quando falo “tudo” é porque não há limites nas publicações; mulheres casadas, divorciadas, solteiras, crianças, adolescentes, adultos, velhos, muito velhos, com animais, com objetos de casa, com legumes, frutas, na praia, no mato, na escola, na igreja, enfim, não há limites para que alguém publique qualquer tipo de conteúdo sexual na internet.
 
A coisa tomou um rumo tão grandioso que até os velhos prostíbulos (zonas como ainda são conhecidos) diminuíram em número nas cidades de médio e grande porte; não que isso seja bom ou ruim; não serei eu a tentar discernir, mas as pesquisas revelam que cada vez mais os adolescentes estão desinteressados no ato sexual presencial; as mesmas pesquisas revelam que os jovens se sentem mais seguros em revelar suas fantasias através de páginas virtuais.
 
No Marrocos o motorista Ahmed me disse que ele poderia ter várias mulheres, mas que somente tinha uma esposa; segundo Ahmed o Islã não proíbe a poligamia, entretanto, o varão deve suprir de todas as formas as esposas que escolher; o homem, que é figura central daquela religião, precisa prover a condição plena de sustento dele e de suas esposas.
 
No Brasil a coisa está caminhando para uma sociedade polígama; nas boates de hoje já existe um concurso bem conhecido: quem beija mais na boca! Os mais jovens estão se acostumando a colecionar conquistas amorosas e em muitos casos estas conquistas convivem com a presença de outras pessoas no relacionamento!
 
Outra coisa que mudou ao longo dos anos são os mistérios dos acessórios do sexo; calcinhas, cintas-ligas, uniformes e objetos de silicone, antes de 1980 eram vendidos através de revistas masculinas, ultra-secretos; hoje está em lojas de shopping Center, nas principais avenidas de todas as cidades, um mercado que movimenta milhares de milhões de dólares por ano, tão comum quanto uma sorveteria.
 
As velhas cabines de sexo das grandes metrópoles ainda existem, mas ficaram esquecidas nos guetos e o acesso ficou restrito as pessoas de menor poder econômico; velhas e novas rainhas do sexo pornô continuam se apresentando nas cabines e em pequenos teatros, mas o público é cada vez menor e mais pobre; precisa-se trabalhar muito para ganhar pra comer.
 
Recente um casal que se apresenta em shows pornográficos declarou a uma equipe de reportagem que precisa se apresentar mais de cinco vezes por noite para levarem para casa menos de R$ 1 mil reais. Eles fazem sexo explícito ao vivo em casas noturnas de São Paulo, com e sem a participação do público nas performances das 22h00minh às 04h00minh numa jornada meteórica de horas a fio, fazendo em público o que raramente se fazia em casa há algumas décadas.
 
O resumo desta opereta comportamental é que o sexo de hoje não é nem de longe o mesmo sexo de antigamente; as pessoas estão mais exigentes quanto à diversidade e menos preocupadas com a normalidade; todos escrevem e se fotografam como os artistas renomados e todas estas obras, acadêmicas ou profanas caem todas num único lugar, a internet.
 
Pode-se concluir que a internet desempenha hoje o mesmo papel que as próprias pessoas de antes; ela se deixa aberta a qualquer pessoa e estas pessoas, que buscam desde o mais simples conselho ao mais intrigante filme de sexo, acabam encontrando o que buscam e muito mais; elas estão ficando dependentes e cada vez mais carentes; se não tivermos a inteligência de dosar estas incursões, moderando-as entre o que de fato se necessita e aquilo que é descartável, em breve poderemos estar observando o ser humano dormindo com o notebook entre as pernas e acordando no dia seguinte dizendo: - Foi bom pra você?
 
 
Carlos Henrique Mascarenhas Pires
www.irregular.com.br
 


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Enviado por CHaMP Brasil em 17/07/2009
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