LIBERDADE, AINDA QUE TARDIA!

O ano de 2010 será de Copa do Mundo e, muito mais importante a realização das Eleições no Brasil. Momento estritamente democrático, onde cidadãos e cidadãs de todo o país mais uma vez irão eleger seus Deputados Estaduais e Federais; Senadores e Presidente da República. Nada incomum, se não fosse a tristeza instigante e a visível “decepção” pelas passadas e recentes ocorrências estarrecedoras nas diversas esferas políticas e segmentos que a compõem.

Infelizmente o que se observa é que a cada eleição no Brasil, o número de eleitores indecisos vem aumentando gradativamente. A meu ver isto demonstra que nós brasileiros estamos mais preocupados com o destino do nosso voto.

Esta tal democracia por vezes nos surpreende quando deparamos com políticos insensatos, um ou outro candidato que promete “mundos e fundos”, foras-da-lei, corruptos, “fichas sujas” e outras denominações usuais para os usupurdaores da boa fé de um povo sofrido, sob o ponto de vista da ética, probidade e responsabilidade com a coisa pública.

Vivemos e convivemos diariamente com a “síndrome do político profissional”, onde a malversação do dinheiro público, a inidoneidade, a insubordinação e outras mazelas infelizmente dão lugar à impunidade. Os diversos escândalos na política nacional nos deixa perplexos e indignados, mas nada mais são que atos do triste momento vivido. Depois de exaustivamente divulgados, [pasmem] são sorrateiramente esquecidos num canto, como página virada de uma revista ou jornal e, ou programas sepultados no rádio ou na TV.

Alguns ousam salientar que “brasileiro tem memória curta” e surge a seguinte indagação: Será mesmo? Acredito que este é o fundamento de uma cultura peculiar e retrógrada que deixou marcas profundas em nossas mentes durante todo este tempo e por várias gerações.

O “Brasil do Futuro” é hoje a sombra de um passado colonial e nefasto a que fomos barbaramente impelidos. Das revoluções e conflitos internos à Ditadura e aos "Caras Pintadas", estamos nesta busca incessante, mas desenfreada pela liberdade, ainda que tardia! Quiçá que este desejo por novos tempos um dia se torne uma realidade nas mãos dos pequeninos que viverão sem dúvida "um novo tempo".

No momento em que tivermos um "Brasil Real" e, me perdoem o trocadilho, onde a desigualdade dê lugar à opulência, a solidariedade suplante o egoísmo e a seriedade dê cabo da hipocrisia, saberemos o que pretendemos. O problema reside nesta obrigação, a qual somos involutariamente impelidos como prova do "patriotismo" e, sobretudo, sacrificando o nosso legítimo e poderoso legado! Se não podemos mudar este país, digno seria que nos dessem a oportunidade de opinar através de um plebiscito sobre o voto facultativo, ou não.

Aí uns dirão: O que fazer se a maioria de nós brasileiros é "assaltada" diariamente por políticos que "se lixam para a opinião pública" e nos achincalham como se fôssemos meros "bois de carro" conduzidos pelo ferrão e chicoteados pela má sorte. Como se isto não bastasse, a legião de maltrapilhos é barbaramente induzida à ilusão de que tudo mudou e a desigualdade social já não mais existe!

Não devemos nos esquecer que o Brasil é país que possui um batalhão de analfabetos, sem teto e sem emprego que vivem das migalhas do Governo Federal e se endividam diariamente com a possibilidade de financiamento fácil a juros exorbitantes e prestações a "perder de vista". Milhares sequer tem moradia digna e vivem amontoados nas periferias da cidade, sem água tratada, tratamento de esgoto, educação, lazer e saúde de qualidade.

Não é por isto que lutamos! Queremos pão e não esmola! Necessitamos de algo ideologicamente maior e num contexto amplo, de benefício irrestrito. Este é um desejo imperioso e prático, no qual reside a formação do pensamento e a resultante e absoluta tomada de decisões. As ações corriqueiras serão engavetadas pelo tempo, governos passarão e todos deixarão marcas profundas. Mas, pouco a pouco estaremos sendo impelidos a combater o mal e romper as barreiras da ignorância deste capitalismo selvagem desde a essência.

Alguns políticos pregam a moralidade, outros defendem a bandeira do conformismo, uns até se comprometem com o inusitado e vendem a alma para o... Ah!... Deixa prá lá! Importante mesmo é termos consciência que estamos mudando, uma mudança quase imperceptível, mas que será defragrada num momento certo e oportuno.

Quem sabe esta grande legião de brasileiros sem teto, sem emprego, sem alimentos, sem segurança, etc., e somente lembrados em ano de eleições, possa efetivamente estar limpando esta sujeira, ao tirar da carteira o instrumento cabal e democrático: o título eleitoral e, votar consciente. Um voto seguro em candidatos que não tenham uma vida pregressa questionável. Este o verdadeiro e importante passo.

Votemos! Mas, com a confiança de que se não podemos MUDAR OS POLÍTICOS, ousaremos MORALIZAR A POLÍTICA! Já que não nos cabe legislar, já que o Congresso não nos ouve, o Senado e esta Nação, ainda nos cabe transformar uma revolta silenciosa numa justa e benéfica RAZÃO.